quarta-feira, 16 de julho de 2025

 CARTA  DAS  NAÇÕES  UNIDAS

Fotografei de propósito o meu exemplar da Carta das Nações Unidas (completa, letra pequena, perfeitamente legível) ao lado da minha magnífica e já vetusta (1991) Montblanc Meisterstuck 149, de aparo de ouro, grosso, para mostrar o tamanho físico da "Carta". 

O meu ponto é sobre o documento, a "CARTA", e não a caneta, mas não posso deixar de confessar que me arrepiei todo quando, há poucos dias, no Corte Inglês em Lisboa, vi o preço de venda desta caneta!
Quase nos 1000,00 €. Está tudo definitivamente doido.

Voltando à "Carta".

O mundo está como está porque reflecte o tamanho do exemplar, seja o meu, seja uma edição luxuosa?
Há décadas a CARTA é olhada de soslaio, com desprezo. 
Porque razão?

A irrelevância que as últimas décadas têm confirmado, que os últimos acontecimentos do presente século continuam exuberantemente a confirmar, deriva de quê?

Em parte, creio que do poder de veto dos três grandes, China, EUA e a Rússia que assumiu o lugar da falecida URSS.

Mas a realidade é que, olhando os diferentes secretários gerais da ONU, alguns tiveram posturas diferentes da moleza e imbecilidade de certos deles, e obtiveram até alguns êxitos. 
E a carta era a mesma, inalterada, os poderes de veto os mesmos.

Noutra perspectiva, que papel têm tido o actual secretário-geral, o tal melhor de nós todos?

Que controlo efectivo e pedido de contas é requerido às agências da ONU espalhadas por esse mundo fora?

Que contas têm sido pedidas às forças da ONU, por exemplo, no Líbano, onde teoricamente deveriam estar a servir de interposição entre esse país e Israel e, parece, na prática, os rapazinhos do Hesbolah disparam os mísseis sobre Israel junto à linha de fronteira?

O mundo está muito diferente do que era quando a "Carta" foi aprovada.

Mas a realidade é que alguns tentaram e parcialmente conseguiram alguns êxitos. Kofi Annan é um exemplo.

Também é verdade que, como aconteceu com Dag Hammarskjold, se algum se empertiga demasiado e puxa dos galões corre o risco de lhe suceder algo desagradável.

Dag Hammarskjold teve um infeliz acidente de aviação, daqueles acidentes típicos da aviação. Nada a ver com mãozinha da CIA.

Enfim. 
ONU, direito internacional, continuam nas ruas da amargura.
António Cabral (AC)

Sem comentários:

Enviar um comentário