GREVE. DIREITO À GREVE.
O que estabelece a nossa Lei Primeira?
Estabelece isto:
E ainda bem que está aqui muito claro que por lei outra se não pode limitar o âmbito dos interesses a defender.
Mais isto é uma coisa.
Outra coisa, para mim naturalmente, é a extraordinária desfaçatez e impunidade com que uns quantos dirigentes sindicais se decidem a tentar paralisar o país todo em 11 de Dezembro isto para não falar na quantidade de gente que faltará a 12 de Dezembro, já agora!
Na escola pública de um dos meus netos (7 anos), é frequente a professora faltar!
Sempre dá um fim de semana catita.
Falo em desfaçatez não porque não haja legitimidade para defender greve. Falo em desfaçatez sobretudo por se insurgirem para que sejam assegurados serviços mínimos.
Tenho um cunhado médico, já reformado mas que ainda faz trabalhos num hospital e tem clínica particular com outro, a mulher é enfermeira e têm duas filhas médicas e, CLARO, há sempre um bom fim de semana a partir de final de 5ª Feira antes de greves à 6ª Feira. As greves das 6ª Feiras são sempre bem vindas! Olha agora a começar à 5ª Feira.
Claro que assim, mais genuína e convictamente se protesta contra planos governamentais. Ou se protesta porque sim.
Se foram as centrais a fazer o que bem entendem é a democracia a funcionar. De resto . . . . .
Com as greves e particularmente o que está anunciado, quem sofre mais?
Sofrem as lojinhas de bairro, sofrem alunos, sofrem os mais humildes, sofrem os pequenos negócios.
Na minha opinião, as centrais sindicais (e compreende-se) e sindicatos aproveitaram algumas bacoradas protagonizadas pelo governo e concretamente pela ministra da tutela.
REPITO: algumas bacoradas.
Nem perco tempo a ir ver em detalhe as propostas de alterações á lei laboral.
Basta-me atentar em 10 cêntimos de aumento seja no que for para me dar a medida da IMBECILIDADE, ARROGÂNCIA do governo e da ministra.
Creio que a greve terá pouco a ver (terá também) com “condições de trabalho”, mas tem sobretudo com o poder excessivo das cúpulas sindicais e com a CRETINICE do governo a que se junta a IMBECILIDADE, ARROGÂNCIA de muitas associações patronais que continuam a não querer meter na cabeça que não é com milhares de zangados que vamos a qualquer lado. Mesmo eles e as empresas.
Os sindicatos e as centrais sindicais representam quem e o quê actualmente? Quantos sindicalizados?
E questiono-me também sobre a representatividade das associações patronais quando é certo que a estrutura empresarial nacional tem escassas grandes empresas mas tem sim umas quantas médias e milhares de pequenas.
Uns e outros representam de facto quem?
Creio legítimo afirmar que persiste muita máquina corporativa e muito envelhecida.
Há muito ruído e muita gritaria que me atrevo a supor que não tem completo respaldo no mundo laboral.
Mas um fim de semana grande . . . . . é sempre fixe.
A UGT parece ter na direcção uma militante importante do PSD. Logo andam pot aí dedos apontados - vêem, até ele discorda do governo.
Não é preciso ser do PSD ou do PS ou do PCP.
Basta ser pessoa decente para torcer o nariz a certas coisas.
Respeito, SEMPRE, a opinião de outrem.
Depois concordo ou discordo, argumento se me apetecer.
Respeito sempre mas não me venham com cá chamar grande social-democrata a certas criaturas. Há sempre certas criaturas que anos mais tarde se esquecem de certos passados e passam a estar sempre do lado CERTO. Pois.
A Constituição da República e bem, como acima recordei, tem bem explícito o que respeita ao direito á greve.
A Constituição da República e bem, como acima recordei, tem bem explícito o que respeita ao direito á greve.
Mas era bom que de uma vez por todas os governantes (PS, PSD, outros) se deixassem de bacoradas ainda que quando é o PS não faz grande mal, viram páginas!
E era bom que no mundo do trabalho também se deixassem de cassetes.
As presentes alterações laborais têm provavelmente normas muito discutíveis.
Tenho as maiores dúvidas que o que no presente se quer fazer seja melhor caminho.
O governo devia atentar seriamente no ruído que por aí vai.
Creio que parte da indignação é justa.
O governo devia, creio, suavizar certas normas que, muito provavelmente só tem respaldo em ideologia conservadora que devia ser afastada.
Enfim, não saímos disto.
Oxalá esteja enganado, mas continuamos alegremente a caminhar para o precipício.
Ah, só mais uma coisa: a greve vai ter uma grande adesão.
Sabem porque?
Não vai haver transportes, pois é um dos sectores mais dominados por PCP e alguma esquerdalhada extrema.
reclamarão grane sucesso!
E a todos os que faltarem no dia 12?
Acontece-lhes alguma coisa?
Querem lá saber menos um dia de ordenado, ficam com fim de semana alargado!
Outra coisa: serviços essenciais parados, famílias presas, doentes prejudicados, empresas sufocadas, miúdos sem aulas, sabem o que é?
É a democracia a funcionar.
Depois, a seguir, berram porque o execrável (opinião pessoal naturalmente) Ventura cada vez tem mais apoiantes.
Não passamos disto: uns a fingir que defendem a economia e o país, e outros a fingir que defendem a liberdade.
Mas uma coisa me parece continuar a ser evidente: estamos quase na cauda Europeia, somos pouco eficientes, patrões e empresários temos poucos mas sim gabirus, salários miseráveis, e muitos contentes com a imigração ilegal porque a economia precisa. Trabalhadores (ou escravos) a dormir (ou empilhados) em contentores, e tudo sempre muito bem avaliado, e assim se demonstra a inclusão nacional.
Ah, somos os melhores dos melhores, diz o palrador patético!
Ai se eu pudesse fugir daqui!
Tenham um bom Sábado
Saúde e boa sorte.
António Cabral (AC)

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