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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

BACALHAU.  FROTA de PESCA.

E o desleixo e a pouca vergonha do costume.

Neste algumas vezes chamado "País de Marinheiros" mas que, na realidade, década após década demonstra ser antes um viveiro de palhaçadas e avesso a honrar e orgulhar-se do seu passado, neste país em que umas quantas criaturas batem furiosamente no peito pelo mar e pelos horizontes que possibilita mas, depois, nada fazem de concreto, neste país em que foi necessário que fosse um velho almirante a primeiro pugnar pela recuperação da destruída "Fragata D. Fernando II e Glória", neste país passam-se há décadas as coisas mais inacreditáveis em assuntos vários com ligações ao mar.

Num país com história e tradições ligadas ao mar e que do mar tirasse proveito, não aconteceria desperdiçar-se o passado. 
Veja-se o que ganham Dinamarca e Holanda, por exemplo, mais pequenos que Portugal Continental.
Em Portugal tempos houve em que tínhamos frotas de navios de pesca designadamente para o bacalhau. Naturalmente, o tempo corre, navios chegam ao fim de vida, guarnições devem ser melhor consideradas e remuneradas pelo árduo trabalho, navios novos são necessários, as áreas de pesca tornam-se menores, há restrições várias, leis internacionais, há que cuidar das espécies e pescar com tino.

Época houve em que uma determinada companhia / família teve  típicos navios de pesca do bacalhau, como recordo em cima: Argus, Hortense, Creoula, Gazela Primeiro, Neptuno. A marcha inexorável do tempo e das circunstâncias acabou com eles. E havia mais bacalhoeiros.

No folheto em cima diz-se que o Creoula foi vendido ao Estado e recuperado foi entregue à Armada. 
Tanto quanto julgo saber, creio bem mais rigoroso dizer que ele ficou propriedade do Estado, sim, e ficou concretamente nas mãos do Ministério da Defesa Nacional. Não passou a ser um navio da Marinha.
Este ministério tinha a obrigação de anualmente dedicar verbas específicas  para a manutenção do navio e para a sua operação, devendo a Marinha encarregar-se de planear as viagens e atribuir militares para guarnecer o navio. 
E começou a navegar, em treino de mar, cruzeiros de duração variada, embarcando juventude com o objectivo de atrair os jovens para as coisas do mar.

Naturalmente, digo eu, caberia ao dito ministério anualmente atribuir as verbas específicas, mas extra orçamento anual da Marinha, para a operação do navio e para a sua manutenção. 
Não sei o que se foi passando, mas o navio permanece parado no Alfeite, há bastante tempo. 
À boa maneira socialista ou melhor, à boa maneira de uma súcia de criaturas devem estar quase a vir demonstrar que a culpa deste abandono é da Marinha e, concretamente, da anterior chefia da Marinha.

Pelo que se vai lendo, concretamente em mais uma etapa de marketing do ex-almirante das vacinas agora à frente da Marinha, entre as várias notícias sobre actividade e decisões do foro interno decorrentes do actual chefe da Marinha, surgiu a nova de que estará já a ser estudado o que fazer para reabilitar o Creoula. Desejável, louvável.

Como sempre, faz-se propaganda, muita e programada propaganda. Mas a comunicação social é, maioritariamente, aquilo que se conhece.
Dada a vacuidade do comunicado da Marinha dado a conhecer pelos OCS, podiam os pés de microfone ter perguntado à Marinha e concretamente ao actual almirante CEMA, pelo menos o seguinte:
> concretamente, há quanto tempo está o navio inoperacional?
> quando o sr almirante foi Comandante Naval, o navio já estava inoperacional e, se sim, que propostas ou análises houve acerca do assunto, que alertas partiram do Comando Naval?
> as verbas necessárias para manter o navio a navegar (operação e manutenção) foram sempre anualmente entregues à Marinha pelo MDN, ou o MDN foi impondo que essas verbas saíssem do orçamento anual da Marinha?
> para o estudo que agora determinou, tendo em vista a reabilitação do navio, o sr almirante tem o compromisso do ministro quanto ás verbas que vierem a ser necessárias à recuperação do navio?

É que de propaganda e loas ao mar estou cansado. 
E cansado estou de mariolas vários. Tanto de civis como de certos militares.

AC

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

O  BACALHAU

 

Creio que o bacalhau continua a ser um elemento com lugar especial na gastronomia nacional.

No presente, e desde há vários anos, creio que pelo menos desde o 25 de Abril de 1974 (mas posso estar enganado), que a esmagadora maioria das toneladas de bacalhau anualmente por cá consumidas não é pescado por bacalhoeiros portugueses como no passado, mas importado. Quanto à salga dos bichos confesso que não estou a par de como o processo foi sendo alterado ao longo das décadas. Uma coisa sei, vários locais de seca do bacalhau foram extintos, como por exemplo na zona de Alcochete. Mas penso que ainda se importa bacalhau e a salga é feita por cá. Não investiguei.

Porquê estas palavras? São a propósito do passado, dos nossos bacalhoeiros, da labuta nos mares alterosos lá muito para cima no Atlântico, nas idas a S. João de Terra Nova (St.Johns). Desse passado penso que ainda existem várias pessoas que conhecem muito desse historial, que o viveram. Pessoalmente sei muito pouco, conheci um filho de um capitão desses bacalhoeiros, e tenho alguma literatura sobre o assunto.

E por isso me proponho uma ou outra incursão nesse mundo (esta será a primeira), com o auxílio de um bom livro da autoria de um capitão da marinha mercante, e de que mostro a capa. 

AC