quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

AINDA O 25 NOVEMBRO 1975

Estive a ler no sítio da TSF e com todo o cuidado a entrevista concedida por Pacheco Amorim, actual deputado do Chega e homem importante (que eu saiba, pelo menos) no MDLP.

Desta entrevista retiro o seguinte (comento a azul):
- que estava em Madrid há muitos meses, no gabinete político do MDLP (desde Agosto de 1974?).

- o MDLP tinha, um gabinete político que fazia análise política para Spínola, forças designadas por FAE (Forças de Ação Externa) preparadas para intervir se em Portugal o poder caísse nas mãos do PCP ou de partidos de extrema-esquerda. (as FAE seriam ex -militares portugueses na situação de disponibilidade, ou mercenários, ou as duas coisas? Se mercenários, haveria provavelmente uma lista identificada; o jornalista não perguntou, claro)

- o MDLP tinha ainda uma rede de informações em Portugal, a RAI (Rede de Ação Interna) (interessante que passados tantos anos, dá certos detalhes do MDLP mas, por exemplo, clarificar um pouco mais esta rede, népias) 

- que o MDLP fazia uma leitura política de que se preparava um golpe da extrema-esquerda, havendo dúvidas quanto à eventual participação do PCP nesse golpe (esta uma das várias nebulosidades daquele tempo; do outro lado da barricada dizem o oposto; ver, entre muitas outras referências, a entrevista de Carlos Matos Gomes).

- havia inúmeros contactos entre alguns oficiais do general Spínola e os oficiais do Grupo dos Nove, e entre Spínola e Mário Soares. (Não é por acaso que certos oficiais foram parar à Casa Militar da Presidência quando Mário Soares era Presidente da República, e que Spínola foi chanceler das ordens, se a memória não me falha)

- houve uma relação muito estreita entre o Cónego Melo e Alpoim Calvão, o chamado movimento Maria da Fonte, que se reunia à volta do Cónego Melo, e havia uma grande interação entre a Maria da Fonte e o MDLP. (história da carochinha sempre contada; era só o cónego Melo!

- atribui a Alpoim Calvão e alguns dos oficiais fuzileiros que estavam ligados ao MDLP e ao Cónego Melo a ocorrência de incêndios a sedes, e que isso era para corresponder aos ataques que, a Sul, o PCP e a extrema-esquerda faziam às sedes e a militantes de partidos da direita (se Alpoim Calvão fosse vivo seria interessante tentar saber a opinião). 

- refere que assim se tentou fazer no Norte como que um certo equilíbrio, para que as pessoas percebessem que o poder real não estava apenas nas mãos do PCP e da extrema-esquerda. 

- não houve ligações ao CODECO e que sobre isso e muitos outros assuntos se fizeram e fazem muitas invenções.

- tanto quanto é do seu conhecimento, o MDLP não ordenou ataques bombistas. (o que não invalida que tenham sido mesmo ordenados)

- refere contactos telefónicos com Jaime Neves (muito curioso; e aqui recuemos ao antes do 25NOV75, ao grupo militar, ao grupo dos Nove, às acções de alguns do grupo dos Nove, a Ramalho Eanes, a Carlos Matos Gomes, a alguns do Conselho da Revolução)

- entende que o PCP foi o grande vencedor no 25 de Novembro

- entende que no 25 de Novembro a extrema-esquerda foi liquidada completamente. (completamente?)

- entende como também vencedor o bloco central, PS e PSD. 

- entende que no 25 de Novembro o facto de no país não estalar uma guerra civil é uma vitória da direita (não, creio que é uma vitória da sociedade portuguesa, uma vitória de muitos à esquerda e à direita que à ultima da hora evidenciaram juízo). 

- quanto aos incêndios  e bombas que aumentaram a partir de 1976 entende que isso se deveu a pessoas que se soltaram do MDLP, acrescentando que o ELP (Exército de Libertação de Portugal) era mais militar, era mais fogoso. (a estrutra MDLP sabia que deambulavam bombistas com conexões ao movimento e ficou sempre impávida e serena? Hummm. . .)

- afirma que o general Spínola começou por ser uma aposta dos EUA, mas que depois o embaixador Carlucci privilegiou Mário Soares. (estas ligações aos EUA e à CIA sempre foram um certo incómodo para o PS, incómodo que vislumbro em certos oficiais reformados

- o MDLP não queria uma guerra civil no país (mas afirma que estava preparadíssimo para ir para tal!).

António Cabral (AC)

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