terça-feira, 9 de dezembro de 2025

DIREITO  À  PROTECÇÃO  DA  SAÚDE

O Art. 64º da nossa Constituição estipula que todos temos direito à protecção da saúde.
No mesmo artigo se descreve como é realizado o direito à protecção da saúde. É realizado nomeadamente através de um serviço nacional de saúde. Mas não só.

Descreve outras normas/ orientações, desde a necessidade de assegurar condições para a protecção da infância, juventude e velhice, melhoria de condições de vida e de trabalho, educação sanitária da sociedade.

Marcelo Rebelo de Sousa teve de ser urgentemente submetido a uma intervenção cirúrgica. Correu bem, felizmente.
Como é normal, agradeceu ao hospital de S. João, agradeceu aos diferentes funcionários do hospital. 
Pude verificar a excelência do hospital e do SNS”, referiu Marcelo.
Naturalmente que foi bem tratado.

Como costuma acontecer, surgem logo vários para, aproveitando este caso, enaltecer o SNS. Foi Montenegro e outros.
Muito de verdade nessas loas e declarações mas também muita demagogia e uma enorme e descarada ausência de vergonha na cara.

Mas vejamos com mais cuidado as coisas. 
Opinião pessoal naturalmente.

A saúde dos Presidentes da República e da Assembleia da República e do Primeiro -ministro são assuntos/ questões de Estado. 
Quem não perceber isto é melhor meter explicador.

O Presidente da República depois de sair de umas exéquias em Amarante teve uma forte indisposição.
Óbvia e naturalmente a equipa médica do Presidente determinou rápido encaminhamento para o hospital de S.João.
Obviamente que o hospital foi de imediato alertado de que o Presidente da Republica estava mal e se dirigia para o hospital.

Obviamente que desde o topo da administração do hospital à direcção clínica tudo entrou imediatamente em alerta máximo, e quem era preciso e não estivesse no hospital foi chamado de urgência.
E assim o Presidente da República foi recebido, rapidamente observado e depois operado.
Devia ser assim, tinha obviamente que ser assim.
Quem não perceber isto é melhor meter explicador.

Agora, estivesse eu a sair de Amarante e fosse acometido das mesmas cólicas violentas e vómitos muito provavelmente dirigir-me-ia ao Porto para ir a uma urgência hospitalar. E evitar uma problemática viagem de regresso a Lisboa.

Sou de algum modo privilegiado, porque tenho dois primos médicos na cidade do Porto, e bons amigos com boas ligações na sociedade "tripeira".
Eles de certeza conjugariam esforços para eu ser observado logo que possível. Acompanhariam a minha situação.

Mas duvido que toda uma equipa de primeiras águas fosse de imediato convocada para acorrer ao hospital e ao padecimento do cidadão comum António Cabral.

Se o cidadão comum António Cabral chegasse às urgências do S.João todo feito num oito, seria certamente observado, submetido a exames e encaminhado para cirurgia, nos prazos e com as demoras inerentes ao sistema e ao hospital, como aconteceria com qualquer outro cidadão comum.
Quem não perceber isto é melhor meter explicador.

Mas as questões do SNS são as que são, são conhecidas, e as dificuldades estão à vista.
E o que se passa no Porto não é a mesma coisa que se passa em Setúbal, Almada, Barreiro e Lisboa.
E a actividade da FNAM é o que é e está conotada ideologicamente.

As dificuldades e carências estão aí e têm explicação, explicação que não respeita nem de longe apenas ao governo de Luís Montenegro e à inarrável ministra da tutela.

Respeita muito ao que o PS e o PSD nunca fizeram desde 1979 (criação do SNS).
Respeita muito aos fantásticos 8 anos e semanas dos governos de António Costa, o tal virador de páginas, mas que se esqueceu de virar as páginas das carreiras dos médicos, dos enfermeiros e de outros profissionais de saúde.
Esqueceu-se que arranjou maneira de começarem a entrar cerca de centena e meia de milhar de imigrantes por ano, esqueceu-se do envelhecimento populacional, esqueceu-se das centenas que chegam cá apenas para parir, esqueceu-se do envelhecimento de muitos médicos e inerentes saídas do activo, etc.

Esqueceu-se de rever tudo no SNS, pois em 2016 tudo era diferente, e daí para a frente pior ficou.
MAS NÃO SE ESQUECEU DE FAZER CATIVAÇÕES.
Depois que se pirou para Bruxelas finge que nada aconteceu nem tem culpa nenhuma.

Afinal há um país que funciona bem.
Afinal há um SNS que em 99,9% dos casos resolve tudo.
Dizem alguns.

Mas senhores titulares de orgãos de soberania particularmente presidente e deputados, elites das bolhas todas, eu continuo à espera do relatório sobre a saúde que o professor Marcelo anunciou há bastante tempo.

Eu continuo à espera que as oposições, do PS às esquerdalhas, confessem publicamente quanto custará meter nos quadros dos hospitais do país a maioria dos médicos tarefeiros. Se eles aceitassem.

Eu continuo à espera que as oposições, do PS às esquerdalhas, acordem reunir com o governo e TODOS discutirem as consequências  da reformulação dos quadros de pessoal dos hospitais e de todas as outras unidades de saúde do país, e publicamente anunciarem isso em conjunto e informarem as novas tabelas salariais. 

Dizem certas personagens - o Estado deve olhar com muita atenção para estes dias e aprender a fazer bem, a não tentar esconder e a mostrar aos portugueses a realidade das coisas.

Pois, andaram particularmente PSD e PS a esvaziar o interior, a fechar imensas coisas, e agora quereriam que médicos e enfermeiros se fixassem aqui e ali.

Não é muito melhor ser tarefeiro, uma mina encontrada no "reinado" Sócrates?

Claro que o Hospital de São João é uma excelente unidade.
Claro que no Norte não há normalmente grandes polémicas a não ser,  como foi o caso do "Joãozinho", que serviu sobretudo para vaidades de uns e enterrar outros.

Claro que no país não há só corruptos mas é bem capaz de haver muitos.
Claro que não está tudo mal, mas várias coisas funcionam mal.
Claro que há pessoas e instituições e serviços que funcionam, de forma competente, onde existem milhares de pessoas ciosas do seu trabalho, dignas, honestas.

Claro que sim, e claro que, como de costume temos certas personagens a querer confundir.

Haja democrática paciência para os aturar.

Respeito, SEMPRE, a opinião de outrem. Depois, discordo ou concordo, e se me apetecer argumento.

Mas aferir do funcionamento de um hospital, do SNS, de uma loja do cidadão, das ambulâncias do INEM, do IMT, da AT, de farmácias, etc. pelo atendimento dispensado a um titular de órgão de soberania é capaz de ser sintoma de desonestidade intelectual.

António Cabral (AC)

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