quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

NÃO  PASSAMOS  DISTO 
O título é a propósito de António José Seguro, Presidente eleito.

Li há dias num jornal de escassa tiragem, um artigo de opinião de alguém que começava a sua opinião por afirmar - conheço António José Seguro desde os 18 anos

Escreveu - o Tozé era já então um líder. . . . distante do radicalismo ideológico com que hoje, no espaço público, alguns insistem em catalogar o "socialismo " do PS . . . . nunca vi em António José Seguro qualquer cedência de carácter ou desvio de princípios . . . . . não creio que que a sua candidatura à Presidência da República seja um ajuste de contas com o passado ou uma resposta a detractores, próximos ou distantes.

Termina o artigo assim - para quem o conhece, será sempre um grande Presidente.

Como sempre, respeito a opinião de outrem.
Esta última frase foi certamente a mesma que ocorreu a muitos em 2016 relativamente a Marcelo Rebelo de Sousa. 

Pessoalmente, lá mais para trás, escrevi aqui no blogue porque votei nele em 2016. Designadamente porque apreciei o que disse antes da eleição, e voltei a apreciar o discurso de vitória.
Também já aqui no blogue escrevi porque me desgostou bastante basicamente a partir do 4º ano do primeiro mandato.

Voltando ao Presidente eleito: será sempre um grande Presidente?
SERÁ
No fim do "jogo" o prognóstico, como dizia um afamado da bola!

Respeito naturalmente a opinião, o vaticínio, a certeza.

Tenha uma posição diferente.
Não seria mais adequado dizer - tem características e qualidades que o creditam para vir a ser um grande Presidente da República.

Tal como em 2016, antevi que a Presidência ajudaria a melhorar Portugal.

Já escrevi com algum detalhe antes, e não vou perder tempo agora, Marcelo teve coisas muito positivas mas, sinceramente, em concreto, nada contribuiu para melhorar Portugal. 
Estamos exactamente como temos estado. E que a catástrofe mostra o país real, não o país das bolhas, dos Falcon, da Vichyssoise, das selfies patetas, e das vacuidades habituais nos discursos nas datas solenes e nas posses de governos, e na abertura solene de ano disto e daquilo.

Agora, compreensivelmente, Marcelo foi a correr a Coimbra. Compreensivelmente, legitimamente, creio que fez bem.

Mas teria sido bem melhor que no primeiro mandato de Costa não tivesse passado o tempo a pactuar com esse arrogante e a ganhar apoio para continuar em Belém, e pouco diferente disso tivesse sido no segundo mandato. 
Nada exigente, permitiu quase tudo, ganhou o  recorde das dissoluções, abusou e extravasou das competência constitucionais.

Voltando ao Presidente eleito, e a palavras suas: eu também pugno pela esperança.

Evidentemente, que se deseja viver e conviver com dignidade, viver em liberdade e segurança, ter acesso atempado a cuidados de saúde, evidentemente que é trágico tanta desigualdade e tanta pobreza em Portugal.

Mas discordo de si, profundamente, e de Marcelo, quando me falam em país moderno, economia competitiva, etc. 

E de Marcelo quando me vem com a treta do melhor país do mundo.

E de Marcelo discordo profundamente por muito mais coisas e recordo quando veio com a parvoíce de pagar indemnizações a outrem.
Não vai haver dinheiro suficiente para recuperar Portugal, agora, desta catástrofe.

Eu também pugno pela esperança, mas sobretudo pela decência na vida pública.

Eu tenho há décadas a secreta esperança de que no meu Portugal se começar a NÃO MENTIR na Vida Pública.

O senhor Presidente eleito fala por exemplo - uma esperança que aposta no conhecimento, na ciência, na inovação, na cultura, e na identidade que nos une como povo. Uma esperança que pensa nas próximas gerações quando decide no presente.

Pois é, é tudo muito bonito, e vá lá que não invocou a aposta na inteligência artificial.

Eu tenho há décadas a secreta esperança de que além de se deixar de mentir em Portugal, os titulares dos órgãos de soberania, os autarcas, os directores-gerais, os CEO, os directores dos jornais canais de televisão rádios e revistas, os presidentes dos clubes desportivos, os presidentes das associações e das fundações e dos observatórios, as chefias das mais diversas instituições, os empresários, etc. SIRVAM a sociedade, Não se SIRVAM dos LUGARES que temporariamente ocupam.

Eu tenho há décadas a secreta esperança de que os PDM comessem a ser aprovados a tempo e horas e não seja autorizada a construção de edificado sem licença e sem respeitar os PDM e as leis. E se começarem, sejam logo demolidas. 

Eu tenho há décadas a secreta esperança que termine o corrupio e promiscuidade entre banca, reguladores, governos, AR, negócios, escritórios.

Eu tenho há décadas a secreta esperança que diminua a corrupção; mas, sem menos burocracia, sem menos regras e normas e regulamentos e regulamentações, e editais, sem o fim de teias maliciosas, sem salários decentes para funcionalismo público, sem salários decentes para servidores do Estado, e a manter-se a legislação que enforma a justiça (códigos super garantísticos, permissão de poucas vergonhas por parte dos agentes na justiça), a corrupção não  diminuirá, AUMENTARÁ, tipicamente como em qualquer país da América Central ou do Sul.
 
Eu tenho há décadas a secreta esperança que passados 51 anos de democracia, FINALMENTE esteja próximo o dia em que se comece a pensar - que Forças Armadas deve Portugal ter, tendo em conta a dimensão das ZEE, a jurisdição que sobre elas temos, os acordos e tratados e a geografia do país.

Eu tenho há décadas a secreta esperança que se promova DE FACTO o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade REAL entre os portugueses e se promova de FACTO o desenvolvimento harmonioso de todo o território  nacional. 
"Pequenos detalhes" consagrados no Art. 9º da nossa Constituição.

O Presidente eleito afirmou - a coesão nacional constrói-se garantindo igualdade em todo o território.

É verdade, mas face a realidade é um bocado balofo.

Terá consciência que, ao contrário das vacuidades de Marcelo Rebelo de Sousa (o melhor país do mundo) Portugal é muito feito, TAMBÉM, do que se vê por exemplo, 
- em Arruda dos Vinhos, estradas, casas (??), quintais, 
- na ponte da Chamusca e noutras pequenas pontes que têm vindo a colapsar, 
- nas inúmeras aldeias completamente vazias (posso indicar-lhe várias), 
- nas casas construídas sem alicerces e etc. e se desmoronam facilmente, 
- nas casas (??) cujo exterior é tijolo não rebocado quanto mais pintado, 
- no mostrado num canal TV, apontando algo que designaram por casa (em Espinho, onde está a segurança social?), 
- em muitas estradas municipais, e algumas nacionais, 
- nos deslocamentos de terras, 
- em tudo aquilo que o presidente da câmara de Loures queria demolir e o PS se indignou, 
- no edificado junto de arribas, junto de ribeiras,
- na imensidão de edificado em certas zonas, abaixo do nível médio do mar, noutras abaixo do leito normal de rios e ribeiras,
- na fragilidade da sustentação de milhares de postes de madeira espalhados pelo país e que transportam linhas de electricidade, linhas de telecomunicações, ETC.  ETC.  ETC. lista sem fim !

Sim senhor Presidente eleito, obviamente que há que apostar em ciência, inovação, cultura, e pensar nas próximas gerações.

Tudo isso é correcto, mas a realidade é que Portugal é, INFELIZMENTE, um país pobre, com provavelmente 2 milhões de pessoas em grande pobreza e que a catástrofe agravará, é um país com tremendas desigualdades sociais, um país algo atrasado apesar do que vomitam constantemente certos arautos.

Pense nisso senhor Presidente eleito, antes de começar a exigir resultados. Lembre-se dos seus amigos Sócrates e Costa.
Lembre-se que PSD e PS são os grandes responsáveis da situação a que Portugal chegou. Particularmente a partir de 1991.

Lembre-se que o dinheiro não está no Banco de Portugal, está nos bancos, e mesmo com o governo a garantir os empréstimos e as moratórias, primeiro que os euros cheguem às pessoas vai demorar dias. 
Para já não falar em dificuldades várias, como pessoas a não conseguir resolver acesso à internet, depois a não conseguir lidar com os formulários, etc.

Tenha alguma calma, sr Presidente eleito, isto está uma catástrofe, causada pela mãe natureza.
Esta catástrofe caiu em cima do que Portugal É DE FACTO e Costa e outros Marcelo incluído, andam há anos a querer convencer o pagode que é ao contrário do que é realmente.  

Tenha calma senhor Presidente eleito
Este PM e este governo reagiram tarde mas está a cair-lhe em cima o resultado do que durante  anos e anos o PSD e o PS não fizeram. Resultados à vista.

Lembre-se da facilidade em subir a um poste, debaixo de chuvadas, e no meio de uns choques elétricos num ápice reparar o que está danificado.

E os diques estão a rebentar!

Passe bem.

António Cabral (AC)

Sem comentários:

Enviar um comentário