Dia de Portugal, de Camões, e das Comunidades Portuguesas
Passou mais um 10 de Junho.
Passou mais um 10 de Junho.
Há 51 anos sem haver a habitual parada militar no Terreiro do Paço e a entrega de condecorações póstumas.
Neste dia celebra-se designadamente a data de 10 de Junho de 1580,
data da morte do grande poeta Luís de Camões.
data da morte do grande poeta Luís de Camões.
Celebra-se o dia também como o dia da Língua Portuguesa.
É um bom dia para repensar Portugal e os Portugais dentro deste meu país.
Porque há mais que um Portugal.
Como escrevi antes o meu 10 de Junho deste ano foi um dia pacato, simples, muita Feira do Livro de Lisboa, onde vi o que me apeteceu, onde comprei o que me apeteceu, onde observei as pessoas.
Na zona, houve um rico almoço, um muito bom vinho, excelente companhia.
Um magnífico dia, sem ouvir os representantes do regime ou outros que o pretendem vir a ser, sem ouvir discursos.
Menos ainda comentadores e nada de televisão.
SOSSEGO ABSOLUTO.
No dia 11 de Junho, vasculhei as gordas pela NET, procurei perceber os discursos de ontem e observar comentários.
E pensar pela minha cabeça.
E, pegando na questão da pureza referida por Marcelo Rebelo de Sousa em Lagos, e como se verifica pelas notícias sobre violências diversas, físicas e orais, há umas bestas (sem pretender ofender as bestas) que se têm como "os puros".
INACEITÁVEL.
Antes do 25ABR1974, havia muitos Portugais.
Havia muita desgraça, havia guerra, onde andei também, na Guiné, de 29 de Outubro de 1971 a 28 de Julho de 1973.
Havia terríveis Minho, Trás-os-Montes, Alentejo, Algarve, Ilhas Açorianas, Norte da Madeira, por exemplo.
Havia analfabetismo imenso em 24ABR74.
Havia muitos Portugais, e uma propaganda relativamente eficaz a dourar a pílula. A disfarçar a polícia política, por exemplo.
Decorridos 51 anos estamos muito melhor, progredimos muito.
É a minha opinião.
Vivemos felizmente (opinião pessoal naturalmente) em regime democrático, em liberdade, com eleições periódicas.
Diminuiu brutalmente a mortalidade infantil.
Quase ninguém anda descalço ou quase nu.
Diminuiu brutalmente o analfabetismo, há muita escolaridade obrigatória.
O acesso a cuidados de saúde é completamente diferente do anterior.
A justiça não é só para os poderosos, mas ainda é muito.
Mas, infelizmente, se muito progredimos, a sociedade portuguesa continua cheia de problemas por resolver. É a minha opinião.
Persiste uma grande falta de civismo que se verifica ao observar os caixotes do lixo, ao observar o que se passa nos supermercados, ao observar o que se passa nas estradas, ou o que se passa em momentos de alguma aflição.
Persistem as vacuidades, as grandiloquências, as tiradas gongóricas, as "boutades". Nesses momentos às vezes parece-me estar antes de 24 Abril de 1974.
Persistem, a demagogia, a mentira aqui e acolá, o atirar os problemas para debaixo do tapete, e todos encantadoramente a engordar Venturas e quejandos.
E persistem violências físicas e verbais como estamos a assistir, INFELIZMENTE.
Continua a haver mais do que um Portugal, e há as bolhas.
Mas vou ficar-me, por agora, sobretudo com o meu Luís de Camões.
Como mais alguns, além de encadernações vulgares, tenho esta de excelente encadernação, em pele de carneira.
Mas é sobretudo o conteúdo que a torna mais notável.
A 1ª edição foi publicada em 1960, ano das comemorações do 5º centenários da morte do Infante D. Henrique.
Para esta edição, anexou-se um trabalho do almirante Sarmento Rodrigues intitulado "Poema do Mar e da Pátria", glorificando o génio de Camões e o sentido profundamente marinheiro da sua vida e da sua obra.
Contém também estudos do almirante Gago Coutinho, estudos a que se dedicou para provar que o feito de Vasco da Gama foi possível mercê da revolução técnica iniciada pelos caravelistas do Infante D.
Henrique.
Contém ainda comentários e elementos diversos sobre a obra, da autoria do comandante Serra Brandão e, ainda, um estudo do almirante Almeida d'Eça intitulado "Camões Marinheiro".
Além de "Os Lusíadas" que, como alguns defenderam podem considerar-se como a obra literária que talvez melhor sintetize o Renascimento dentro da literatura portuguesa, e dentro dos moldes clássicos italianos, Camões escreveu, sonetos, canções, odes, elegias, oitavas e éclogas. Sonetos de inspiração diversa, inspiração petrarquiana, clássica, pessoal, de reflexão social.
Camões escreveu - não me falta na vida honesto estudo com longa experiência misturado.
Pessoalmente, por muito que tenha estudado, por muito que continue a ler e procurar, estou mais ou menos como o "outro" - "cada vez mais me convenço, só sei que nada sei".
António Cabral (AC)


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