sábado, 24 de fevereiro de 2024

INQUIETAÇÃO nas FORÇAS ARMADAS ?

1. Há ou não?
Claro que existe e não é de agora. É crescente.

- A saída de oficiais, sargentos e praças das fileiras, que significa ?
- A escassíssima adesão à vida militar, que significa ?
- A telenovela Tancos representa o quê ?
- A degradação dos recursos materiais nos três ramos das Forças Armadas, que significa ?
- A crescente diminuição de recursos humanos, muito abaixo do patamar oficialmente definido representa o quê ?
- A disparidade brutal do que um militar recebe ao fim do mês comparado com o que acontece com os homens da GNR não causa inquietação, não degrada psicologicamente? Não há aqui um fosso inadmissível? Não gera revolta ?
- As associações representativas dos oficiais, sargentos e praças das Forças Armadas admitirem protestos na rua dentro da legalidade que significa ?

2. Quando se afirma que é completamente inaceitável os militares manifestarem-se na rua, que isso é contra o regime democrático, tem-se bem a noção do que se afirma?
Pessoalmente, por educação, por formação, entendo que, por regra, os  militares não se devem manifestar nas ruas.

3. Mas, parece que algumas criaturas desconhecem ou fazem-se de distraídos, de que existe lei definindo a possibilidade da manifestação de militares.
Pelo artigo 30.º da Lei de Defesa Nacional os militares na efetividade de serviço podem participar em manifestações legalmente convocadas, sem natureza político-partidária ou sindical, desde que estejam desarmados, trajando civilmente e desde que não ostentem qualquer símbolo nacional ou das Forças Armadas e desde que a sua participação não ponha em risco a coesão e a disciplina das Forças Armadas".

4. A minha posição está claramente definida em 2. Em regra, os militares não se devem manifestar nas ruas.
Ver invocar expressões como inadmissíveis e outras "boutades" têm na minha opinião pouco a ver com o problema e mais com egos e sonhos.

5. Quando vejo as associações manifestarem-se dentro daquilo que legalmente as enquadra e demonstrarem a sua legítima revolta e anunciarem que entendem que os militares devem manifestar a sua indignação, nada tenho a obstar desde que tudo decorra dentro dos limites da lei.

6. Mas discordo frontalmente que se promovam manifestações com cartazes como vi anunciado.
Mas gostava, sinceramente, gostava mesmo, de ver uma manifestação brutal de militares das Forças Armadas, nas ruas de Lisboa, legalmente convocada pelas associações dos oficiais, sargentos e praças.

Uma manifestação com milhares de militares, desarmados, trajando civilmente, sem nenhum símbolo visível nem em lapelas de casacos, sem cartaz algum, mas completamente em silêncio
Em silêncio, um silêncio sepulcral, descendo por exemplo do Marquês de Pombal ao Terreiro do Paço.

Depois venham cá dizer-me que isso afectaria a moral, a disciplina.

7. Os responsáveis pelo estado a que chegaram as Forças Armadas são os sucessivos titulares dos órgãos de soberania, designadamente desde 1995; sucessivos Presidentes da República, deputados e PM e seus governos. E não é difícil perceber porque o foram fazendo.
Ao longo deste período de quase 30 anos, considero que vários chefes militares não estão isentos de responsabilidades.

Aguardemos.

António Cabral

Sem comentários:

Enviar um comentário