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sábado, 6 de janeiro de 2024

ELOQUENTE
"Demora do Fisco em avaliar barragens deixa caducar cobrança de IMI de 2019
Autarcas culpam demora do Fisco em executar ordem para cobrar IMI sobre as barragens. Comunicação tardia dos valores às autarquias, e a sua reclamação, levaram imposto devido por 2019 a caducar"
.

Eloquente. Um dos verdadeiros retratos do que é Portugal
Eis mais um excelente exemplo do tal legado de que uns pantomineiros se orgulham.

Ora desculpam os do costume com as mais diversas justificações ou inações, ora dão milhões para depois escarnecerem e insultarem o país, ora dedicam no OE milhões a causas discutíveis enquanto outros sectores ficam à míngua, ora dão loas ao antanho e depois nem um cêntimo está designado para celebrar e recordar o passado.

Eloquente. Excelente e louvável legado.
AC 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Malfeitores, ilusionistas, ilusões.
Ou, em outra versão, “já vi executivos a chorar”.
Maçando porventura quem quiser ter a gentileza de me ler recordaria que, malfeitor é aquele que comete crimes ou actos condenáveis, e ilusionista é o “artista" dedicado a produzir ilusões. 
A maioria dos meus concidadãos, presumo, associa as duas categorias à criminalidade muito, pouco ou nada violenta mas eu, há décadas, que tenho nesta lista a (maioria da) malandragem dos escritórios, dos aconselhadores, dos comentadores, dos senadores da República, dos empreendedores, da nata política à nata dos servidores em cargos públicos (autarcas por exemplo), e por aí fora. 
Lembrando o blogue onde durante alguns anos escrevi, e onde não terei sido sempre feliz nas minhas opiniões, porventura injusto alguma vez, a realidade tem-se encarregado de mostrar a justeza global da minha revolta ali periodicamente partilhada quanto à banditagem que vai destroçando Portugal no século XX e no presente.
E baseio-me tão somente no que sempre tem sido feito, variando apenas e consoante os “artistas” quer a dose quer os tons, com que essa gentalha injectou e injecta na nossa sociedade as ilusões, que procuram e conseguem quase sempre, vesti-las como realidades alcançáveis.
Alimentam esperanças que o tempo vai mostrando serem vãs, para não dizer trágicos desfechos.
A realidade é que vão, TODOS, nomeando “boys” com contratos mais alargados no tempo para que a banditagem que vem a seguir, se os despedir, ter que lhes pagar chorudas indemnizações.
E a desgraça, como repito periodicamente, é que a esmagadora maioria das pessoas acredita nas ilusões, para não ter que (presumo) reconhecer que essas esperanças são mesmo irrealizáveis.
A característica que mais evidencio, e é comum nestas gerações de malandros, TODOS, é o desprezo total e absoluto pela verdade. E é para mim evidente, que isto se deve dizer ainda mais rigorosamente, têm um desprezo total e absoluto pelo povo, pelo cidadão comum.
Os malfeitores tanto nos mandam ter cuidado, como nos atiram à cara que estamos bem demais e acima do que merecemos, como nos querem fazer crer que o que deles ouvimos nas TV não foi o que eles disseram, como o inefável actual inquilino de Belém. Os ilusionistas tanto nos apontam o dedo para encolher o cinto como nos dizem do alto das suas cátedras que afinal quem nos mandou apertá-lo estava completamente tolo e não mediu as consequências. E a esmagadora maioria dos meus concidadãos continua a creditar em tudo.
A esmagadora maioria dos meus concidadãos diz que como não podemos fazer nada, é deixar andar. Pois! E o terrível é ouvir isto de pessoas bem informadas e com formação mais do que universitária.
As ilusões em Portugal, e na Europa, prosseguem. 
Temos a Ucrânia que para a maioria dos europeus - isso é lá com os ucranianos e a Rússia -  temos a desindustrialização brutal na Europa e os europeus acham - ah, o estado social aguenta o desemprego - temos a diminuição da natalidade mais ou menos generalizada e os europeus - ah preciso é ir de férias para a neve ou Sul de Portugal e Espanha - e por aí fora.
Os malfeitores e ilusionistas riem-se disto tudo, riem-se de todos, enquanto vão amealhando fortunas com as formações que quase não deram nas suas empresas, enquanto rebentam/rebentaram com as fábricas da competição, enquanto engordaram na especulação na bolsa, enquanto preservam e desde o tempo de Salazar as propriedades lá fora algumas até em países que eram da esfera comunista, enquanto recebem dividendos brutais, e enquanto colocam há anos lá fora fortunas colossais. Se lhes apontam agora o dedo - isso é engano.
E depois, alguns ilusionistas políticos, de todos os quadrantes, e sempre depois de jornadas parlamentares, anunciam legislação para combater a corrupção, por exemplo. Dá vontade de rir? 
Onde está a legislação:
- que permita deitar imediatamente abaixo o construído à margem da lei, leia-se, PDM´s e legislação vária sobre regras para a construção civil?
- que impeça a acumulação por parte dos autarcas das várias empresas que as câmaras criam?
- que obrigue quem de repente evidencia fortunas a provar de onde lhe veio esse brutal e repentino provento?
- que impeça que para o mesmo caso os mesmos defendam o Estado e a seguir os opositores do Estado?
- que crie regras duras impedindo as falcatruas autárquicas como a passagem despudorada de terrenos agrícolas a urbanizáveis?
- e por aí fora, que a lista nunca mais acaba!
E o terrível é que a esmagadora maioria dos meus concidadãos deve estar a esta hora eufórica por estarem a vir nos OCS nomes de portugueses com fortunas não declaradas, sediadas numa filial Suiça de um banco inglês. Eufóricos -“estão a ser apanhados”, ingénuamente e ignorantemente eufóricos com estes “leaks”. A maioria nunca perceberá que os vários ex-PM do nosso País sabem destas coisas há anos, que existem há anos perdões fiscais, etc. Nunca perceberá que “offshores” não é uma coisa da Europa, é uma coisa a nível mundial, que não vai acabar. Um dia, na UE se ela ainda existir, decisões serão tomadas para minorar certas fugas aos impostos. Mas a Holanda e o Reino Unido, por exemplo, continuarão a privilegiar os negócios e a ter portanto políticas fiscais mais acolhedoras.
Os malfeitores e ilusionistas, no passado, estiveram-se nas tintas para o arrancar das vinhas, para a destruição da frota pesqueira, tudo sempre à conta do beneplácito dos subsidiozinhos. 
Serviços, Sol, turismo, sim, é importante, mas creio insuficiente para sustentar o estado social, que eu gostava que vigorasse e melhorasse, e não o contrário. Mas eu não tenho ilusões, e não me conformo com o deixa andar.
AC