FRANCISCO PINTO BALSEMÃO (2)
Como indiquei em texto anterior, estive a reler este livro que a minha filha mais velha me ofereceu no dia do Pai de 2022.
Estive a reler a partir da página 247 - Os primeiros anos da democracia.
Estive a reler a partir da página 247 - Os primeiros anos da democracia.
Muito do que li/ reli ajudou/ ajuda a perceber porque Portugal continua este país atrasado, onde os sucessivos titulares de órgãos de soberania não acabam com as desigualdades gritantes, e porque é ultrapassado por tantos países, e nomeadamente pelos da antiga cortina de ferro.
Só falta mesmo um destes dias sermos ultrapassados pela Albânia.
Já fiz uma referência longa a uma dada passagem, essencialmente ao tempo dos governos chefiados por Pinto Balsemão.
E daí as perguntas sobre o presente e, como desabafou Pinto Balsemão quando escreveu as memórias, como é triste e lamentável que o presente continue a apresentar imensos traços dessa época. Tanto continuar por resolver.
Agora, olho a certos aspectos passados e olho para o que se passa hoje.
Na questão do combate político democrático o ecossistema partidário existente tem as raízes na Constituinte e, depois e sobretudo a partir de 1976, no gradual estabelecimento de titulares de órgãos de soberania eleitos.
O ecossistema partidário presente deve muito à intervenção de Melo Antunes a seguir ao 25 de Novembro de 1975.
Escreveu Balsemão - esta intervenção de Melo Antunes, que decerto não fez sem ouvir quem devia ouvir . . . . óbvio . . . . .
Muito interessante todo o processo contado relativo à constituição / formação do PPD (depois mudado para o actual PSD).
Mais interessante ainda os episódios relatados sobre as guerras intestinas dentro do então PPD.
Igualmente interessante a génese da preparação e criação do Expresso.
Interessante a nomeação de Marcelo Rebelo de Sousa para director interino do Expresso.
A este propósito há dias de novo coloquei um pequeno video onde Fátima Campos Ferreira questiona Balsemão sobre Marcelo.
Interessantes vários episódios relativos quer aos tempos durante os governos chefiados por Balsemão quer relativamente à vida do Expresso.
Mais interessante ainda o recordar do ambiente político ao tempo do Conselho da Revolução, particularmente os anos 1980 a 1982.
Não me admiraria que houvesse ainda muitos portugueses convencidos de que a primeira iniciativa para colocar em marcha o processo para a primeira revisão Constitucional pertenceu a Mário Soares.
Não. Pertenceu a Balsemão.
Balsemão e Mário Soares forjaram o que se sabe. Eram e sempre foram amigos.
A iniciativa pertenceu a Francisco Pinto Balsemão e muitos nunca lhe perdoaram.
Por aqui se percebe o silêncio de alguns por ocasião do falecimento de Balsemão.
Dignidade, como era de esperar, revelou Ramalho Eanes. E sabe-se as guerrilhas que houve entre ambos, um PR o outro PM.
Quanto a alguns outros, o costume.
Permanecem inchados, no seu casulo, sempre arvorando-se donos disto e contando as suas verdades.
Para terminar, as páginas 422 e 560 e 567 têm o sumo que explica muita coisa.
Não é por acaso que depois se encontram "detalhes" curiosos em certos textos como os publicados por ocasião do passamento de Francisco Pinto Balsemão.
Omissões curiosas.
Como curioso é ler logo no início das memórias a identificação das pessoas marcantes na vida política de Francisco Pinto Balsemão.
E reparar que certa pessoa lá não está!
António Cabral (AC)

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