(continuação)
SEGURANÇA, DEFESA, GUERRA.
A propósito do tema supra, a propósito dos sobressaltos que vão por esse mundo fora e designadamente ainda mais depois de 20 de Janeiro deste 2025, a propósito das baratas tontas dos lideres (????) Europeus deste anão militar que é a União Europeia (UE), a propósito de dislates na vertente externa, a propósito dos sucessivos dislates na vertente interna onde incluo "pérolas várias e uma ex-MRPP que diz que os russos vêm por aí abaixo, a propósito de mais entrevistas e comentários de vários civis e militares, a propósito de vários dirigentes políticos e jornalistas e comentadores, a propósito de artigos inflamados de certos coniventes com a situação a que se chegou, fui repescando textos de opinião dos muitos que ao longo dos anos tenho escrito e partilhado aqui no blogue e em outros locais.
Venho tecendo algumas considerações sobre o que se vai agora passando.
No presente, é enorme a excitação de Ursula, de António Costa, de Macron, de Starmer.
Das sucessivas reuniões dos conselhos Europeus diligentemente presididas por Costa têm saído verdadeiros balões cheios de . . . ar.
Negociações (????) entre EUA e Rússia ocorrem, muitas atoardas vomitadas publicamente, teóricos acordos de cessar fogo também.
Rússia que continua quase como até aqui. Mas ??
Aqui ficam mais umas palavras.
ARMADO, DESARMADO, REARMAR.
BAZÓFIA, HISTERISMO, DESFAÇATEZ, NEGÓCIOS.Vivemos um mundo louco que, opinião pessoal naturalmente, já o era de há muito, em crescendo desde 1991 com a implosão da URSS, em crescendo com a implosão/ explosão dos negócios mundiais, em que GATT, Globalização, equidade, tarifas, "fair trade" foram completamente atirados às urtigas, deliberadamente, com vários países a privilegiarem malfeitorias disfarçadas, e "dumping".
A partir de 20 de Janeiro deste 2025 tudo ou quase tudo se agravou!
Respeito, SEMPRE, as opiniões de outrem, concordando com umas discordando de outras.
Isto dito, como aliás sempre actuei, ao longo da vida, no blogue, nas conversas com familiares e com amigos, e na vida activa, pondero e afirmo o que penso pela minha cabeça.
Tenho presente, SEMPRE, duas coisas:
- o professor Bento de Jesus Caraça e, como ele, reconheço sempre quando erro, e corrijo-me, e agradeço a quem educadamente me ajuda a melhorar,
- a frase popular - cantas bem mas não me encantas; há décadas que, na vertente interna, como na externa, percebo bem os mariolas que escrevem em revistas e jornais ou vão aos canais de TV, e se têm na conta de notáveis, prodígios, especialistas, comentadores, assessores. Na maioria dos casos, seguem agendas, modas, lóbis, e na maioria dos casos, quando bem espremidos, revelam-se uns limões secos, ou a roçar o ACPN (autoridade competente de porra nenhuma).
Democraticamente isso tudo faz parte da nossa vida.
Acima falei em mariolas e, já agora, também tenho em conta os vários mariolas que se calam, por boas e também por inconfessadas razões.
Estamos com uma Ursula histérica, que quer rearmar, tudo e todos.
Apresenta estimativas e projectos de centenas de milhões de milhões.
Claro que do fim da guerra fria resultou a ilusão da paz eterna, da era da estabilidade, do primado do direito internacional, da fraterna amizade entre povos, entre países, e os conflitos e os interesses dos países foram obviamente atirados às urtigas, . . . certo?
ERRADO!
Verdades "Lapalissianas" que qualquer cidadão comum aqui ou lá fora, qualquer ser civilizado, decente, e intelectualmente honesto, e que pensa pela sua cabeça, diz e escreve, se e quando lhe apetecer.
Mas é claro que para (LEGITIMAMENTE) vender revistas e jornais e ganhar audiências nos canais TV, é sempre giro ter uns arrogantes pomposos a debitar vacuidades como se todos fossemos burros, e como se todos tivessem falhas de memória e não tivessem arquivos, lembrando o que uns professorais do presente (não) fizeram no passado o que muito contribuiu para se chegar à lastima do presente.
Trataram SEMPRE da vidinha!
Dona Ursula quer rearmar a Europa.
Quer sobretudo reerguer militarmente a Alemanha? Uiii !
Ela e outros repetem que não vão danificar o Estado social. POIS!
Eu tenho sempre presente a história do lençol curto.
Que hipoteca por décadas?
Não é engraçado a maioria dos países Europeus se estar a baldar com a história das tropas para a espantosa força que Macron e Starmer querem compor?
Continuando.
Reconversão de fábricas para a corrida ao armamento/ rearmamento, para fazer frente à Rússia?
Como parece indiciar-se na Alemanha? Que resultados?
Como estamos de construção naval, de aeronaves, de satélites, de vectores, de mísseis os mais diversos?
Que atraso tecnológico, REAL, existe (da Alemanha, Itália, Reino Unido, França, Holanda, Espanha, Suécia) face aos EUA, Rússia, China?
Que atraso real existe na Europa quanto a sistemas de geolocalização?
Que atraso real existe na Europa quanto à tecnologia de drones que a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente evidencia?
Que atraso real existe na Europa quanto a vectores de médio e longo alcance?
Naturalmente, creio eu, que a supremacia incontestável dos EUA como superpotência única e incontestada na sequência imediata da implosão da URSS, está quase a ser "chão que deu uvas".
Só um desonesto intelectual não percebe a existência real da agressividade da Rússia.
Não preciso de "doutores da mula russa", civis ou fardados, para me lembrarem isso e muitas outras coisas, e eu saliento a anexação da Crimeia, mais o que se foi passando em outras zonas, como Chechénia, Geórgia, etc.
E, naturalmente, a invasão da Ucrânia.
Sim, INVASÃO!
Obviamente que a paz não se mantém com inocências, com modas, com abracinhos entre políticos, com pacifismos da treta e com Gretas, com optimismos à "Chamberlain".
Na Europa, depois de Marshall, tratou-se de confiar a defesa aos americanos. E, designadamente ao seu guarda-chuva nuclear, o VERDADEIRO DISSUASOR.
Enquanto a Europa devastada se reergueu, se reconstruiu, se sedimentou com o Estado Social e poucas despesas militares, recheava-se de turcos, portugueses, espanhóis, muçulmanos, africanos etc., para a construção civil, as grandes fábricas, e nasceram assim os guetos, os "bidonville" etc.
Muitos insistem que foi a NATO que conteve a Rússia.
Não será mais rigoroso dizer que foi a força americana veiculada NATO mas, sobretudo, a colocação dos mísseis americanos de vários tipos colocados em redor das fronteiras da URSS (da Turquia aos Nórdicos com forte presença na Alemanha então Federal)?
(fim da 1ª parte)
ARMADO, DESARMADO, REARMAR.
BAZÓFIA, HISTERISMO, DESFAÇATEZ, NEGÓCIOS.
(continuação)
Procurando continuar a pugnar pelo rigor:
- quando se fala da guerra na ex-Jugoslávia, não será de referir, a Rússia por trás dos Sérvios, a Alemanha por trás dos Croatas, EUA/ Clinton a borrifar-se para ter mandato da ONU e bombardear a torto e a direito, onde e como lhe apeteceu?
Recordam-se do tema das munições com rastos de urânio?
- quando se fala no Iraque, não será de referir as questões energéticas tão caras aos EUA, de referir a aldrabice quanto à II guerra do Iraque?
- quando se fala no Afeganistão, não será de referir o que por lá ocorreu no tempo do império Britânico, no tempo da "estadia" Russa com os mísseis americanos fornecidos a Osama Bin Laden, e no mais recente, a "estadia" americana, e referir quem (que presidente) começou o processo de retirada atabalhoadamente executada no tempo Biden?
- quando se fala e bem, no apoio Russo aos eslavos no Donbass, não será de referir, também, o que na Ucrânia se fez em relação a dialectos, em relação à estigmatização de certas populações, não será de referir uma famosa "CIÁtica" por trás da praça Maiden e outras coisas?
- quando uns pantomineiros (opinião pessoal naturalmente) recordam o memorando de Budapeste de 1994 e a tida por "renúncia" da Ucrânia "ao seu arsenal nuclear", não será de referir que é discutível que o armamento fosse mesmo da ex-República Soviética, pois a URSS estacionou /dispersou armamento nuclear por todo o seu território, em função da instalação de armamento nuclear americano em volta das então fronteiras da URSS?
Não se pode também aqui equacionar o ovo e a galinha?
- será difícil imaginar que, depois da implosão da URSS, a Rússia se sentisse imensamente desconfortável, e não aceitasse de todo, a permanência de armamento nuclear outrora seu dentro dos agora independentes países, e preferisse lidar apenas com os EUA, com quem uma "relação" de décadas de guerra fria mostrou que as coisas funcionavam de acordo com regras estabelecidas?
- não será de imaginar que a Rússia não aceitava de todo que um qualquer louco num dos Tãos ou na Ucrânia, pudesse vir a disparar mísseis SEUS? Admito estar enganado.
- claro que a dissuasão "estabelece que a paz se mantém pelo equilíbrio de forças".
Mas quanto à afirmação "isso foi comprovado pelos quase 80 anos em que a NATO garantiu a segurança dos seus membros", talvez seja mais rigoroso dizer - que isso foi assegurado pelos mísseis americanos colocados e dispersos pela Europa toda perto das fronteiras da então URSS.
- a UE, dizem alguns, efetuou uma rápida revisão da sua política de defesa. Quem sou eu para dizer o contrário.
- mas, fiando-me no meu melhor amigo militar, almirante reformado, que não escreve para jornais nem é íntimo de jornalistas como outros militares, e tendo presente os poucos dias passados desde a verborreia Trump em que se ficou ciente que a Europa poderá já não estar sob proteção americana, tão pouco tempo decorrido é suficiente para estudos ponderados e sérios que possam basear decisões de fundo na UE?
- a sensação que fica, minha naturalmente, é a do habitual atropelo dos tratados da UE, a habitual complacência de Estrasburgo que prefere socar a Le Pen, o habitual seguidismo parolo de quem agora se julga rei.
E porque digo isto?
Porque olho ao processo de planeamento e inerente processo decisório na NATO, e ao processo de planeamento militar em Portugal.
- no caso nacional, as coisas atingiram patamares lamentáveis. No âmbito político, e no âmbito militar.
No âmbito político, quanto a esta telenovela do rearmamento, sucederam-se as mais diversas e na maioria dos casos PATÉTICAS declarações, desde o inquilino em Belém, a deputados, PM e MNE.
Por exemplo, aqui há uns dias, "dispararam" com 300 milhões.
Há pouco, aconselhado ou não pela Spinum, o PM declarou ter sido aprovado em conselho de ministros o dispêndio de 205 milhões.
Pergunta: são mais 205 a somar aos 300, ou são agora apenas 205?
- quando se fala em milhões, nestes milhões, de que se fala?
Dinheiro vivo a transferir para a Ucrânia, e parte dele a ir logo para certas contas na Suíça"?
Ou estamos a falar de munições retiradas dos velhos paióis do Exército, mais fardamento, mais granadas, mais rações de combate, etc., e contabilizar portanto o que isso representa a preços actuais?
- o saudoso Adriano Moreira sempre batalhou pela existência de um Conceito Estratégico Nacional, curto, nada prolixo, que definisse um rumo global para o país.
Que dele derivassem, depois, outros documentos, designadamente um Conceito Estratégico de Defesa Nacional diferente e mais simples do actual, um Conceito Estratégico Militar, e daqui um Sistema de Forças e um Dispositivo de Forças, adequados à realidade nacional, adequados à geografia e imensidão de mar de Portugal.
- mas a realidade foi sempre a tristemente entrega da definição do ainda chamado Conceito Estratégico de Defesa Nacional a uns quantos notáveis (???) civis e muitos militares, daí derivando o resto, e mantendo pomposas leis de Programação Militar (LPM) e de Infra-estruturas Militares (LIM), sempre pornograficamente sub-orçamentadas.
- há décadas que pomposos vários falam em ser indispensável reforçar os meios de comando e controlo, incrementar a interoperabilidade entre a Marinha, o Exército e a Força Aérea, e desenvolver as capacidades de projeção e de sustentação de forças em operações de média e alta intensidade. Há décadas.
Culpa maior do PSD e mais ainda do PS.
Façam as contas a quantos anos de governação cabem aos PSD e ao PS desde 1995.
Agora, até há um vigarista político que fala em ser necessária uma mentalidade de defesa.
- naturalmente, opinião pessoal, quando se estiola brutalmente um sistema, uma instituição, é mais ou menos como o que acontece às árvores. Cortar, deitar abaixo, é rápido.
Plantar novas árvores, e esperar que cresçam, claro, leva anos. Agora discursam sobre mentalidade de defesa.
A desfaçatez e a descarada ausência de vergonha na cara habituais.
AGORA, pomposamente, indignados, agora gritam que é necessário completar lotações, aumentar efectivos, valorizar a condição militar, qualificar as unidades militares, e queixam-se das condições das infra-estruturas, e do desempenho operacional.
É preciso pensar a sério no que aí está.
Como grita a "Gomes", ai que que estão quase aí os russos!
Ai que nós fazemos parte da ONU, da NATO, da UE e . . . e da CPLP, e . . . e da OCDE, . . . e portanto . . .
Enfim, eu como não percebo nada destas coisas, tinha ficado convencido de que, com a alteração do sistema de escolha das chefias executado no final do Cavaquismo, e para grande gáudio do PS, e com o recente e importante reforço das competências e poderes do CEMGFA (chefe do estado-maior general das forças armadas) desenhado pelo PS e Costa, e não ter havido ainda mais episódios Tancos, dizia eu que tinha ficado convencido de que as nossas forças armadas estavam agora preparadíssimas, sendo as melhores das melhores, como em tempos era repetido.
Pelos vistos equivoquei-me, não se reforçaram afinal os meios materiais e humanos das nossas Forças Armadas, nem se aumentou o seu desempenho operacional. Ora bolas.
Ah, mas foram bem condecorados . . . sim, esses mesmos!
Bom estava quase a esquecer-me de uma pequenina coisa mais, a "estória" da dissuasão.
Repito, não percebo nada destas coisas.
Mas acredito, piamente, que,
- com centenas de carros de combate alemães e de outras origens, mas muitos comprados aos EUA,
- com muitos aviões franceses e suecos mas muitos comprados aos EUA,
- com muitas munições de vários países Europeus,
- com o aumento dos gastos em defesa militar,
a UE estancará facilmente qualquer atrevida entrada da Rússia dentro da UE.
A terminar, só dois ou três detalhes mais:
- a começar em 24 de Fevereiro de 2022, a pujante força de armamento clássico/ convencional Russa quase terá chegado aos arredores de Kiev e dois dias depois, creio, estava muito prudentemente a retirar enquanto era tempo, o que nos mostra o perigo que a UE corre,
- claro que se Putin quisesse chegar a Berlim era outra história, invadia facilmente, o que confirma o tremendo perigo que a UE corre,
- claro que a pujança económica-financeira da UE face à Russa é fraquíssima como se sabe, e por aqui também um perigo tremendo para a UE,
- claro que temos para protecção nuclear os mísseis dos submarinos do Reino Unido embora pareça que não estão lá muito católicos (manutenção escassa?), mais os da "force de frappe" de monsieur Macron!
* Muitos ficam-se pelas costumeiras declarações de sapiência (??).
* Muitos prosseguem as agendas a que se vincularam há anos.
* Muitos disfarçam a sua conivência de passado recente.
* Outros, preferem olhar com mais atenção para estas coisas.
Não se excitam, têm presente,
- que os acordos de Minsk não foram cumpridos,
- a necessidade urgente dos EUA reanimarem o seu complexo industrial-militar,
- as dificuldades da economia americana em que alguns dizem poder estar próximo de recessão,
- que a Rússia sempre mostrou agressividade
- a situação económica Russa,
- que a Rússia não mostrou capacidade de progressão e captura de posições bem dentro da Ucrânia, mas mostra resiliência em ficar no terreno/ linhas da frente,
- que a única dissuasão à Rússia é o nuclear, que a Europa não tem.
Para quê então gastar milhões e milhões?
Ah, espera, será que Ursula quererá que Alemanha e outros na Europa passem a deter mísseis balísticos apontados a Moscovo?
Nessa hipótese aguardemos então pelo fim rápido da Europa.
Aguardemos.
Isto requer muita paciência democrática
António Cabral (AC)