quarta-feira, 10 de junho de 2020

O  MEU  10  JUNHO  2020
Cada um comemora o que quer e como entende. 
E ninguém tem nada com isso.
Sei o que foram alguns 10 de Junho. 
Recordo um, concretamente, nos anos 60 do século passado, em que estive no Terreiro do Paço por razões profissionais, como muitos outros. Adiante.
Este ano, depois do que já passámos e ainda estamos a passar, o casal decidiu sair de manhã cedo, e andámos por zonas onde as elites e os titulares de orgãos de soberania não vão. 
Creio que não vão. Zonas que dão muito poucos votos.
Se olharem para o nosso mapa, tracem umas linhas rectas unindo, Alcácer do Sal a Casa Branca, daí a Alvito, desçam a Ferreira do Alentejo, vão até Grândola e unam a Alcácer do Sal.
Ficam com uma ideia do tipo de zonas por onde andámos muitas horas, e não rigorosamente dentro das linhas. 
Olhámos os campos, os sobros, as terriolas, as barragens, os campos e campos de oliveiras, observámos a curta distância os fumos brancos da laboração da azeitona a passar a azeite, os pinheiros e pinheiros, os gados bovinos, e as gentes. Alentejo, alguma coisa profundo, fardos de palha à espera de serem recolhidos.
Observámos tão poucas gentes. Tão poucas gentes.
Mais para o fim fomos apanhar a A2 para regressar, finalmente colocando fim às nacionais e às municipais. 
Eram pouco mais que as 1800 horas, e o trânsito em direcção a Sul era imenso. Imenso.
Almoçámos bochechas com migas de coentros, imensos coentros, estava espectacular. Azeitonas magníficas, bebemos um vinho muito razoável. Uma boa sobremesa, dois cafés, barato para a qualidade apresentada, em restaurante com laivos de tasca, mas asseada, e dotado de pessoal com máscara e a limpar tudo como D. Graça manda. Mesas afastadas. Muito bom, rápido serviço, muito atenciosos. Depois de descarregar mostrarei algumas fotografias.
E portanto o  meu 10 de Junho foi calcorrear de carro, paragens várias, andar uns pedaços, a Nikon a disparar, o Sol aprazível sem torrar, 27º C.
E falámos, na vida, da vida, na vida dos nossos, falamos sobre este rectângulo mais as suas ilhas. Sobretudo, acerca de certos habitantes que por cá se pavoneiam. Pensámos no futuro.
E recordo agora, a propósito do 10 de Junho e das discursatas, um dos pedaços que mais gosto em Camões:
..........
Quem faz injúria vil e sem razão
Com forças e poder em que está posto,
não vence; que a vitória verdadeira,
é saber ter justiça, nua e inteira.
(Lusíadas, Canto décimo, LVIII)

E estive a ouvir há pouco os discursos do cardeal Tolentino e do Presidente da República na cerimónia nos Jerónimos.

Juntando Camões e sobretudo as palavras de Marcelo obriga-me a dizer que, de facto, quanto tempo mais o senhor Presidente da República vai continuar a ignorar certas coisas? Para lá daquilo que enunciou?
Mais um 10 de Junho. Da parte dos palradores, basicamente o  mesmo Portugal do costume, muita parra e, quanto a uvas, como se sabe, os granizos de há dias já deram campo de muitas.
Estão aí os dos costume para dar cabo do resto, apregoando odes.
António Cabral (AC)

Em tempo (0945h, 11JUN2020)

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