A tragédia do Elevador da Glória vai marcar Lisboa, o País, mas sobretudo as famílias das vítimas.
Há muitas décadas, no tempo da "outra senhora", o farol da Gibalta desmantelou-se, desmoronou-se para cima do comboio que passava, na linha Cais do Sodré - Cascais.
Responsabilidades criminais e outras? Pois!
Na estação do Cais do Sodré, vários anos depois o telheiro sobre as gares implodiu, caiu, creio que, mais uma vez, morreram pessoas.
Responsabilidades criminais e outras? Pois!
O incêndio do Chiado, de que observei a meio do Tejo a fumarada e me fez subir a rua do Alecrim a correr logo que desembarquei no Cais do Sodré e pude observar durante algum tempo a balbúrdia e tragédia que se desenrolava, não deu que eu saiba nenhuma recriminação violenta sobre os vários responsáveis da CMLisboa quanto mais responsabilização criminal.
A plantação de canteiros rua do Carmo acima teve trágica influência no combate às chamas pois dificultou imenso o acesso por parte dos bombeiros. Que eu saiba nada de especial aconteceu a políticos e responsáveis na autarquia.
Os incêndios de 2017 tiveram as consequências conhecidas. Passaram anos e quanto a limpezas, florestas, interior do país, responsabilização criminal, reconstrução de casas e outras infra-estruturas . . . . estamos conversados atento o presente Verão.
Páginas não foram viradas!
A manutenção /recuperação da ponte Duarte Pacheco em Lisboa foi feita finalmente depois de muitos gritos de alerta, e recordo o que durante anos foi dizendo Edgar Cardoso.
Quem como eu passava constantemente debaixo dela bem se dava conta da degradação crescente. Felizmente não houve tragédias.
Os roubos de espingardas metralhadoras G3 e de pistolas ao longo de anos, o folhetim de Tancos . . . . . pois. . . . estamos conversados.
A ponte de Entre-os-Rios caiu e . . . . sabe-se o resto.
Louva-se ao delírio a atitude política de Jorge Coelho, demitindo-se.
Pessoalmente, considero ter sido uma atitude política decente, honesta, digna. Mas a realidade é que se pirou, havendo no seu ministério vários imbróglios. Recordam-se das inundações dos túneis na Baixa Lisboeta?
Se virmos bem, desde por exemplo o desmoronar da Gibalta até ao presente, temos várias e diversas e diferentes tragédias, incluindo os desastres trágicos ferroviários e aeronáuticos. Estes com muitos mortos.
Pode dizer-se que, a par de falhas materiais e humanas em todas as tragédias desde há décadas e décadas, terá havido em muitas delas negligências, faltas de manutenção, falta de vistorias e controlos apertados? PROVAVELMENTE.
Pode dizer-se que há um padrão português? Se calhar . . . .
A responsabilização de pessoas, a responsabilização criminal e outras, não faz os mortos nas tragédias regressar aos vivos. OBVIAMENTE.
Mas a responsabilização, as culpas não morrerem solteiras teriam provavelmente feito com que daí para a frente a ligeireza, a irresponsabilidade na gestão do património nacional, seja do Estado ou privado, não fosse tratado como se vê há décadas.
Na tragédia da Glória, claro que de imediato se tratou de mandar investigar, dentro da Carris, fora da Carris; se mandou abrir inquéritos e, de acordo com o que vou lendo, ele é MP, PJ, CML, Carris, ordem dos engenheiros etc. etc. etc. etc.
Pesares MUITOS, flores MUITAS, o costume portanto.
Aguardemos portanto para observar o que desta vez, desta tragédia, vai sair completamente diferente do passado.
Os responsáveis que agem em nome do Estado, que agem em nome de empresas como neste caso a Carris, que agem em nome de empresas contratadas para manutenção de infra-estruturas e equipamentos, que agem em conformidade com ordens recebidas assim transferindo ou alocando verbas e fundos extraordinários, que agem em nome dos governos, que agem em nome de autarquias, raramente são responsabilizados pelo que fazem ao arrepio de muita coisa, e pelo que não fazem e deviam fazer.
No plano político temos sempre, os pesares nos sítios dos poderes, as declarações pesarosas, as condolências de todos ás famílias das vítimas, e todos eles a ansiar que o tempo passe depressa.
Noutro plano, temos as seguradoras a garantir estarem prontas a ajudar!
Temos depois, neste caso da "Glória", o PM a salientar que não deve haver aproveitamentos políticos da tragédia ocorrida.
Respeitosamente, devia estar bêbado quando falou. Vai ser um festival.
Todos clamam por respostas claras, conclusões detalhadas, apuramento das causas do acidente, e todos clamam por responsabilidades.
No caso da "Glória", pelo menos em 2018 já tinha havido problemas graves, felizmente sem consequências trágicas.
Vamos portanto ver o que nos vai ser dito e, em função disso, esperaremos sentados pelos capítulos seguintes.
Aguardemos portanto.
Quatro coisas, em síntese:
1ª - morreram pessoas; vamos ver as consequências para os feridos; há famílias destroçadas.
2ª - a vida política de Carlos Moedas deve estar arrumada, coisa que me incomoda ZERO.
3ª - a corrida autárquica em Lisboa ganhou acrescidos ingredientes.
4ª - uma tragédia atingiu menos de 50 pessoas. Já repararam que tiveram de ir para vários hospitais, que vários outros meios materiais e humanos tiveram de vir de outros lados?
E se tivesses ocorrido uma tragédia HORROROSA, com 12 a 15 vezes mais vidas humanas atingidas?
Que respostas?
Serei só eu que, mais uma vez, verifica a fragilidade de tudo isto?
E quanto a lideranças?
Viva o turismo salvador da economia.
Boa noite.
António Cabral (AC)
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