Em 1980, por razões várias familiares, acabei por comprar um carro novo, um Renault.
Era o carro novo da Renault, o Clio, pequenino, verde, um simpático "brinquedo" pago com ajuda familiar e onde cabia a família pois o rebento mais velho tinha 9 anos.
Carro engraçado, para a época, nada tendo a ver com os Clio actuais, mas foi um sucesso. Foi o nosso carro até finais de 1992.
Recordo-me como se fosse hoje. Nas revistas da especialidade, lá apareceram elogios vários e quase sem defeitos ou melhor, coisas que, do ponto de vista dos "espertos", eram um pouco criticáveis.
Uma das críticas tinha a ver com os espelhos retrovisores: MUITO PEQUENOS!
Lembrei-me disto face ao que por aí vai, sobretudo quanto a presidenciais e nova legislatura.
Lembrei-me disto face ao teor e tipo de críticas que vão por aí, relativamente às posições do novo governo e a políticos de todas as cores em geral.
Há os que se vangloriam de compromissos fortes.
Agora é que vai ser. Finalmente.
Reformas, defesa, crescimento, Portugal na vanguarda.
Na oposição o que se ouve? É tudo tão mau.
Começam pela cultura, que está dentro de um superministério.
A direita troglodita, aquela direita que não é ungida de superioridade moral e de toneladas de ética republicana, aquela direita boçal que não conhece os restaurantes de categoria, que não tem cabimento na mesa 2, não sabe o que é cultura. Uns broncos.
E broncos que são a começar no PM, aí está, manteve a ministra da saúde. Uma vergonha. E a da justiça. Uns broncos.
Pelo PS veio palrar um conhecido político sempre mais preocupado com os carros do Estado e os condutores de serviço. Declaração? Não há novidades. E ainda por cima há poucas mulheres.
Os do costume avançaram com a cassete editada em 1974/75.
Do almirante candidato tivemos comentários e esclarecimentos muito profundos! Ficámos contentes!
Às oposições cabe naturalmente combater politicamente os governos que estiverem em funções.
Ao Parlamento cabe Constitucionalmente verificar e escrutinar o trabalho dos governos.
Coisa diferente é criticar de qualquer maneira, dizer só porque tem que se dizer algo, nunca cuidado de haver alguma coerência alguma dignidade, algum sentido de rigor.
Não importa a cor de quem vai governar. Agora está lá o PSD, esteve o PS e vice versa. Estamos sempre nisto. Não passamos disto.
Voltando ao Clio, podiam dizer - é um carro pequeno, tem os atributos para andar nas ruas, nas estradas municipais, nas nacionais, nas auto-estradas. Naturalmente que o motor é fiável, é a gasolina, e compete apenas na sua classe, etc. Mas a ênfase é - ESPELHOS PEQUENOS!
Claro que Portugal está como está apenas por acaso.
Enfim, mas admito que esteja a ver mal as coisas.
AC
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