sexta-feira, 3 de julho de 2026

LIDO no SAPO, esta "OPINIÃO" de Joana Petiz -A grande mentira de Costa.

Sublinhados da minha responsabilidade

AC

Os números do INE revelaram enfim a realidade ignorada ou deliberadamente escondida, mas afinal bem percebida: em três anos, os imigrantes duplicaram e todos empobrecemos. Imigrantes incluídos.

E agora, já se pode falar da grande mentira de António Costa? Não é fácil escolher uma só, claro. A herança é gorda, entre os repetidos anúncios de "médicos de família a chegar a todos os agregados", o milagre do hidrogénio verde e do canal ibérico que atravessaria os Pirenéus para levar energia limpa e nova a toda a Europa, a ferrovia que ligaria o país por dentro e para fora, a "habitação digna para todos" em meia dúzia de anos... é à escolha do freguês.

É reconhecida a capacidade desse ex-primeiro-ministro, promovido a presidente do Conselho Europeu depois de abandonar um governo entalado num vergonhoso caso de corrupção, de anunciar o que nunca fez por cumprir e escapar ileso à revolta dos carecas a quem o elixir cabeludo falhou, enquanto o seu séquito lhe alisa os incumprimentos pela medida da narrativa que melhor serve a ocasião.

Há porém um vencedor destacado nesse rol de engodos: a negação do efeito de chamada, mais vezes do que Pedro negou Jesus, e as consequências trágicas de uma lei que escancarou as portas do país, fazendo o total de imigrantes duplicar para os atuais 1,6 milhões e levando até a União Europeia a castigar Portugal por pôr em risco a segurança do Espaço Schengen.

Nos anos em que vigorou, a manifestação de interesse trouxe a Portugal mais de 1 milhão de estrangeiros, a maioria deles a chegar entre 2021 e 2024. Precisamente, enquanto se rebentava com um Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que era caso de estudo internacional, com o único objetivo de salvar a pele a António Costa e a um ministro que, no seu governo, colecionou casos e casinhos, do familygate às golas antifumo —agradeçamos aos céus que já não nos governassem quando se descobriu o caso da esquadra do Rato, ou teriam decerto acabado com a Polícia no seu todo.

Em três aninhos apenas, entraram e ficaram por cá mais de 700 mil estrangeiros — o único critério, terem a passagem de avião (quantos a conseguiram à boleia de máfias ainda estamos para saber...). Muitos chegaram do Brasil, de Angola, de Cabo Verde,países que partilham connosco a língua, as raízes culturais e em muitos casos até são família. Mas nestes três anos houve uma mudança fundamental nos fluxos: os que vieram da Índia, meros 35 mil em 2022, são agora tantos quantos os angolanos com quem partilhamos séculos de história; os nepaleses tornaram-se no quinto povo mais representado. Se alargarmos ao Indostão (juntando a estes dois países os cidadãos que chegaram do Bangladesh e do Paquistão), esta tornou-se, em três anos, na segunda maior comunidade imigrante. Reino Unido, Itália ou França deixaram de figurar no top 5.

Como agora confirma o INE, nesse período chegaram a Portugal 334 mil brasileiros (mais que duplicando a presença, para os atuais 574 mil) e os nem 90 mil indostânicos registados triplicaram para os atuais quase 250 mil, sendo maioritariamente homens (cerca de 60%) e a viver sobretudo na Grande Lisboa.

Não é um desvio, não são perceções. É a prova cabal de que a legislação apadrinhada por António Costa foi um absoluto desastre, responsável por sobrecarregar infraestruturas sem apelo nem agravo, estilhaçar a coesão social, agravar sarilhos que já eram grandes com a habitação à cabeça. São estes imigrantes (quantas vezes a viver em condições sub-humanas) que competem com os jovens e a classe média por casas na cidade; porque quem as tem disponíveis demasiadas vezes cede à tentação pouco escrupulosa de quadruplicar a renda, cobrando não pelo apartamento mas por cama.

Os números da imigração que resultam do consulado de Costa & companhia — deliberadamente escondidos ou desconhecidos por absoluto desinteresse — põem finalmente a nu a total irresponsabilidade de quem nos governava e a absoluta indiferença quanto ao estado em que deixou o país e quanto aos imigrantes que aqui chegaram de rajada, à procura de uma vida melhor. Nunca houve a menor preocupação com a capacidade de receber e integrar estas mais de 700 mil pessoas; todos os avisos foram descartados como "alarmismo" e "xenofobia", todos os sinais atirados para o cesto das "perceções sem ligação à realidade".

Agora que a verdade se tornou inegável, os discípulos de Costa encetaram as manobras de circo habituais, entre o esgotado argumento de que sem estas pessoas não tínhamos quem trabalhasse e contribuísse para o Estado Social e o vergonhoso desprezo pela necessidade de ensinar-lhes língua, costumes, hábitos e regras. Uma integração impossível de fazer de sopetão, que compromete, desde logo, as possibilidades de melhores perspetivas de vida dos próprios imigrantes.

Nesta fuga para a frente de que o PS fez modalidade olímpica, tirando bom partido da falta de memória e da contaminação ideológica da bolha comentadeira, há um campeão destacado: Miguel Prata Roque, que conseguiu dizer e repetir, sem nunca se rir, que foi o governo de Passos Coelho que acabou com o SEF.

Mas voltemos à vaca fria (sem ofensa a animalistas e wokes) e aos argumentos com que ainda tentam vender-nos que é normal e até desejável esta transformação social. Dizem-nos que se não tivessemos recebido estas pessoas, não teríamos quem trabalhasse os nossos campos, fizesse as obras de que o país precisa e nos entregasse a comida em casa — mas quantas colheitas ficaram por fazer em 2021, quando tínhamos metade dos imigrantes? E quantas entregas ficaram por fazer. Há assim tanta gente que não pode levantar o rabo da cadeira e ir fazer as compras ou buscar o seu jantar... Mais, quem pode garantir que se não houvesse tantos imigrantes a agarrar estes serviços nao haveria tantos jovens estudantes a agarrá-los como forma de ganhar uns trocos? E por que razão, com este boost de trabalhadores, se fala em escassez de mão-de-obra na construção, a ponto de o custo desse fator subir a uma média de 8% ao ano desde 2022?

O país precisa de imigrantes, claro que sim. Mas não a qualquer custo. E certamente não para perpetuar o trabalho pouco qualificado e pior remunerado que só quem está desesperado aceita fazer.

Depois vem o inevitável grito das contribuições: se não fossem estes imigrantes. os nossos velhinhos não tinham reforma! É verdade que os estrangeiros que aqui chegaram ajudaram a Segurança Social a pagar as despesas sociais com os 4 mil milhões a mais que entregaram à Previdência no último ano (numa receita total de 46 mil milhões); mas também é bastante óbvio que não resolvem o mais que anunciado colapso das contas de um país em que já há menos de dois trabalhadores a sustentar cada pensionista e a curva demográfica continua vergada ao envelhecimento, com 30% dos poucos jovens que temos a desistir de viver em Portugal (e não, a culpa não é do Passos, a troika já foi há mais de uma década!). Nada resolverá senão a diversificação de formas de garantir rendimentos futuros em convivência com o depauperado sistema de pensões.

Quanto ao IRS, bem, por alguma razão nunca é trazido à baila neste tema. Com baixas qualificações ou impossibilitados de fazer valer as suas competências porque nada conhecem do país e da língua, nove em cada dez imigrantes não chegam a receber mil euros por mês, uma miséria que os isenta de imposto mas também contribui para manter a média salarial esmagada sob a necessidade de subir os salários mais baixos, em nome da dignidade mínima do cada vez maior número de pessoas que vive nesta fasquia de rendimentos. E se fizermos bem as contas, agora que temos números reais, em breve vamos perceber que o se somou à riqueza do país, depois de dividido por todos, se traduz num PIB per capita mais baixo do que tínhamos antes de duplicar a imigração. Estamos todos pior, imigrantes incluídos.

À boleia das políticas ditas socialistas de António Costa, vendidas como baluarte da bonomia e da evolução europeia, promoveu-se os baixos salários e os trabalhos de pouco valor acrescentado, comprometeu-se o desenvolvimento económico e a atração de investimento diferenciado, desprezou-se o talento e empurrou-se os jovens para paragens mais florescentes, deitou-se gasolina sobre a fogueira da radicalização (que Costa sempre alimentou por a saber garantia da sua sobrevivência), desprezou-se a fundamental integração e gerou-se na sociedade uma hostilidade que nunca tivemos para com os nossos imigrantes.

A grande mentira está a nu
. O preço que iremos pagar por ela, ainda mal começámos a descobri-lo.

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