terça-feira, 9 de junho de 2020

MOINHOS DE VENTO,  mas...... 
Henrique Pereira dos Santos (HPS), é um concidadão cujas declarações/ escritos/ entrevistas sigo com alguma atenção desde 2017, designadamente a propósito de fogos/ incêndios/ florestas/ agricultura/ agropecuária.
Com o surgimento da pandemia, escreveu inúmeros textos em blogue e jornais, combatendo a maioria das coisas que foram sendo decididas pelo PR, PM, governo, AR, DGS, MSaúde.
Como sempre acontece com todas as pessoas, creio que em várias das suas indignações tem razão, creio que em muitas outras não tem. Vem isto a propósito do seu "post" com o título supra.

Refere que essencialmente tem havido dois grupos: 
> um número pequeno de pessoas que sempre consideraram absurdo tomar medidas não farmacêuticas radicais para conter uma epidemia,
> e um segundo grupo muito mais numeroso em que se incluem os políticos, titulares de orgãos de soberania, autoridades sanitárias, autoridades várias no campo da citologia epidemiologia etc.

Numa coisa pelo menos HPS tem razão, a meio de Março passado instalaram o pânico em Portugal. Creio que persiste.
Além disso, de facto, encontram-se especialistas que, como HPS refere, dizem e defendem coisas apenas porque sim.
Mas o que se passa presentemente quanto a infectados nos distritos de Lisboa (não é a cidade de Lisboa) e de Setúbal quando comparado com o resto do País requer muita reflexão. E o que fazer se os dados o requererem.

HPS sintetiza a coisa assim:

1) de um lado os que partem do princípio de que não sabemos grande coisa do vírus e que isso justifica uma abordagem super cautelosa, sempre assente no pior cenário, incluindo nessa definição de pior cenário modelações teóricas grosseiras e sem qualquer relação com a realidade, esquecendo quaisquer efeitos negativos das medidas loucas tomadas, quer no aumento desmesurado da pobreza - que mata muito mais que a epidemia -, quer mesmo nos efeitos na saúde pública que não diga respeito à covid;

2) de outro lado os que partem do princípio de que desconhecimento e incerteza não são a mesma coisa e que o razoável é uma abordagem que parta do princípio de que esta epidemia se comportaria essencialmente como qualquer outra, adoptando-se as medidas comprovadamente eficazes de contenção - lavar mas mãos, etiqueta respiratória, desinfecção de superfícies e isolamento de doentes - e sem grandes custos sociais, desenvolvimento de modelos de acompanhamento da evolução tão eficazes quanto possível para permitir detectar desvios da evolução em relação ao previsto e adaptar as medidas de contenção à nova informação, e nunca tomar medidas com impactos negativos certos e de grande dimensão, sem uma razoável probabilidade de se estar perante uma situação que as justificasse.

A generalidade das pessoas envolvidas no segundo grupo, e com alguma formação na área, sempre foram apresentados cenários alternativos de evolução cheios de ses e talvez, pelo contrário, o secretário geral da Organização Mundial de Saúde ainda esta semana continua a falar de uma epidemia que está sempre a piorar, à semelhança do que tem feito a ortodoxia da abordagem maximalista de confinamento.

O tempo se encarregará de demonstrar quem tem razão, e eu concordo.
Mas há um detalhe que HPS me parece continuar a fazer-se de esquecido. Tal como o seu "ídolo" André Dias, essencialmente defenderam que o vírus basicamente vinha em duas semanas e em pouco mais de duas semanas se iria embora. Bem.......
Tanto quanto me parece, o tempo tem-se encarregado de demostrar que não estará a ser exactamente assim.

Além disso, HPS não foca a Suécia e a Bélgica. Pessoalmente acho curioso, sobretudo olhando aos números e ao facto de, sobretudo na Suécia, não ter havido confinamento e, adicionalmente, um dos maiores responsáveis Suecos pelas decisões nessa matéria já ter vindo recentemente a público reconhecer que se calhar foi uma má decisão. Os óbitos falam por si, ou não?.
Aguardemos.
AC

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