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terça-feira, 10 de março de 2020

ESCADAS  na  VIDA  de  TODOS  NÓS
Escadas, em casa, nas cidades, nas vilas e aldeias, nas empresas e instituições. 
Começamos a subir escadas na vida logo depois de nascer, nos primeiros meses gatinhando.
Na escola, no liceu (agora secundária), na faculdade, nos ofícios que desempenhamos ao longo da vida terrena.
Como se constroem carreiras? 
E como se constroem imagens? Ui, tema complexo.
A maioria sobe as escadas da vida com mérito.
Na vida é também preciso alguma sorte, mas também preciso é dar sorte à sorte.
Depois, existem muitos que seguem aquela orientação - é preciso é saber viver.
Muitos e muitas saberão viver, e saberão subir as escadas com algum jeito, até de cintura e de ancas se preciso for !!!! É a vida.
Existem até alguns, e algumas, que sabendo alguma coisa do seu "métier" e porque tiveram um dia a sorte de ser escolhidos para estarem junto de algum importante a quem passaram a considerar e venerar quase como Deus, fazem/ fizeram brilharetes junto dele com pequenas e banais coisas (que os conhecedores até se riem de tão ridículo) tendo a arte de as transformar em autênticas pérolas preciosas. Que sabedor, pensam alguns depois!!!!!
Depois, fácil se torna propagandear a coisa e então, aos olhos de certos untuosos da mesma "família" cresce a "imagem".
Ás vezes, acontece terem mais tarde algum azar, pois na instituição de origem filtram os seus comportamentos e as suas fidelidades ao longo do tempo, e...........acabam/ acabaram por se tramar na desejada subida na carreira.
Mas o protector lá safa/ safou a coisa mais tarde, e houve e haverá sempre quem lhes escreva loas imensas.
Alguns passam até a ser considerados por certos vaidosos/ untuosos como "think thanks". A vida é muito curiosa.
(esta escada é de um local muito aprazível)
AC

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A PROPÓSITO DE MÉRITO
Retrato da sessão em que explicavam a Marcelo Rebelo de Sousa o que são e que diferenças encerram as palavras, avaliação, mérito, nepotismo, seita, transparência, milagre da governação, descarada ausência de vergonha na cara, interesses partidários, interesse nacional, lojas, seriedade. 
AC

Adenda: Todas as pessoas têm qualidades e defeitos, méritos e deficiências, carácter ou falta dele, seriedade ou falta dela.
Desde sempre, as pessoas que acedem a, cargos públicos ou do foro empresarial privado, lugares na máquina do Estado, que temporariamente sejam titulares de orgãos de soberania, têm méritos. 
Certamente. 
Méritos por, formação, por experiência muita ou pouca, por ligações profissionais, mas também fruto de amizades ou laços familiares.
Podia estar aqui uma manhã a desfiar contas deste rosário!
A filha de A ou B, a mulher ou o marido de fulano ou fulana, certamente terão os seus méritos, mas não me venham com estórias da carochinha.
Ou, noutra perspectiva, ir para o conselho de administração para lá estar, dar uns ligeiros bitaites, receber umas chorudas senhas, foi só por mérito, ou porque convinha dadas as suas ligações familiares?
Não me venham com histórias da carochinha.
"Ahn, o meu antecessor já tinha aceite......."
Claro que um Presidente da República num País Ocidental terá imensas dificuldades em não aceitar uma determinada composição governamental porque "eventualmente inquinada por laços familiares".
Não é essa a minha questão.
A minha questão, sr Presidente, é que devia estar calado.
Deu posse, limite-se a isso, esteja calado.
E, já agora, lembre-se do seu antecessor Sampaio que, sendo (na minha opinião naturalmente) um grande mariola, não se coibiu de dizer a Guterres que já era escandaloso, e vai daí Vara foi corrido.
Lembre-se, e vá olhando.
Mas cale-se um bocado. IRRA!
AC

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

CARREIRAS, CUNHAS, MALEDICÊNCIA?
Nas minhas passagens diárias pelos "media" tugas "online", dado que escassas vezes compro jornais e quando nisso gasto euros é para jornais da área económica e pouco mais, já tinha passado os olhos pelo "peculiar" semanário que tem o título de SOL
Entre outras coisas os olhos demoraram mais sobre dois ou três artigos, e é sobre um deles que vou discorrer um pouco. 
Porque é um tema da cultura nacional, e porque li um post do embaixador Seixas da Costa sobre esse assunto. 
No online vê-se a capa do semanário com um título "Tudo em família",  e fotografias de Carlos César, do seu filho (creio), Ana Gomes e a filha (creio), Pinto Balsemão e uma filha.
No interior, encimado pelo título "onde param as famílias mais influentes do país", estão textos sobre essas senhoras e senhores e mais alguns. Com fotografias.
O embaixador, atirando-se ao artigo, e em que na minha opinião tem alguma razão, não faz a coisa por pouco: refere a insídia, a suspeitazinha, as teorias da conspiração, a inveja, os despeitados com o sucesso alheio, as insinuações.
A meio do seu post, o embaixador reconhece - É claro que não é possível negar que, algumas vezes, isso pode ter ocorrido
Vá lá, reconhece.
O jornal afirmaO poder anda de mãos dadas com a influência. Mas mais do que aproveitar-se a influência para proveito pessoal, muitas vezes a influência parece estender-se à família. Não é difícil encontrar mulheres, maridos, filhos, filhas, sobrinhos e outros parentescos em posições de topo de grandes empresas ou da administração pública; nalguns casos, os curriculum vitae comprovam as competências e a experiência necessárias para desempenhar a posição, noutros nem por isso. Se ali estão por influência dos familiares ou não, é uma questão que ficará sempre por responder. O SOL quis saber onde andam e por onde já passaram as famílias das pessoas mais influentes do país.
Pergunto: são estas as mais influentes? Que pachorra.

Antes de prosseguir, não me arrogo o poder nem a competência para analisar com profundidade este tipo de assunto.
Mas imagino que o embaixador e muitos mais concidadãos não discordarão que se verificam imensos casos, ligados a muitos partidos ou não, em que é legítimo ponderar sobre a coisa. Mas ponderar sem querer ser "achista", maldoso, invejoso. Nada disso, apenas reparar em casos concretos.
Por exemplo: ter sido assessor de um Presidente da República tem, na esmagadora maioria dos casos, ajudado ou não a carreira de diplomatas, militares, economistas, jornalistas, juristas?
Há certamente mérito nessas pessoas, mas terá sido só isso?
Por exemplo: João Soares foi para nº 2 na CMLisboa com Jorge Sampaio; foi só mérito de João Soares?
Por exemplo: João Cravinho (pai) ter ido salvo erro para o BEI, mérito próprio e competência específica para o cargo, apenas?
Por exemplo: e para não falar só de civis, um oficial ser automaticamente condecorado quando sai da casa militar do Presidente da República, ou um oficial ser automaticamente condecorado quando sai do gabinete de um chefe militar quando, antes desse cargo, e apesar de ter feito uma boa comissão de serviço não foi condecorado, essas condecorações devem-se a mérito, apenas?
Outro exemplo: em sentido mais ou menos contrário, porque os há e imensos, aquelas situações em que se nega a ida para um cargo ou posto no estrangeiro por raiva do decisor, ou se nega não por raiva mas para dar lugar a um apadrinhado politicamente ou até apadrinhado por via uterina e que já agora até facilitará a vida a essa família toda.
Até me lembro de um outro caso, em que alguém se estava já a imaginar a ir para Bruxelas e, de repente, quem mandava, nomeou outro.

O assunto não merece gastar muito tempo.
Concordo que muitas pessoas vão para bons cargos e postos por mérito próprio decorrente da respectiva carreira até aí.
Algumas pessoas são escolhidas para bons cargos ás vezes também porque se alguns outros estivessem disponíveis no momento da escolha o seu superior valor os faria ganhadores.
Mas muitos, também, vão para cargos e postos lá fora ou mesmo importantes lugares cá dentro, porque pertencem a uma seita, à seita, qualquer que ela seja, ou porque a influência dos progenitores conta muito, ou as duas coisas.
Se nisso haverá corrupção passiva, tráfico de influências, não estou em condições de o assegurar com certeza absoluta.
Mas não me venham com conversa de salão.
Denunciar é sempre difícil. 
Deixemo-nos de conversa de salão.
Ou alguém de bom senso acredita que (imaginemos um hipotético exemplo) um filho de Presidente da República fraquito academicamente é convidado para uma empresa, porque teve notas fraquitas? 
Ou (outro "suponhamos") um acabadinho de se licenciar vai para um escritório só por mérito próprio, o nome do pai não contou? E pela vida fora só trabalhou na política?

Tal como respeito as opiniões alheias, respeito o artigo do Sol, mas considero-o um mau artigo/ texto, até porque se atira a 7 ou 8 casos, em que até pode ter alguma razão, mas se quisermos falar das famílias mais influentes temos que ir a outras sedes, a outras gentes.
E se existem muitos, que são influentes, em muitas dessas famílias existe muita gente de elevado mérito. Muita.

Sinteticamente, é isto o que penso. 

Certamente que haverá mérito de muitos, porventura a maioria, mas não me venham com histórias da carochinha. A minoria não é nada escassa.
Até porque como diz o povo, em que pé estará um filho de enfermeiro com melhores notas que o filho de um titular de orgão de soberania?
Ou, para ser mais brutal, falemos de oportunidades reais de acesso. Naturalmente que na vida pública existe um aspecto que é de facto importante, a confiança política.
E será porventura isso que fará que se salte de um gabinete para uma fundação, ou se desmultiplique em cargos não executivos.
Respeito a opinião alheia, mas não me venham com esta idade fazer crer que os bebés chegam de Paris no bico da cegonha.
AC