sábado, 6 de junho de 2020

O SERVIÇO  NACIONAL  de  SAÚDE
Pode tentar perceber-se, concordando ou não com muitas coisas, o  SNS e colaterais aspectos como, por exemplo, atrasos em marcações de consultas, resultados de análises oncológicas que nunca mais chegam, recursos humanos materiais e financeiros, listas de espera, bom atendimento aqui e ali, mau atendimento em outras áreas, o que se quiser. 
Até certas inaugurações por ministros. Até isto se pode tentar compreender, não esquecendo contudo as pornográficas atitudes de inaugurar coisas mais de uma vez ou fazer visitas ao estaleiro da ala pediátrica no Porto, telenovela vergonhosa que se arrasta há anos.
Não, o SNS ainda não chegou a este estado que se vê em cima, FELIZMENTE, e creio que está muito longe desta caricatura.
Muitas vezes a espera num hospital é desesperante, como já me aconteceu, e a foto retrata (final do ano passado). Sim, são as minhas pernas.
Aconteceu-me a mim e acontece a muitos, e que o "cartoon" brejeiro retrata para que isto não seja demasiado pesado.
Estou a abordar esta temática depois de ver noticiado que, com o infeliz incremento de infectados Covid-19 nos distritos de Lisboa e Setúbal serão adiadas outra vez mais um sem número de cirurgias. 
Incremento que as manifestações de milhares vão provavelmente ajudar!
Dizem que serão as não urgentes, e parece que a ordem dos médicos se insurgiu já.
Com a pandemia a assaltar-nos, veio o estado de emergência e etc e o confinamento de meses. E, assim, parece que não se estoirou com o SNS. PARECE!!!
Mas, agora, com as subidas de infectados já apontadas, alto e pára o baile, toca de afastar o que for menos urgente. Ou será na prática mais do que isso e nunca será confessado?

Já por mais de uma vez fiz referência a que, por razões familiares, percebo um "poucochinho" (já ouvi isto em qualquer lado...) do tema SNS. 
E, quando se tem um primo "intensivista" na luta num hospital central, os meus ouvidos e olhos redobram de atenção ao que disparam do governo, da DGS, da ordem dos médicos (tenho vários na família), da ordem dos enfermeiros (tenho 3 na família).
Problemas nas urgências só, ou problemas em geral, tem havido de sobra e de há anos. 

As listas de espera, as urgências pediátricas, as obstétricas, deficiente cobertura de serviços de saúde, eficaz e suficiente, em todas as especialidades e em todo o país, e muitas outras coisas. 
Falência de partes do sistema, por culpa dos sucessivos governos. Insuficiências várias, portanto. 
A medida agora anunciada ajuda a confirmar as fragilidades, as insuficiências, que em alguns anos e em alguns governos são mais disfarçadas?

Este adiamento, esta medida, que me cheira que na prática será mais que apenas as não urgentes, confirma aquilo que sei e que é, uma boa parte da população médica estar já envelhecida ou seja, sem lhes chamar velhos, quantos têm mais de 50 anos? 55%? Mais?

Fazem urgências noturnas?
Com esta pandemia, os médicos todos, enfermeiros, etc.,  estão muito cansados? Mais horas de urgência? 
A acreditar no meu primo, é a realidade. 
Até psicologicamente esse cansaço é enorme, compreensivelmente, ele por exemplo, continua a dormir num quarto fora de casa, embora ao lado do andar de família.

Afinal temos médicos a mais ou temos a menos?
Tudo isto que se está a passar demonstra o quê?
Que falências devem ser esclarecidas?
E negligências?
E questões de organização?
E as sucessivas ameaças de e demissões mesmo, parcelares ou em bloco?
E responsabilização? Bem, .....a pouca vergonha do costume!
Que confiança tudo isto gera ou pode gerar no cidadão comum, independentemente de patéticas posturas e elogios dos palhaços do costume?
Anda-se a enganar o zé povinho, ou não?
E quanto a seriedade política desta gentalha toda, do topo da pirâmide institucional para baixo?
Aguardemos.
António Cabral (AC)

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