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quarta-feira, 4 de março de 2026

ÁRABES, MUÇULMANOS, ISRAEL, HISTÓRIA
É comum dizer-se que o conflito israelo-palestino se arrasta há qualquer coisa como três quartos de século.
Essencialmente, creio eu, assentando numa disputa territorial.
Mas também disputa entre descendentes de imigrantes judeus e os árabes palestinianos.
Todos querem a Palestina.
Mas o conflito tem raízes mais atrás.

O território Palestina é uma faixa entre o Jordão e o Mediterrâneo que muçulmanos árabes conquistaram cerca do século VII.
No século XVI foi uma das imensas partes conquistadas pelo império Otomano (Otomanos-muçulmanos não falando árabe) que, entre muito mais, abocanharam Jerusalém, Meca e Medina, locais sagrados para os muçulmanos.

No Médio Oriente Otomano não havia Palestina; a zona a Sul do Líbano e Oeste do Jordão tinha distritos administrativos.
Sabe-se que nessa área a população aí vivendo era maioritariamente muçulmana havendo cerca de 10% cristã.

Curiosamente, no final do século XIX a maior parte dos judeus vivia nas regiões Europeias do império Russo.
Crescentemente, os judeus foram alvo de anti-semitismo.
Estima-se que entre 1882 e 1914 abandonaram a Rússia cerca de 2,5 milhões de judeus, uns para os EUA outros para outros países Europeus.

Em 1886, Theodor Herzl escreveu o livro " O Estado Judaico" e exortou os judeus a formaram um Estado-Nação.
Em 1897 o mesmo Herzl organizou na Suíça a Organização Sionista Mundial e onde se definiu o Sionismo como crença na criação de um lar para o povo judeu, na Palestina.

O passo seguinte foi a criação em 1901 do Fundo Nacional Judaico, para comprar terras na Palestina. Simultaneamente desenvolveram os conceitos - conquista de terra - e - conquista de mão de obra, ou seja, colonizar e cultivar a terra.

O império Otomano não deteve a imigração. E por exemplo em 1907, em Jafa, foi fundado o Escritório da Palestina da Organização Sionista Mundial.
Em 1914 era já perfeitamente claro o colidir entre duas comunidades emergentes: os árabes procurando manter a sua posição de proprietários enquanto sionistas iam cada vez mais comprando terras.

Em 1914 iniciou-se a IGG no fim da qual o império Otomano foi desfeito.
De salientar que em 1915 a Grã-Bretanha fez vários acordos alguns afectando a Palestina.
Em 1915 com Hussein (considerado na altura como o mais relevante líder muçulmano árabe) guardião de Meca e Medina, prometendo-lhe a independência dos países árabes se lutassem com os britânicos contra o império Otomano. Assim foi, em 1916 foi constituído um exército árabes que teve consequências concretas no decurso da guerra.

Mas em 1916 aconteceu outra coisa decisiva: o acordo Sykes-Picot, dois figurões em representação da Grã-Bretanha e França, distribuindo as terras árabes pelos dois países no pós IGG. Basicamente Síria e Líbano para França, Iraque e área do Sinai à Mesopotâmia para Grã-Bretanha.
Quanto à Palestina acordaram que ficasse sob controlo internacional.
Em 1923 a Sociedade das Nações reconheceu os Mandatos Britânico e Francês.

Um outro acordo surge à luz do dia, consubstanciado na famosa Declaração Balfour de Novembro de 1917:
- "O Governo de Sua Majestade vê como favorável a criação, na Palestina, de uma pátria nacional para o povo judaico. O Governo enviuvara todos os esforços para ajudar a concretizar-la.
Existe um entendimento claro de que nada será feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes  na palestina, ou os direitos  e estatuto político de que os judeus gozem em qualquer outros país".

Como sempre - sabe-se como começa, nunca se sabe como acaba.

O presente é só mais uma etapa das muitas acontecidas em, 1929, 1936-1939, 1942, 1945, 1947, 1948, 1948-1949, 1950, 1956, 1967, 1972, 1973, 1979, 1982, 1987, 1993, 1995, 2000, 2001, 2006, 2008, 2014, 2021, 2023, 2026.

Como acabará?

AC

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

AJUDA  A  PERCEBER ?    OU  NÃO ?
O que poderá ajudar a perceber, a tragédia, progressiva, crescente, o horroroso desenvolvimento no Médio Oriente, concretamente naquela zona partida que se designa por Palestina  ?

Ajudará recordar por exemplo alguns trechos da história como:
- as cruzadas ?
- Jerusalém arrasada por uns, depois outros, depois os anteriores?
- Saladino ?
- Ricardo Coração de Leão?
- a razão ou falta dela de tantos atentados terroristas ao longo de décadas, em terra, em navios, em aviões?

Ajudará dizer, por exemplo que, basicamente, tudo começou com a declaração da criatura Balfour?

E isto, ajudará ?


Ajudará o que se pode retirar do que a Liga de 22 países Árabes não fez durante muitos anos, ou o que recentemente declarou sobre o Hamas? Terão tomado essa decisão com as mãos atrás das costas e a fazer figas?


Ajudará ponderar o que o Qatar faz e porque o faz, ao abrigar "chefões" do Hamas e de outras democratas associações?

Ajudará ponderar sobre as notícias que designadamente nos últimos 30 anos têm saído nos OCS internacionais, umas vezes contando horríveis realidades, outras vezes deturpando-as, outras vezes manipulando factos e fotografias?

Ajudará, ponderar no lamentável papel da ONU, dos EUA, da Rússia, durante décadas, essencialmente no campo da incoerência e da irresponsabilidade?

O que não ajuda NADA é fingir que não está a acontecer NADA!

António Cabral (AC)

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

MORTES   ENCOMENDADAS

Se olharmos sobretudo às décadas decorridas desde 1914, encontramos na história deste cada vez mais louco mundo eventos diversos e algo diferentes quanto a mortes que eu chamo encomendadas.

Existe uma lista infindável de assassinatos pelos mais diferentes motivos. Mas existe, também, um conjunto de pessoas que tentaram assassinar e durante anos conseguiram escapar. Neste aspecto estou a lembrar-me por exemplo de Arafat e de Khadafi.

Ao longo das décadas tivemos os mais variados métodos de assassinato.

Por exemplo, Gandhi levou uns tiros de um modesto concidadão.

Já Indira Gandhi foi assassinada por elementos da sua guarda Sikh.

Louis Mountbatten decidiu ir passear no seu barquinho sem primeiro o ter revistado, não descobrindo assim a bomba com que o IRA o conseguiu eliminar. 

O "democrata Putin" tem mandado retirar da vida política algumas pessoas que há muito decidiu não mais convidar para almoçar e, assim, alguns desses mais descuidados caem de varandas ou janelas, outros bebem chás de mau gosto, outros ainda morrem de frio.

Nos EUA, alguns sindicalistas desapareceram misteriosamente no passado.

Mas imensos casos aconteceram e não vieram a público ou quase passaram despercebidos. Estou a recordar-me por exemplo do tipo que há muitos anos engendrou o super canhão para o Saddam Hussein e acabou misteriosamente morto salvo erro na Bélgica.

Mais recentemente, e havendo novos brinquedos ao dispor de quem se encarrega de encontrar pessoas que em princípio não desejam ser encontradas, as mortes súbitas, ou encomendadas, ou ocasionais, ou porque não se desviaram a tempo, enchem as parangonas nos jornais nacionais e internacionais.

Na ordem do dia o chefe político do Hamas morto dentro do Irão.

A questão curiosa, entre possíveis outras, terá sido mesmo obra da Mossad? A Mossad não teve várias oportunidades durante anos para o liquidar? Executar no Irão?

Não terá sido alguém mais radical do que o agora assassinado para de facto inflamar ainda mais e mais depressa aquela zona?

Aguardemos.

AC