Declaração do ex-Presidente Ramalho Eanes
"A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde.
Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse.
O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real.
Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida.
E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo.
Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.
António Ramalho Eanes"
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
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terça-feira, 27 de julho de 2021
Todas as opiniões devem ser respeitadas, concorde-se ou discorde-se.
Permiti-me aqui trazer as palavras do nosso primeiro Presidente da República em Democracia na sequência do falecimento do camarada de armas do Exército, Otelo Saraiva de Carvalho.
Estive uma única vez com o então Capitão em 1972, quando embarcou no navio onde eu prestava serviço acompanhando vários jornalistas estrangeiros convidados do general António de Spínola, evento dos vários que constituíram boa parte da campanha de promoção daquele então governador da Guiné e Comandante-Chefe.
Concordo com tudo o que o general Ramalho Eanes entendeu partilhar com os seus concidadãos.
Sublinho a amarelo o que para mim é evidente e não deve ser calado.
Sublinho a vermelho a referência feita com elegância a tudo o que de muito perverso e trágico aconteceu, infelizmente.
Descanse em paz Otelo.
António Cabral
domingo, 13 de junho de 2021
25 ABRIL 2021
Poderemos ponderar a "coisa" por exemplo na perspectiva da substância e do contexto.
"Sofia" marcou o dia 25 de Abril de 1974 como - "o dia inicial inteiro e limpo". No presente, como estão as coisas?
O Presidente da República na AR.
Sessão Solene Comemorativa do 47.º aniversário do 25ABR74
Quem me segue e lê perceberá, claramente, porque ao escrever o que adiante está, me sinto tão perfeitamente à vontade: o Presidente da República proferiu um bom discurso.
Quem me segue e lê perceberá, claramente, porque ao escrever o que adiante está, me sinto tão perfeitamente à vontade: o Presidente da República proferiu um bom discurso.
Isto dito, mas enfileiro na unanimidade.
Marcelo e o seu "discurso da União" foi proferido há mais de um mês mas é agora que quero falar dele, depois de ter lido mais de uma vez o discurso e atentar seriamente como faço amiúde o que está no sítio da Presidência.
Alguns disseram, e tendo a concordar, o discurso terá ajudado a perceber uma parte da nossa história, particularmente o período antes da guerra no Ultramar/ guerra colonial se ter iniciado. E também, os 47 anos do 25 de Abril. Mas, quem o percebeu, de facto, a sério?
Que estratos da população portuguesa estiveram atentos, quer à cerimónia, quer ao discurso?
E destes, quem de facto o percebeu? E concordou? Quantos se inteiram da nossa história?
Aparentemente, Marcelo surpreendeu muita gente, muito politólogo, muito "tudólogo", e muitos dos que escrevem e falam nos OCS tiveram em geral grandes encómios para com o nosso "rei".
Eu apreciei o discurso e, em certa medida, fiquei surpreendido com o tema por ele escolhido. Tema que é, na minha opinião, um conjunto de temas. Apreciei particularmente ele não se ter envolvido desta vez nas banalidades e parvoíces da conjuntura política, na espuma dos dias, nem ter enveredado por grandes proclamações. Tem essa faceta e esse tom todos os dias, sem falha, azucrinando-me os ouvidos acerca de parvoíces e de banalidades, sempre com proclamações diárias. Já não tenho pachorra para tanto paleio estéril as mais das vezes.
Um homem tão instruído, não liga ao dicionário. Por favor, com urgência, vá à letra C, repare no significado e valor que da palavra "contenção".
Dizem que é dono de pensamento complexo e sistematizado.
Explicou que os valores de hoje e de ontem são diferentes, não devendo ser renegados. Falou dos navegadores, dos colonizados, das Descobertas, olhou ao império colonial, à guerra colonial, ao drama dos colonos que tudo perderam em África, dela tendo de fugir apesar de ser a terra deles. Falou de esperanças e desilusões. Falou no ressentimento de filhos das nações lusófonas independentes, que remetem culpas para os colonizadores. Houve ainda uma palavra para os que partiram à procura de vidas melhores, e os muitos jovens que cá estão com as suas perplexidades. Falou ainda dos nossos condicionamentos e do espaço da Lusofonia.
E referiu e muito bem os Capitães de Abril, e os militares das Forças Armadas.
Como muitos, desejou que se retirem lições, do passado, e do que se tem passado.
Mas as lições continuam a não ser tiradas, como se vê semanalmente, e como ele bem sabe.
Tem obviamente dimensão intelectual e dimensão política fora do comum.
Discordo muitas vezes da postura dele. Entre outras coisas, como cidadão, considero que falha ao não se conter, fala de tudo e mais alguma coisa. Creio que deixou ou está a deixar de ser fiel da balança.
Assalta-me todos os dias esta pergunta - este Presidente da República está ou não a contribuir explicitamente para a manutenção do "status quo", qualquer que seja o prisma por que se observe a sociedade portuguesa?
Está ou não a abrir a porta à solidificação do respeitinho porque sim? E ao assinar/ promulgar sem um pio a carta digital, que porta está a abrir ?
Poderemos ponderar a "coisa" por exemplo na perspectiva da substância e do contexto.
"Sofia" marcou o dia 25 de Abril de 1974 como - "o dia inicial inteiro e limpo". No presente, como estão as coisas?
A partir de agora teremos Presidente?
Que limpidez é esta nos nossos dias?
Eu creio que o discurso foi bom.
Mas, a prática diária na sociedade, a realidade dos nossos dias?
Que rumo para a sociedade portuguesa está a ser traçado?
É que palavras leva-as o vento, e é com crescente preocupação que vejo a maioria dos meus concidadãos a porfiar alegremente em não distinguir as palavras das obras.
Já atentaram bem nas nossas realidades, TODAS ?
É que me parece pouco e a caminhar para o pré - trágico, esta persistência nos melhores dos melhores, o Guterres na ONU, e que o “desenvolvimento, liberdade e democracia sempre foram imperfeitos e, por isso, não plenos".
Espero que não se venha a pronunciar a frase antiga e mofa - ….desejo sinceríssimo em que caibam todos os portugueses de boa vontade.
Porque nessa altura, muitos como eu que não se coíbem de salientar o que está bem, quando a sociedade é de facto servida, o que é bem programado e executado mas, também, o oposto, somos capazes de ter sobre nós maus olhados, porque para "eles" não estamos de boa vontade.
Porque aplaudo e elogio, mas também critico.
Porque considero que o 25 de Abril está parcialmente capturado. Aguardemos.
António Cabral (AC)
sexta-feira, 27 de abril de 2018
25 ABRIL
Há quem goste, quem não goste, quem odeie, quem tolere.
Há quem pule, quem celebre, quem beba demais, quem coma demais, quem grite de contentamento, quem sempre desça a avenida da Liberdade.
Eu já lá estive alguns anos, lateralmente, a ver e fotografar, e ponderar sobre o que via e ouvia.
A propósito de Liberdade, parece que cada vez mais há um férreo controlo quanto a quem queira descer a avenida da Liberdade.
Pelo que se vê e ouve, não ficam dúvidas quem controla "democraticamente", quem é dono da liberdade, quem tem superioridade moral.
Lembrei-me disto tudo também ao ouvir hoje no rádio umas palavras do comunista ortodoxo Domingos Abrantes.
Eu quero continuar a celebrar o 25 de Abril.
No presente existem muitas pouca vergonhas, há muita desigualdade, farto-me de humildemente batalhar e chamar à atenção de um sem número de inacreditáveis situações.
Uma coisa tenho como certa: o Portugal de hoje, apesar de muito do que se sabe estar mal é, felizmente, um país muito melhor do que era em 24 de Abril.
Outra coisa que tenho como segura, não quero nem aceitarei nunca a UNICIDADE dos vários Domingos Abrantes e o execrável de coisas com PNR, ou fantochadas de actrizes patéticas e seus ídolos.
Eu comemorei este ano o 25 de Abril como entendi e guardo para mim.
Como é público neste blogue, recordei com gosto Sophia de Mello Breyner Andressen, e assinalei o que se passou no final de 24 de Abril de 1974 e no início de 25 de Abril desse ano.
AC
Há quem goste, quem não goste, quem odeie, quem tolere.
Há quem pule, quem celebre, quem beba demais, quem coma demais, quem grite de contentamento, quem sempre desça a avenida da Liberdade.
Eu já lá estive alguns anos, lateralmente, a ver e fotografar, e ponderar sobre o que via e ouvia.
A propósito de Liberdade, parece que cada vez mais há um férreo controlo quanto a quem queira descer a avenida da Liberdade.
Pelo que se vê e ouve, não ficam dúvidas quem controla "democraticamente", quem é dono da liberdade, quem tem superioridade moral.
Lembrei-me disto tudo também ao ouvir hoje no rádio umas palavras do comunista ortodoxo Domingos Abrantes.
Eu quero continuar a celebrar o 25 de Abril.
No presente existem muitas pouca vergonhas, há muita desigualdade, farto-me de humildemente batalhar e chamar à atenção de um sem número de inacreditáveis situações.
Uma coisa tenho como certa: o Portugal de hoje, apesar de muito do que se sabe estar mal é, felizmente, um país muito melhor do que era em 24 de Abril.
Outra coisa que tenho como segura, não quero nem aceitarei nunca a UNICIDADE dos vários Domingos Abrantes e o execrável de coisas com PNR, ou fantochadas de actrizes patéticas e seus ídolos.
Eu comemorei este ano o 25 de Abril como entendi e guardo para mim.
Como é público neste blogue, recordei com gosto Sophia de Mello Breyner Andressen, e assinalei o que se passou no final de 24 de Abril de 1974 e no início de 25 de Abril desse ano.
AC
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