Entre outras, a vida ensina que ora se tem sucesso ora insucesso.
Que há coisas melhores mas outras bem piores.
Que quando algo sério acontece pode verificar-se normalmente que poderia ter sido ainda bem pior.
Que há sempre melhor que nós e pior que nós.
Que há quem esteja melhor na vida mas, infelizmente, existem milhões de seres humanos à superfície do globo que têm uma vida desgraçada.
Veja-se os 2 milhões (ou mais) de portugueses no nível de pobreza angustiante.
Mais bem dito, não têm vida!
Estou a recordar-me disto, destas realidades, a propósito no nosso mundo no presente mas, particularmente, a propósito da nossa sociedade, de Portugal.
Vivo felizmente dentro do nosso regime democrático, encimado pela Constituição, Estado de direito democrático, e onde me sinto bem, mas muito e cada vez mais incomodado com muita coisa que aconteceu e acontece, e não se devia ter verificado.
Uma outra coisa na vida, normal, é a curiosidade do ser humano, do simples ao complexo, olhar para coisas simples como seja, para um belo e bem tratado jardim, um campo cultivado/ bem tratado, um automóvel antigo que passa, uma banca de legumes bem arranjada numa praça como por exemplo a de Setúbal, um casal de idosos de braço dado na sua caminhada matinal etc.
Mas a curiosidade leva também a olhar para certas coisas de agora e olhar para trás.
Comparar.
Por exemplo:
* agora vivemos em liberdade, embora às vezes me pareça que é mais formal que real, pois a liberdade implica liberdade de expressão, liberdade de opinião, liberdade de associação, liberdade de informação, ter assegurados cuidados de saúde, poder concorrer em igualdade de circunstâncias independentemente do estrato social, facilidades na mobilidade no país, acesso a habitação adequada, acesso a ensino e cultura, fruir um ambiente saudável, poder observar e fruir biodiversidade equilibrada, ETC;
* agora, por exemplo, o meu pai não teria tido a chatice que teve nos seus tempos de campista (iniciados em 1964), com o que conseguiu viajar pela Europa (conheceu 16 países) de forma muito económica e modesta; agora, não seria chamado à PSP ou GNR ou SIS para lhe perguntarem porque foi de carro com a minha mãe a Berlim (tendo passado pelos horríveis controlos soviéticos, pelo meio das torres de metralhadoras), que o passaporte bem demonstrou; não teve problemas de maior (1969) pois fácil foi verificarem que era um simplório homem de secretária (correspondente em línguas como se dizia na altura) numa pequena empresa vinícola com sede no largo do município/ Câmara Municipal de Lisboa; mas não se livrou de estar mais de meia hora numa sala com um holofote a ser interrogado e a ouvir o telefonema para a empresa a tirar informações;
* agora, a mortalidade infantil é baixíssima;
* agora, existe o SNS, cada vez com mais dificuldades, fragilidades, e muitos centros de saúde funcionam com deficiências;
* agora, é legal haver greves em defesa de direitos, sendo apenas lamentável que, persistindo os mesmos exactos problemas, elas surjam em catadupa se o PS não estiver no governo, e mais lamentável que ocorram sempre coladas ao fim de semana;
* agora não há guerras em que o país esteja envolvido directamente, acabou a guerra colonial/ do ultramar/ em África;
* depois do 25 de Abril de 1974, surgiram na política nacional 4 ou 5 personalidades a roçar a categoria de estadistas; com o decorrer do tempo, e para se ter bem a ideia do estado a que chegámos ou seja, observar o declínio das chamadas elites, é comparar as personagens dos anos 70 e 80 do século passado com os pigmeus intelectuais e políticos arrivistas que passaram a dominar a sociedade portuguesa.
Enfim, fico por aqui, muito mais podia escrever, mas . . . . .
não digo mais, . . . isso mesmo, pintassilgos não são pardais.
Tenham uma boa 6ª Feira, um bom início fim de semana que, aparentemente, trará um ligeiro alívio nas tempestades, infelizmente nenhum alívio para o trágico sofrimento de tantos e tantos milhares de concidadãos.
Saúde e boa sorte.
António Cabral (AC)
Sem comentários:
Enviar um comentário