VIDA PARTIDÁRIA e/ou TRATAR da VIDINHA
Aqui há uns anos, talvez há mais de 30, em pleno Algarve, concretamente uma noite ao fundo da marina de Vilamoura passeando com uma pessoa conhecida, muito bem na vida, e olhando os belos iates, dizia eu a dada altura que gostava de ter um barco pequeno, dos menos caros, e que o haveria de comprar se um dia me saísse o Totoloto.
Aqui há uns anos, talvez há mais de 30, em pleno Algarve, concretamente uma noite ao fundo da marina de Vilamoura passeando com uma pessoa conhecida, muito bem na vida, e olhando os belos iates, dizia eu a dada altura que gostava de ter um barco pequeno, dos menos caros, e que o haveria de comprar se um dia me saísse o Totoloto.
O meu interlocutor olhou-me com um sorriso e retorquiu - não é o mais ajuizado, o melhor é ter sempre amigos com bons iates e passear com eles, só tens de lhes levar uns mariscos e umas garrafas, as despesas ficam com eles e tu ficas bem na fotografia, até podes tirar uma fotografias como se fosses dono do iate.
Convém sempre não dares a ideia de seres muito rico, é importante ser rico e sempre bem visto, mas sobretudo viver um bocado na sombra de outros.
Nunca mais esqueci. Ele assim segue na vida.
Eu, continuo a não ter barco.
Vem isto a propósito de certas criaturas do regime, da fase democrática da nossa história.
Vem isto a propósito de muitas que já estavam na vida activa pelo menos desde 1968.
E muitos ainda aí estão, serviram no "fassssismo" sempre muito revoltados, serviram depois, sempre a servirem!
Não há Democracia sem partidos políticos, sem representação, sem periódicos sufrágios directos.
Não há Democracia sem comunicação social independente, livre, que noticie factos sem ideologia ou politicamente correcto, e que tenha colunas bem identificadas de opinião.
A vida partidária tem certamente aspectos maçadores, reuniões, compromissos, tarefas.
É muito mais simpático ser de um partido mas sem cartão de militante, ser do partido na prática diária como, comentador, analista, decisor, director, chefe de grupo de trabalho, presidente de, gestor, diplomata, administrador, militar, representante de, assessor, jurista, sindicalista, médico, etc.
É muito melhor assim, "livre" isto é sem cartão militante e sem pagar quotas, leva-se uma vidoca ainda melhor, e fica-se com uma auréola de independente, é como andar sempre no barco dos outros e, depois, dizer sempre com grande modéstia e ar humilde- sou um remediado, estou mais ou menos bem na vida, sempre gostei de servir!
AC
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