quinta-feira, 6 de março de 2025

(brincando, com a ajuda de um excelente poema de António Lobo Antunes, sobre os homens com gripe, e que há tempos aqui publiquei; os acrescentos da minha autoria estão  a cor)

Sátira a Certos HOMENS
Pachos na testa, terço e telemóvel na mão,
Uma botija, chá de limão, que súbita aflição,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas,
 contando uma avença, creme na pele,
Grito de medo, chamo a mulher.

Se eles descobrem, Ai Lurdes.

Mede-me a febre, vê extratos, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, que não me avisaste, 
Lurdes, 

Se tu sonhasses como ansioso me sinto,
Já vejo desaparecer umas avenças, nunca te minto,
Já vejo o inferno, 
jornalistas, chamas, diabos,
Anjos estranhos, notas queimadascornos e rabos, 
Vejo investidas e demónios nas suas danças

Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, jornalistas em fila, risos de grilo
Ai Lurdes, não atendas o telefone 
Lurdes .

Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, 
Fala 
à advogada e ao prior, 
Pousa aí as outras avenças e o Jesus no cobertor.

Chama o Doutor, mais a advogada, passa a chamada,
Chama os filhos, passa-lhes a pasta
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que 
as notas caem no chão e fico só, 
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, 
que nos querem desgraçar, Lurdes.

AC

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