A vida é muito curiosa e, como sempre digo, é tão bom estar vivo.
Sobretudo podendo estar vivo com um mínimo de qualidade de vida quanto a, saúde, família, profissão, lazer.
É aquilo a que legitimamente todo o ser humano aspira.
Infelizmente, muitos milhões por esse mundo fora não podem dizer isto. Uma das tragédias mundiais.
A propósito de tragédias, e sem ser exactamente comparável com o que acabo de escrever, é também lamentável, na minha opinião evidentemente, a permanência de certas criaturas formalmente à frente dos destinos de certos países e nomeadamente dos EUA.
Sim, Trump e vários outros. Nunca o esqueço.
Mas, lá está, foram eleitos; corram com eles nas próximas eleições, que é como se devem mudar as coisas, as pessoas a irem às urnas e não a ficar em casa, e não também com golpes militares, sejam eles internos ou aconselhados por grandes estadistas (!?!!??) em Portugal. Isto dito, repito, nunca o esqueço.
As pessoas não estão informadas? Informem-se. Foram enganadas? Não fiquem em casa da próxima vez.
Mas, contrariamente a muitas outras pessoas e concretamente certas agremiações partidárias, não passo todos os meus dias e a toda a hora a sempre falar do Trump ou do Bolsonaro ou de outro parvalhão dos muitos que por aí andam e que muita culpa têm no estado de coisas à superfície da Terra.
É que convém, convinha, não esquecer também, muitas outras coisas bem mais perto de nós, em Portugal, e que no imediato tem impacto directo e brutal nas nossas vidas.
Nesta fase terrível que atravessamos, por força do bicho "coronavirus/ covid-19 e por força das terríveis consequências na sociedade portuguesa que ele está a provocar e vai continuar a provocar, mais ainda tenho pensado em vários aspectos da vida e nomeadamente no isolamento social.
Não me refiro ao isolamento social típico/ actual de imposição de distâncias entre nós para tentar parar a propagação do bicho.
Em vez de distanciamento social julgo mais apropriado falar em distanciamento físico, mas enfim, quem sou eu ao pé das senhoras da saúde.
Refiro-me ao isolamento social entre muitos de nós, ao afastamento de contacto ao longo dos anos pelas mais variadas razões que, quanto mais penso nelas, mais estou convicto de que muito desse afastamento por que muitos enveredaram se deve a razões mais que discutíveis.
Mas é a vida.
Tendo eu sido um preguiçoso aluno por exemplo no campo das matemáticas, ainda assim lembro-me bem que havia e há uma coisa que se chama - relação bi-unívoca.
E esta coisa da bi-unívoca significa concretamente na vida que há fluxo dos dois lados, ao passo que a unívoca só tem um sentido.
E o que verifico ao longo de décadas é que uns se afastaram por razões políticas as mais das vezes baseando-se em falsas conclusões sobre os outros.
Outros afastaram-se porque subiram na vida e cheios de dinheiro só olham para os da alta, mesmo que muitos da alta não passem de uns interesseiros e perfeitos imbecis.
Outros enfim, vá lá perceber-se.
Ainda há dias um grande amigo me telefonou e bastante tempo estivemos a conversar, sendo que umas vezes telefona ele outras eu. A dada altura, perguntei-lhe por um amigo comum que muito prezamos, e a resposta foi de que se não formos nós ele nunca liga, por isto e por aquilo.
Este exemplo, com algumas variações, passa-se a muitos níveis e, repito e salvo melhor opinião, sempre com desculpas um bocado esfarrapadas.
Mas é a vida.
Sei que a vida muitas vezes anda num frenesim.
Sei que alguns quase se esgotam com a lufa-lufa profissional mais os problemas com os filhos, a separação, etc. Algumas vezes não são problemas com os filhos, mas filhos no estrangeiro e bem de vida, felizmente, saudades.
Todos tivemos e temos as nossas angústias e passos diferentes ao longo da vida.
Por exemplo, será de compreender, ou pelo menos tentar,
> que, se por razões profissionais uns quantos andaram ausentes do País por intervalados e ás vezes longos períodos de anos, fiquem assim esporádicos ou mesmo nulos alguns contactos com alguns amigos, ou colegas de curso, ou colegas de profissão independentemente das idades, ou mesmo alguns familiares menos chegados.
> Mas já custa mais a compreender que não se telefone a uma tia muito idosa porque à hora recomendada para o fazer - ah, a essa hora normalmente vou para a cozinha tratar do jantar..............
> Mas já custa mais a compreender que um tipo, mais novo, logo depois de assumir um determinado cargo ao receber uma carta de parabéns e felicidades no cargo não agradeça, porque o remetente já está a entrar na reforma, e ele ainda terá altos voos, como veio a ter e está à vista, infelizmente, tal a mansidão e sabujice que evidencia, o que só confirma que sendo de facto um espertalhão é também o pateta imbecil de sempre, amparando-se no sonante apelido,
> Mas já custa mais a compreender que alguém da mesma geração não agradeça as condolências que por escrito em tempos recebeu pelo falecimento de progenitor,
> Mas já custa mais a compreender que, a partir de certa altura na vida, alguns não percebam que alguma diferença de idade que existe não justifica a manutenção do silêncio, nem implica que seja sempre o mais novo a dirigir-se ao outro,
> E mais ainda custa a compreender que não se compareça no velório e funeral de quem se dizia tão próximo.
Mas é a vida e, portanto, vivo bem na mesma se muitos assim desejam continuar com o sentido unívoco.
Faz-me falta a liberdade, faz-me falta a liberdade de andar ao ar livre, e caminhar, e fotografar, e rir, e correr junto com os netos.
Faz-me falta andar por aí, procurar minorar as ignorâncias, faz-me falta ir olhar as livrarias e bibliotecas, fazem-me falta os concertos complementares à boa música ouvida em casa.
Faz-me falta parar em certos sítios e escutar o silêncio, o retemperador silêncio no meio da natureza.
Eu escolho, os momentos, os barulhos, os silêncios, os afectos, os livros, o que fotografar, o que ingerir e beber, o que aplaudir ou criticar, o que escutar e de quem, as opiniões, o que subir ou descer, aquilo em que posso ajudar/ ser útil, o que recordar, as amizades, as camaradagens, os convívios, a quem escrever via correio electrónico, ou via CTT com cartas escritas com uma das minhas belíssimas canetas e seja a tinta Montblanc azul, preta ou castanho escuro/ sépia.
Sou eu que escolho e decido.
António Cabral (AC)
Ps: como sempre respeito a opinião de outrem, concorde ou discorde. Com esta cena do “bicho” apareceram coisas que julgo compreendo mas outras de que discordo.
Por exemplo - vamos ficar todos bem - é para mim das maiores idiotices, desde logo porque milhares morrem/ morreram e, portanto, só se considerarmos que ficar bem é ficar no caixão, além de que os familiares não me parece que fiquem bem.
Outra coisa é a de que agora vai haver muito maior compreensão, mais solidariedade.
Meto boa parte das fichas em como vai ser ao contrário.
E não o digo por constatar por exemplo a cena de pessoas completamente tolas e que dão salto para fora do passeio quando, cada um com a sua máscara se cruza no dito passeio.
Aguardemos, incluindo quanto à quebra dos silêncios e afastamentos que referi.
Sobretudo podendo estar vivo com um mínimo de qualidade de vida quanto a, saúde, família, profissão, lazer.
É aquilo a que legitimamente todo o ser humano aspira.
Infelizmente, muitos milhões por esse mundo fora não podem dizer isto. Uma das tragédias mundiais.
A propósito de tragédias, e sem ser exactamente comparável com o que acabo de escrever, é também lamentável, na minha opinião evidentemente, a permanência de certas criaturas formalmente à frente dos destinos de certos países e nomeadamente dos EUA.
Sim, Trump e vários outros. Nunca o esqueço.
Mas, lá está, foram eleitos; corram com eles nas próximas eleições, que é como se devem mudar as coisas, as pessoas a irem às urnas e não a ficar em casa, e não também com golpes militares, sejam eles internos ou aconselhados por grandes estadistas (!?!!??) em Portugal. Isto dito, repito, nunca o esqueço.
As pessoas não estão informadas? Informem-se. Foram enganadas? Não fiquem em casa da próxima vez.
Mas, contrariamente a muitas outras pessoas e concretamente certas agremiações partidárias, não passo todos os meus dias e a toda a hora a sempre falar do Trump ou do Bolsonaro ou de outro parvalhão dos muitos que por aí andam e que muita culpa têm no estado de coisas à superfície da Terra.
É que convém, convinha, não esquecer também, muitas outras coisas bem mais perto de nós, em Portugal, e que no imediato tem impacto directo e brutal nas nossas vidas.
Nesta fase terrível que atravessamos, por força do bicho "coronavirus/ covid-19 e por força das terríveis consequências na sociedade portuguesa que ele está a provocar e vai continuar a provocar, mais ainda tenho pensado em vários aspectos da vida e nomeadamente no isolamento social.
Não me refiro ao isolamento social típico/ actual de imposição de distâncias entre nós para tentar parar a propagação do bicho.
Em vez de distanciamento social julgo mais apropriado falar em distanciamento físico, mas enfim, quem sou eu ao pé das senhoras da saúde.
Refiro-me ao isolamento social entre muitos de nós, ao afastamento de contacto ao longo dos anos pelas mais variadas razões que, quanto mais penso nelas, mais estou convicto de que muito desse afastamento por que muitos enveredaram se deve a razões mais que discutíveis.
Mas é a vida.
Tendo eu sido um preguiçoso aluno por exemplo no campo das matemáticas, ainda assim lembro-me bem que havia e há uma coisa que se chama - relação bi-unívoca.
E esta coisa da bi-unívoca significa concretamente na vida que há fluxo dos dois lados, ao passo que a unívoca só tem um sentido.
E o que verifico ao longo de décadas é que uns se afastaram por razões políticas as mais das vezes baseando-se em falsas conclusões sobre os outros.
Outros afastaram-se porque subiram na vida e cheios de dinheiro só olham para os da alta, mesmo que muitos da alta não passem de uns interesseiros e perfeitos imbecis.
Outros enfim, vá lá perceber-se.
Ainda há dias um grande amigo me telefonou e bastante tempo estivemos a conversar, sendo que umas vezes telefona ele outras eu. A dada altura, perguntei-lhe por um amigo comum que muito prezamos, e a resposta foi de que se não formos nós ele nunca liga, por isto e por aquilo.
Este exemplo, com algumas variações, passa-se a muitos níveis e, repito e salvo melhor opinião, sempre com desculpas um bocado esfarrapadas.
Mas é a vida.
Sei que a vida muitas vezes anda num frenesim.
Sei que alguns quase se esgotam com a lufa-lufa profissional mais os problemas com os filhos, a separação, etc. Algumas vezes não são problemas com os filhos, mas filhos no estrangeiro e bem de vida, felizmente, saudades.
Todos tivemos e temos as nossas angústias e passos diferentes ao longo da vida.
Por exemplo, será de compreender, ou pelo menos tentar,
> que, se por razões profissionais uns quantos andaram ausentes do País por intervalados e ás vezes longos períodos de anos, fiquem assim esporádicos ou mesmo nulos alguns contactos com alguns amigos, ou colegas de curso, ou colegas de profissão independentemente das idades, ou mesmo alguns familiares menos chegados.
> Mas já custa mais a compreender que não se telefone a uma tia muito idosa porque à hora recomendada para o fazer - ah, a essa hora normalmente vou para a cozinha tratar do jantar..............
> Mas já custa mais a compreender que um tipo, mais novo, logo depois de assumir um determinado cargo ao receber uma carta de parabéns e felicidades no cargo não agradeça, porque o remetente já está a entrar na reforma, e ele ainda terá altos voos, como veio a ter e está à vista, infelizmente, tal a mansidão e sabujice que evidencia, o que só confirma que sendo de facto um espertalhão é também o pateta imbecil de sempre, amparando-se no sonante apelido,
> Mas já custa mais a compreender que alguém da mesma geração não agradeça as condolências que por escrito em tempos recebeu pelo falecimento de progenitor,
> Mas já custa mais a compreender que, a partir de certa altura na vida, alguns não percebam que alguma diferença de idade que existe não justifica a manutenção do silêncio, nem implica que seja sempre o mais novo a dirigir-se ao outro,
> E mais ainda custa a compreender que não se compareça no velório e funeral de quem se dizia tão próximo.
Mas é a vida e, portanto, vivo bem na mesma se muitos assim desejam continuar com o sentido unívoco.
Faz-me falta a liberdade, faz-me falta a liberdade de andar ao ar livre, e caminhar, e fotografar, e rir, e correr junto com os netos.
Faz-me falta andar por aí, procurar minorar as ignorâncias, faz-me falta ir olhar as livrarias e bibliotecas, fazem-me falta os concertos complementares à boa música ouvida em casa.
Faz-me falta parar em certos sítios e escutar o silêncio, o retemperador silêncio no meio da natureza.
Eu escolho, os momentos, os barulhos, os silêncios, os afectos, os livros, o que fotografar, o que ingerir e beber, o que aplaudir ou criticar, o que escutar e de quem, as opiniões, o que subir ou descer, aquilo em que posso ajudar/ ser útil, o que recordar, as amizades, as camaradagens, os convívios, a quem escrever via correio electrónico, ou via CTT com cartas escritas com uma das minhas belíssimas canetas e seja a tinta Montblanc azul, preta ou castanho escuro/ sépia.
Sou eu que escolho e decido.
António Cabral (AC)
Ps: como sempre respeito a opinião de outrem, concorde ou discorde. Com esta cena do “bicho” apareceram coisas que julgo compreendo mas outras de que discordo.
Por exemplo - vamos ficar todos bem - é para mim das maiores idiotices, desde logo porque milhares morrem/ morreram e, portanto, só se considerarmos que ficar bem é ficar no caixão, além de que os familiares não me parece que fiquem bem.
Outra coisa é a de que agora vai haver muito maior compreensão, mais solidariedade.
Meto boa parte das fichas em como vai ser ao contrário.
E não o digo por constatar por exemplo a cena de pessoas completamente tolas e que dão salto para fora do passeio quando, cada um com a sua máscara se cruza no dito passeio.
Aguardemos, incluindo quanto à quebra dos silêncios e afastamentos que referi.
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