Estadistas e os comentadores coerentes!
"António Costa tomará a melhor decisão para o país"
A propósito, que tal recordar esta "peça"?
AC
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
A NOSSA PÁTRIA
….. "Há anos, há muitos anos, quando nós todos éramos novos e a política se conservava ainda tão romântica como a literatura, um estadista nosso, Fontes Pereira de Melo, aquele a quem se chamava concisamente e popularmente "o Fontes", dizia num discurso de Estado, estas palavras consoladoras: "É certo que a nossa pátria não possui como outras a riqueza comercial, as numerosas vias férreas, as incontáveis fábricas, os estaleiros, a ferramenta industrial, os fortes factores de progresso: mas tem sobre elas uma superioridade, que lhe garante vida mais fácil e mais livre, e é este luminoso e magnífico céu azul que nos cobre"…..Fontes, relacionando a sociologia e o clima, fazendo depender da atmosfera as qualidades e, portanto, a felicidade das nações, estava com efeito dentro de uma doutrina muito medíocre"…..
(Eça de Queirós, das "Cartas Familiares de Paris")
Eça de Queirós está a fazer-me recordar cenas do nosso quotidiano. Refiro-me, à parolice de muitos discursos, à vaidade de inúmeras afirmações as mais das vezes verdadeiramente patéticas, à verborreia incontida, e à mentira descarada por parte de altas (alguns até são ridiculamente baixotes e pançudos) figuras (mais a atirar para figurões) do Estado.
Quanto ao referido pelo Fontes é fazer bem as contas para ver como estamos no presente. Podem começar pela via férrea que, parece, já tem mais umas quantas coisas adiadas para 2023.
Grande Eça, como te deves rir lá onde estás destes Fontes de agora, praticamente todos tão ou mais medíocres que o teu Fontes.
AC
A PESSOAS COMO EU
Imensa gente chama-nos conservadores. Muitas vezes com ênfase acintosa, desprimorosa, mesmo com intuitos reprovadores e com a habitual e arrogante crítica dos doutrinadores do politicamente correcto, dos polícias das mentes, sendo nós os incorrectos. Para eles.
Eu, certamente como muitos mais, respeitamos as diferenças, procuramos argumentar. Mas continua a parecer-me e provavelmente a muito mais pessoas, que certas coisas não deviam acontecer como se observa.
Por exemplo, de figuras públicas a titulares de órgãos de soberania que também são figuras públicas alguns são mesmo uns figurões, por cá e lá por fora também, acontecem coisas e observam-se situações que me parecem deslocadas, de evitar, particularmente no que se refere a pessoas que, para lá da sua vida privada, com as suas acções arrastam as instituições onde temporariamente desempenham funções.
Muitos advogam que é a vida moderna. Por exemplo, o recurso de titulares de órgãos de soberania a redes sociais para dar conta dos seus estados de alma e muitos vezes para comunicar assuntos, temas e decisões de natureza política. Que têm o seu lugar próprio, a sua norma institucional, as regras.
Por cá muitos seguem o tipo de gestão de Trump, que despede e nomeia via Twitter. Haverá quem concorde, haverá quem lhe pareça que estas questões ligadas à vida institucional e máquina do Estado devem ser tratadas com alguma formalidade e pelos canais adequados.
Agora, também o sr Biden se mostrou a ser vacinado. Com mais recato, sem mamas à mostra. Respeito estas decisões e posturas mas parecem-me deslocadas, populismo serôdio. Qual é a fronteira? Porque não se deixam a filmar em casa a tomar o pequeno almoço, ou a vestir o pijama, para mostrarem que são como os restantes humanos? Porque não se deixam filmar na casa de banho, sentados na sanita?
Enfim, admito que possa não estar a ver as perspectivas todas mas, confesso, não descortino grande utilidade nestas "mostras". Não descortino utilidade alguma no informar a população de que vai jantar com X, almoçar depois com Y, cear com Z ou, afinal, nada disso mas apenas pequeno almoço. Que piroseira. Populismo? Talvez, mas é mesmo rasteirinho, ou não?
Das raras coisas com que concordo com Cavaco Silva, é que a política não deve ser bem um circo, uma palhaçada. Mas atentem no que se passa. Gostam? Respeito. Eu não.
AC