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terça-feira, 29 de agosto de 2023

A  PROPÓSITO . . . . . . (1)
- De turismo interno/ lazer, 
- do estado da economia e dos aldrabões, 
- e de mulheres e igualdade de género.

Podendo ter cirandado . . . . . . . . (ver A Propósito …(0)

Em anterior e primeiro texto comecei pelo turismo interno.
Agora sigo para o tema mulheres, igualdade de género

Vem isto na sequência de uma surpresa que tive durante a estadia de alguns dias no dito estupendo e reconfortante alojamento.

A surpresa aconteceu de manhã bem cedo no primeiro e maravilhoso pequeno almoço.
A jovem, elegante, magríssima e muito bonita rapariga (não lhe perguntámos a idade) que nos apoiou no serviço, falava um português fraco mas que, pelo que irão ver a seguir, tem de se considerar de facto um português muito razoável.

Com isto de migrantes, refugiados, etc., a primeira coisa que me ocorreu foi - ucraniana - mas não. 
E veio a enorme surpresa, para nós evidentemente.

Em resumo, trabalhava naquele luxuoso e pequeno alojamento turístico há pouco mais de três meses.
Estava encantada, e vou resumir o que ela nos disse. 
ENCANTADA!

Com o acolhimento, por todo o lado.
Com o acolhimento, ali.
Com a afabilidade da maioria das pessoas.
Com o ambiente geral.
Com a comida.
Com o clima.
Com o trabalho, e colegas portuguesas.
Com o respeito que sentia da parte da generalidade das pessoas.
Com o tratamento, a dignidade e consideração para com ela.
Com a SEGURANÇA que sentia.

Não é de admirar o encantamento manifestado.

À pergunta - onde nasceu? . . . . - IRÃO!

Depois disto, quando reforcei perguntas, 
- e como se sente aqui, como mulher?
. . . . 
ARREGALOU os OLHOS, largo sorriso, olhou para cima, mãos juntas sobre o peito!
Mais clara não podia ser.

Fala um português muito satisfatório para quem está cá há pouco tempo, fala um inglês muito bom.
Grata surpresa.

Oxalá a vida aqui lhe corra sempre bem. 
Por nós, se Deus quiser, voltaremos a esse magnífico alojamento no Minho.
AC

quinta-feira, 23 de junho de 2022

4 6

"Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós.

Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós".

(Antoine de Saint - Exupéry)

E digo eu, a vida é, muitas vezes, BRUTAL!

AC

segunda-feira, 14 de março de 2022


Balada da neve (Augusto Gil)

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...


E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.

Pelo que se vai passando, apeteceu-me lembrar isto, sublinhando uma parte por motivos que tenho por óbvios.

António Cabral (AC)