ASSEMBLEIA da REPÚBLICA. Como estamos ?
Sabia que hoje haveria a segunda parte da apreciação do programa apresentado pelo governo. Sabia, pelas chamadas "gordas", que a "agremiação André Ventura e muchachos" iria apresentar rejeição ao dito programa o que, na prática e independentemente do seu legítimo direito regimental, era obviamente mais um "número" dos muitos que por aí virão daquela gente durante toda a legislatura.
Decidi-me ir ouvindo o que o televisor debitava da sessão parlamentar, no canal 162/ MEO, para não ter de ouvir os pés de microfone a sobreporem-se imensas vezes ao que os deputados dizem. Fui ouvindo com muita paciência, enquanto tratava de outras coisas, como por exemplo mas não só, selecionar fotografias.
Quero salientar duas coisas: sobre o número Ventura, e sobre aquela senhora que representa (!?) o PAN.
Começo pela senhora das estufas e etc., que no final da sessão se virou para o presidente da AR e lhe disse que faltava votar a questão da deslocação do inquilino de Belém a Espanha. Eu, que estava aqui em casa, ouvi bem Augusto Santos Silva colocar o assunto a votação e a coisa foi aprovada por unanimidade. Será que tem cera nos ouvidos? Augusto despachou-a. Patética.
Vamos à segunda coisa, a que quero ligar a discursata de Augusto Santos Silva no dia da sua eleição como presidente da AR.
Naturalmente, as opiniões divergem e, como sempre, são para respeitar. A minha é que Augusto Santos Silva está a começar mal no que respeita à "agremiação Ventura". No discurso de posse passou o tempo a atirar-se a Ventura e machuchos sem explicitamente os citar.
A minha opinião é de que é um erro tremendo assim proceder, pois está a dar-lhe excessiva importância, aliás mais do que a que tem e lhe advém de ter 12 deputados. Não tem mais, seja embora, para mim tristemente a 3ª actual força política na AR.
Hoje, no meio de um detestável discurso, Augusto Santos Silva interrompeu André e, claro, deu-lhe assim mais uma prenda, no imediato e depois da votação da moção de censura.
Na minha opinião, Augusto tem toda a razão quando refere não se poder entrar em generalizações. Estou a lembrar-se do assassino Norueguês branco que está preso e, lá por ele ter assassinado imensa gente a tiro, não podemos dizer que a raça branca é isto ou aquilo. Idem para cigano, asiático, negro, esquimó, russo, romeno etc.
Na minha opinião, nesta primeira intervenção de fundo de André Ventura, e sabendo-se o que aquela agremiação tem feito e crescentemente virá a fazer, Augusto Santos Silva não o devia ter interrompido usando o seu legítimo e regimental poder.
A meu ver, esperava pelo fim daquela parvoíce e, nessa altura, dir-lhe-ia: "senhor deputado André Ventura, decidi não o interromper nesta sua primeira intervenção de fundo ainda que tenha todo o direito e poder para o fazer como estabelece o nosso regimento no nº ....que diz......mas quero chamar-lhe a sua atenção de que, por princípios óbvios e face ao regimento não são aceitáveis as generalizações que acabou de produzir. Fica esclarecido o senhor deputado bem como todas as bancadas parlamentares, de que usarei todos os meus poderes Constitucionais e regimentais daqui em diante".
Posso estar a ver mal o assunto, mas creio que Augusto e outros, ainda que pensando e ponderando bem os assuntos, não estão com a maleabilidade e inteligência adequadas para combater André Ventura com eficácia.
Temo muito que grande parte dos cidadãos portugueses dê mais razão a André na sua parva revolta. É isto que ele quer, vitimização e, para já e infelizmente, está a conseguir. O que é muito mau.
António Cabral (AC)
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