VELHOS DEPOSITANTES da CGD
Por razões da vida, ela e o marido sempre tiveram conta bancária, a única, na CGD. Nela era depositado o parco vencimento mensal do marido, empregado de escritório, ela sempre eternamente doméstica.
A caminho dos 90 anos ficou viúva.
Por morte do marido, o filho mais velho e único vivo, pois o mais novo falecera com uma brutal e galopante leucemia, passou a ser titular daquela conta, para assim poder fazer o necessário, dado que a idade iria limitando sua mãe.
Desses meus chegados amigos, vou tendo notícias regulares.
A senhora, agora com 93 anos, apesar da idade, vai conseguindo e continuando a manter uma certa independência, mau grado a limitação de vista e audição, mas vai levando a sua vidinha.
Com as suas ridículas economias, 362, 92€ de pensão que religiosamente é depositada na CGD, vai vivendo, mas sei que isso em parte é conseguido devido à óbvia e necessária ajuda financeira do filho.
Há dias que o filho anda preocupadíssimo, pois soube (telefonou-me) que ele foi recentemente fazer a actualização da caderneta da CGD, e descobriu que o saldo cresceu ligeiramente. Estranhou.
Ao conferir a coisa assustou-se, e foi ter com a 1ª titular da conta. Descobriu em conversa com a idosa mãe que os depósitos regulares de 5,00 euros, não todos os meses, eram "prendas" que recebia por exercício de consultoria.
Mais assustado, estarreceu, quando a idosa senhora, candidamente sorrindo, lhe disse que nada de mal havia, nada tinha a esconder, a consultoria a que se referia era variada, versava sobre conversas do passado, memórias que outros gostam de ouvir, passar antigas receitas de culinária, conselhos sobre a limpeza da casa, conselhos a propósito das mulheres a dias, etc.
Nada de mal e ilegal, dizia, e que toda a gente muito aprecia e agradece.
Os 5 € são ofertas periódicas daí recebidas, dos quais raras vezes não são depositados, antes gastos no euromilhões!!
O meu amigo insistiu - Oh mãe, mas quem são as pessoas a quem dá essa consultoria, é que é preciso saber e poder explicar a proveniência do dinheiro, senão um dia pode alguém desconfiar e querer saber".
- Ai filho, não te preocupes, é a minha actividade liberal, e com a idade confesso-te que não sei o nome das pessoas com quem fui e vou falando e aconselhando, ás vezes é até à porta da farmácia, quando lá vou levantar os medicamentos. Não te aflijas"
Confesso, entendo a preocupação do meu amigo. Hoje em dia como as coisas andam, com tanto malvado a meter-se na vida privada das pessoas, nunca se sabe o que nos pode calhar.
Vou convidá-lo para jantar um destes dias.
AC
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