segunda-feira, 9 de outubro de 2023

A DEFESA da LAICIDADE

Laicidade (12): Os atropelos

Eis um livro oportuno sobre um dos princípios fundamentais da nossa ordem constitucional liberal-democrática - a separação entre o Estado e a religião -, que não tem sido objeto da atenção que merece no nosso País.
O livro analisa, por um lado, o significado e o valor desse princípio, em especial enquanto garantia da liberdade religiosa e da igualdade na sua fruição e, por outro lado, enumera os inúmeros atropelos a que ele está sujeito entre nós, em benefício da Igreja Católica, desde as missas realizadas por iniciativa de entidades públicas até aos capelães oficiais em várias instituições públicas.

No meu breve prefácio (8 pp), além de pôr em relevo os méritos do livro, sublinho que ele deve dar oportunidade ao debate que tem faltado sobre o défice da laicidade do Estado no quase meio século desde a sua consagração constitucional na Lei Fundamental de 1976.


Declaração de interesses: sou católico.

Como Vital Moreira (texto em cima retirado do seu blogue) e outros, defendo a laicidade do Estado, tenho sempre presente o normativo da Constituição da República Portuguesa (CRP).

Mas procuro ser coerente e, embora caiba a outrem o julgamento sobre cada um de nós, estou de consciência muito tranquila também neste aspecto.

A realidade dos factos mostra que, legitimamente e ainda bem, num país maioritariamente católico são eleitos não católicos para dirigir por exemplo os destinos do país e, portanto, no desempenho de funções é perfeitamente natural que os dirigentes políticos tenham de cumprir / comparecer/ participar em cerimónias onde não estariam se não fosse sua obrigação representar o Estado.

Vital Moreira tem atacado muitas vezes Marcelo e bem a meu ver, por manifesta e reiteradamente confundir a realidade de ser um fervoroso católico com a funções de PR.

A coerência ditaria que VM comentasse a descarada viagem de Costa a Roma para agradecer ao Papa a vinda a Portugal e à JMJ.
A coerência  ditaria que VM comentasse ainda os seus amigos, César, a Mendes, o Torres e outros (pagaram do seu bolso as viagens para irem a Roma?) que também foram agradecer ao Papa.

O descaramento e a desfaçatez são ilimitados por certas bandas.
Os nossos impostos servem para o que formalmente devem servir, e também cada vez mais para o bem-bom de certas criaturas.
É como estamos. Os votos devem ser sempre preservados, certo?
Lamentável, e desprezível.
AC

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