Luís Pato não quer o espumante da Bairrada à sombra do champanhe
O produtor de Anadia defende que a região tem identidade bastante para andar pelo seu próprio pé e que é composta pelas castas locais, noites frias, influência do mar, solos argilo-calcários e acidez natural.
Luís Pato reage quase antes de a pergunta acabar. Quando ouve chamar champanhe ao espumante da Bairrada, fica "com os cabelos em pé". Não é embirração de produtor, ou talvez seja também, mas daquelas embirrações boas, nascidas de quem passou a vida a defender uma identidade.
A Bairrada não precisa de ser cópia de Champagne. "Nós somos nós próprios", diz o viticultor, e a frase fica no ar como uma rolha que salta sem fazer barulho.
O produtor de Anadia, um dos nomes maiores da viticultura portuguesa, começa pelas castas. As castas locais, "as tradicionais", e vê na Baga uma das grandes expressões da região.
A Baga, no seu vocabulário, é "superplástica". Dá tinto, rosé, espumante, o que lhe pedirem, desde que a saibam tratar. E, sobretudo, é "boa amiga da comida". A acidez ajuda a domar o sal, os taninos "cortam a gordura", e a mesa agradece. O vinho, como a comida, tem "aromas, sabores e texturas".
O espumante da Bairrada continua, para Luís Pato, abaixo do reconhecimento que merece. A proximidade ao mar ajuda a construir a personalidade do vinho. As noites frias conservam a acidez das uvas, e no espumante a acidez é quase destino. "O segredo do espumante e dos brancos é uma boa acidez natural", lembra, com a desconfiança de quem prefere o que vem da vinha ao que se corrige depois na adega.
A segunda razão está no solo argilo-calcário, capaz de dar profundidade, textura e essa nota que, noutros lugares, se descreve como "brioche, pão torrado, manteiga boa, vegetal, nascida do tempo sobre as borras". Luís Pato fala disto sem complicar, como quem transforma ciência em conversa de mesa.
Para ele, o espumante não pertence apenas aos brindes solenes, aos casamentos, às passagens de ano ou às fotografias com copos erguidos. É "o vinho do encanto", "o vinho do amor","o vinho do tête-à-tête".
O produtor de Anadia defende que a região tem identidade bastante para andar pelo seu próprio pé e que é composta pelas castas locais, noites frias, influência do mar, solos argilo-calcários e acidez natural.
Luís Pato reage quase antes de a pergunta acabar. Quando ouve chamar champanhe ao espumante da Bairrada, fica "com os cabelos em pé". Não é embirração de produtor, ou talvez seja também, mas daquelas embirrações boas, nascidas de quem passou a vida a defender uma identidade.
A Bairrada não precisa de ser cópia de Champagne. "Nós somos nós próprios", diz o viticultor, e a frase fica no ar como uma rolha que salta sem fazer barulho.
O produtor de Anadia, um dos nomes maiores da viticultura portuguesa, começa pelas castas. As castas locais, "as tradicionais", e vê na Baga uma das grandes expressões da região.
A Baga, no seu vocabulário, é "superplástica". Dá tinto, rosé, espumante, o que lhe pedirem, desde que a saibam tratar. E, sobretudo, é "boa amiga da comida". A acidez ajuda a domar o sal, os taninos "cortam a gordura", e a mesa agradece. O vinho, como a comida, tem "aromas, sabores e texturas".
O espumante da Bairrada continua, para Luís Pato, abaixo do reconhecimento que merece. A proximidade ao mar ajuda a construir a personalidade do vinho. As noites frias conservam a acidez das uvas, e no espumante a acidez é quase destino. "O segredo do espumante e dos brancos é uma boa acidez natural", lembra, com a desconfiança de quem prefere o que vem da vinha ao que se corrige depois na adega.
A segunda razão está no solo argilo-calcário, capaz de dar profundidade, textura e essa nota que, noutros lugares, se descreve como "brioche, pão torrado, manteiga boa, vegetal, nascida do tempo sobre as borras". Luís Pato fala disto sem complicar, como quem transforma ciência em conversa de mesa.
Para ele, o espumante não pertence apenas aos brindes solenes, aos casamentos, às passagens de ano ou às fotografias com copos erguidos. É "o vinho do encanto", "o vinho do amor","o vinho do tête-à-tête".
Um vinho para tornar as pessoas mais sociáveis, para acompanhar as coisas grandes da vida, que às vezes são apenas estar bem à mesa com alguém.
Há, ainda, a questão dos jovens. Como pô-los a beber vinho, sobretudo espumante, mais fresco, mais leve, talvez mais próximo das novas formas de consumo.
Há, ainda, a questão dos jovens. Como pô-los a beber vinho, sobretudo espumante, mais fresco, mais leve, talvez mais próximo das novas formas de consumo.
Luís Pato acredita que é preciso desafiá-los através de experiências e admite vinhos com menos álcool, desde que a lei, "essa senhora tantas vezes lenta e desconfiada, permita alguma liberdade para experimentar".
Mas a novidade, para ele, não pode destruir a origem.
Mas a novidade, para ele, não pode destruir a origem.
A tradição está nas castas e no carácter do local.
E, se fosse possível, até as leveduras da segunda fermentação deviam ser da região.
Luís Pato chama-se a si próprio "um fundamentalista da natureza", não como quem pede desculpa, mas como quem encontrou uma regra para trabalhar.
Diz que a natureza "é muito mais sábia" do que se imagina. O segredo talvez esteja em escutá-la antes de a corrigir.
Diz que a natureza "é muito mais sábia" do que se imagina. O segredo talvez esteja em escutá-la antes de a corrigir.
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