terça-feira, 7 de novembro de 2023

PROFESSOR MARCELO
No regime em que felizmente vivemos, tem respaldo Constitucional a liberdade de expressão, a liberdade de opinião, o direito ao regular funcionamento das instituições democráticas, e a procura e melhoria gradual do bem-estar dos cidadãos.

As opiniões de cada um devem ser respeitadas, independentemente delas se concordar ou discordar.
Já aqui o escrevi ao longo do tempo, sobre o que penso do chamado primeiro magistrado ou mais alto magistrado da Nação. 
Repito, muito resumidamente, que votei nele para o primeiro mandato, que considero que nesse período fez globalmente um bom trabalho, enquanto neste segundo e felizmente último mandato é um desastre em crescendo. Não foi reeleito com o meu voto. E então como Comandante Supremo das Forças Armadas é melhor nem falar.

As suas considerações iniciais sobre os abusos na igreja católica portuguesa foram o tirar das dúvidas, para quem as tivesse. 
Eu já não as tinha nessa altura.
Daí para cá, tem sido um fartote.
Eu não tenho competências (fórmula habitual politicamente correcta) para conseguir explicar quer o ar facial quer as palavras com que entendeu por bem dirigir-se ao representante Palestiniano no Bazar Diplomático.

Se isso já foi qualquer coisa de inarrável, que dizer da cena de estar por ali no jardim em frente ao Palácio de Belém e ir ter com os poucos manifestantes (não tenho grandes dúvidas sobre os promotores, pois repetiram várias das palavras de uma conhecida motoqueira) e prestar-se a cenas inacreditáveis, sujeitando-se ao que as TV mostraram.

Creio que psiquiatras e psicólogos poderão explicar os porquês destas tão lamentáveis atitudes, lamentáveis para mim naturalmente.

Marcelo Rebelo de Sousa está num crescendo de incontinência verbal, de atitudes despropositadas, e começo a duvidar que se mantenham  intactas as ligações entre as células cinzentas, a língua, os ouvidos e os olhos.

Interfere nas áreas dos restantes órgãos de soberania, pronuncia-se praticamente sobre tudo, desde aspectos de economia, política, às coisas mais ridículas e confrangedoras. 

Não percebo até porque não se pronunciou ainda por exemplo acerca,
- das dívidas dos clubes de futebol à banca,
- das tempestades que tem assolado a Europa, 
- da vencedora do concurso miss Portugal, 
- da derrota do Porto frente ao último classificado, 
- do cabelo das locutoras e apresentadoras das televisões,
- da aparente compra de um grupo de comunicação social por figuras públicas muito conhecidas, 
- da caução dos 10 milhões, 
- da provável transladação dos restos mortais de Eça de Queirós para o Panteão Nacional, 
- dos vários caminhos de Santiago, 
- da sua preferência em castanhas, se cozidas, assadas ou piladas, 
- do que disse há poucos dias o Presidente do STJ quanto a corrupção e zero reformas, 
- dos atrasos vergonhosos na electrificação de ferrovias e finalização de obras em outras, 
- de Portugal ter sido ultrapassado pela Roménia em nível de vida,
- do jogo do berlinde, 
- da criação de bichos de seda, 
- da escolha da praia de Montegordo para ir a banhos e férias este ano, 
- as questões identitárias em Espanha, 
- dos "toping" nos seus gelados.

É triste, mas muito pior do que isso, leva certamente ao aumento do número de portugueses que o vê a estilhaçar o trabalho do primeiro mandato e que consideram (como eu) que do desempenho do cargo para que foi eleito faz cada vez mais uma deplorável palhaçada.

Bom senso, contenção, prudência, ponderação, sentido das realidades e das proporções, são qualidades que nitidamente estão cada vez mais afastadas nas suas actuações diárias.
Que autoridade pensará que ainda tem?

A terminar reproduzo o que em tempos escrevi.

MIGUEL MONJARDINO
: "O comentador Marcelo Rebelo de Sousa (M.R.S.) constitui, pelo seu recente comportamento, uma ameaça à credibilidade da instituição da Presidência da República e ao futuro de Portugal (…) Em vez de um Presidente da República, elegemos um comentador com urgência pessoal e compulsão para se pronunciar, instantaneamente, sobre tudo.”

Depois de me aperceber nos últimos 5 dias de mais uma série triste de, comentários, declarações, "selfies" e vacuidades várias, recordei-me do que um comentador intelectualmente honesto afirmou ainda não há muito tempo. 
Afirmação supra reproduzida. 
E que aplaudo, uma vez mais.
António Cabral (AC)

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