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quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Com o acto libertador do 25 de Abril de 1974, e apesar de um lamentável período trágico que se designou PREC, foi possível o país ficar dotado com uma Constituição a qual, felizmente, teve revisões que permitiram abrir portas a uma nova era, aspirar por justiça social, bem-estar e segurança dos portugueses, e olhar o futuro com esperança.

Não vou referir-me ao que nos últimos anos tem corrido mal, nem aos problemas crescentes na nossa sociedade, nem ao enterrar das cabeças na areia por parte de muitos dos sucessivos titulares de órgãos de soberania.

Quero apenas acrescentar umas palavras mais para a vertente - a autonomia dos Açores e Madeira.

Foi o regime democrático, o Estado de direito democrático, que gerou e consagrou a autonomia regional, que é um património de todos. Não é apenas dos ilhéus.

Com a autonomia muito se modificou para bem diferente, para bem melhor, as regiões e as suas gentes. Colmatou carências, reforçou capacidades próprias, permitiu enfrentar os desafios do futuro, do desenvolvimento e de mais justiça social. O país no seu todo beneficiou.

Em qualquer percurso, em qualquer construção, surgem dificuldades, contrariedades, surpresas, problemas, tudo a requerer resposta, e soluções.

Certamente que ao longo das décadas na maioria dos casos e situações nem tudo correu pelo melhor, houve certamente algumas deficiências e porventura erros.

O que me parece indiscutível, mas admito poder estar equivocado, é que eventuais necessidades de pontuais reformas nas autonomias dos Açores e da Madeira, devem assentar numa rigorosa e criteriosa avaliação da experiência acumulada em décadas, e SEMPRE isenta de dramatizações contraproducentes e afirmações espúrias para não dizer ordinárias.

A autonomia sempre funcionou com normalidade, assim deve continuar, assente na interação entre os órgãos do Estado e os órgãos de governo próprios das regiões, sem nunca se perder de vista o plasmado na nossa Constituição.

Mas repito que, naturalmente, admito poder estar equivocado. Não tenho medo de errar, pois quando isso acontece dou a mão à palmatória, e faço como o grande matemático Bento de Jesus Caraça, que não receava o erro pois estava sempre pronto a emendá-lo.

António Cabral (AC)

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A Propósito do falecimento de Gustavo de Moura
Respeito, sempre, as opiniões e decisões de outrem.
Mesmo quando completamente discordando.
Isto para dizer que, além de não ter contas nas redes sociais (facebook, Instagram etc) porque não quero, e menos ainda quero dar conta de detalhes da minha vida privada e da profissional (mesmo que agora reformado), quando abro raras excepções quase não entro em detalhes e, por exemplo, no que se refere ás fotografias que partilho aqui no blogue e em outro blogue, raramente indico onde as tirei. 
Quem quiser saber que me pergunte, que respondo. Já aconteceu.
Vem isto a propósito do falecimento do jornalista Açoriano Gustavo de Moura.
Gustavo de Moura, além de se ter dedicado afincadamente à defesa da sua Região Autónoma e à Autonomia, foi jornalista de muitos ofícios.
Nos primeiros anos a seguir ao 25 de Abril de 1974 escreveu muitos artigos ácidos, apontando a vários elementos civis e militares do Continente e que prestavam serviço nos Açores.
Penso que em muitos casos cheio de razão, em outros não. 
Fruto desses tempos conturbados, sobretudo do famigerado PREC.
No período da minha vida profissional, entre 23 de Julho de 2004 e 2 de Agosto de 2006, (quanto ao final desse período muito há a dizer acerca de dois tratantes, e também de um bom amigo), desempenhei-me o melhor que consegui da missão e responsabilidades para que me nomearam, missão espinhosa pois, do antecedente, e como dizem os marinheiros, o mar estava muito alteroso e havia vendaval por lá.
Não sou advogado em causa própria, outros falarão por mim, mas existem indícios vários de que servi razoavelmente bem o País, na região onde me determinaram que servisse. 
E não me servi, nem do cargo, nem de tudo o que o cargo comportava e que era muito relevante, designadamente do ponto de vista do património edificado e mordomias associadas.
Com alguma irritação da parte de alguns que, durante anos, se habituaram a dele usufruir, creio que em excesso.
Mas quanto a Gustavo de Moura, voltei a encontrá-lo por mais de uma vez no período já referido do presente século, pois o conhecera pela primeira vez em Ponta Delgada, em Setembro e Outubro de 1975.
Conversa franca nos reencontros, respeito mútuo, confrontação civilizada de argumentos sobre o Portugal de finais de 1975, antes e depois do PREC, e o Portugal dos primeiros anos do século XXI. Marcante a despedida formal que me endereçou quando regressei ao Continente, simples, curta, clara, e reconfortante pelo reconhecimento, de nenhuma subserviência da minha parte, pelo trabalho que eu tinha desempenhado, e de respeito por mim e por todos os meus inúmeros subordinados e colaboradores.
Descanse em paz.
AC