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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

A Marinha, segundo Eça de Queirós:
(...)
Mas, meus senhores, antes de tudo, nós não temos marinha! Singular coisa! Nós só temos marinha pelo motivo de termos colónias — e justamente as nossas colónias não prosperam porque não temos marinha! Todavia a nossa marinha, ausente dos mares, sulca profundamente o orçamento. Gasta 1159 000$000!

Que realidade corresponde a esta fantasmagoria das cifras? uns poucos de navios defeituosos, velhos, decrépitos, quase inúteis, sem artilharia, sem condições de navegabilidade, com cordame podre, a mastreação carunchosa, a história obscura. E uma marinha inválida. A D. João tem 50 anos, o breu cobre-lhe as cãs: o seu maior desejo seria aposentar-se como barca de banhos.

A Pedro Nunes está em tal estado, que, vendida, dá uma soma que o pudor nos impede de escrever. O Estado pode comprar um chapéu no Roxo com a Pedro Nunes — mas não pode pedir troco.

A Mindelo tem um jeito: deita-se. No mar alto, todas as suas tendências, todos os seus esforços são para se deitar. Os oficiais de marinha que embarcam neste vaso fazem disposições finais. A Mindelo é um esquife — a hélice.

A Napier saiu um dia para uma possessão. Conseguiu lá chegar; mas exausta, não quis, não pôde voltar. Pediu-se-lhe, lembrou-se-lhe a honra nacional, citou-se-lhe Camões, o Sr. Melício, todas as nossas glórias. A Napier insensível, como morta, não se mexeu.

Das 8 corvetas que possuímos são inúteis para combate ou para transporte — todas as 8. Nem construção para entrar em fogo, nem capacidade para conduzir tropa. Não têm aplicação. Há ideia de as alugar como hotéis. A nossa esquadra é uma colecção de jangadas disfarçadas! E este grande povo de navegadores acha-se reduzido a admirar o vapor de Cacilhas!

Têm um único mérito estes navios perante uma agressão estrangeira: impor pelo respeito da idade. Quem ousaria atacar as cãs destes velhos?

Já se quis muitas vezes introduzir nas fileiras destes vasos caducos — alguns navios novos, ágeis, robustos. Tentou-se primeiro comprá-los.

Sucedeu o caso da corveta Hawks. Era esta corveta uma carcaça britânica, que o Almirantado mandava vender pela madeira — como se vende um livro pelo peso. Por esse tempo o Governo português — morgado de província ingénuo e generoso — travou conhecimento com a Hawks, e comprou a Hawks. E quando mais tarde, para glória da monarquia, quis usar dela, a Hawks, com um impudor abjecto — desfez-se-lhe nas mãos!

Estava podre! Nem fingir soube! Tinha custado muitas mil libras.

Tentou-se então construir em Portugal. Sabia-se que o Arsenal é uma instituição verdadeiramente informe: nem oficinas, nem instrumentos, nem engenheiros, nem organização, nem direcção. Tentou-se todavia — e fez-se nos estaleiros a Duque da Terceira. Foi meter máquina a Inglaterra. E aí se descobre que a tenra Duque da Terceira, da idade de meses, tinha o fundo podre! Foi necessário gastar com ela mais cento e tantos contos.

Nova tentativa. Entra nos estaleiros a Infante D. João. 87 contos de despesa. Vai meter máquina a Inglaterra. Fundo podre! O Arsenal perdia a cabeça! Aquela podridão começava a apresentar-se com um carácter de insistência verdadeiramente antipatriótica! Os engenheiros em Inglaterra já se não aproximavam dos navios portugueses senão em bicos de pés — e com o lenço no nariz. As construções saídas do Arsenal sucumbiam de podridão fulminante. A Infante D. João custou em Inglaterra, mais cento e tantos contos!

O Arsenal, humilhado no género navio, começou a tentar a especialidade lancha.

Fez uma a vapor. Lança-se ao Tejo, alegria nacional, colchas, foguetes, bandeirolas... E a lancha não anda! Dá-se-lhe toda a força, geme a máquina, range o costado — e a lancha imóvel! Mas de repente faz um movimento... Alegria inesperada, desilusão imediata! A lancha recuava. Era uma brisa que a repelia. Em todas as experiências a lancha recuava com extrema condescendência: brisa ou corrente tudo a levava, mas para trás. Para diante, não ia. Pegava-se! O Arsenal tinha feito uma lancha a vapor que só podia avançar — puxada a bois. O País riu durante um mês. O Arsenal roeu a humilhação, encetou a espécie caíque. Ainda o havemos de ver, no género construção em madeira, cultivar — o palito!

A nossa glória, inquestionavelmente, é a Estefânia. Parece que poucas nações possuem um vaso de guerra tão bem tapetado! O orgulho daquele navio é rivalizar com os quartos do Hotel Central. E um salão de Verão surto no Tejo. E no Tejo realmente dá-se bem. No mar alto, não! Aí tem tonturas. Não nasceu para aquilo: um navio é um organismo, e como tal pode ter vocações: a vocação da Estefânia era ser gabinete de toilette. E pacata como um conselheiro. E uma fragata do Tribunal de Contas! Por isso quando a quiseram levar a Suez, quantos desgostos deu à sua Pátria! quantas brancas fez à honra nacional! É verdade que os cabos novos, da Cordoaria Nacional (sempre tu, ó terra do nosso berço!) quebraram como linhas, e ninguém lhes pode contestar que tivessem esse direito. A marinhagem também não quis subir às vergas (opinião respeitável, porque a noite estava fria). Alguns aspirantes choraram de entusiasmo pela Pátria. O capelão quis confessar os navegadores.

O caso foi muito falado nesse tempo. Mais celebrado que a descoberta da Índia.

Essa só teve Camões que naufragou; — a viagem da Estefânia teve o Sr. O. Vasconcelos que arribou! Tanto é semelhante o destino dos que cultivam o ideal! O facto é que desde então brilha no Tejo, tranquila, reluzente e vaidosa — a Estefânia, corveta mobilada pelos Srs. Gardé e Raul de Carvalho.

(…)

Eça de Queirós, «A Marinha e as Colónias», em Uma campanha alegre (1890-1891)

"Naquele tempo" . . . . 
É assim que se ouve na igreja . . . . 

Ora "naquele tempo" em que viveu Eça estava-se longe, 
- da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito no Mar, 1982,
- da estrutura e legislação da IMO (International Marítima Organization), 
- da Comissão Mundial Independente para os Oceanos, 
- da existência de ZEE dos países que como nós têm costas e ilhas banhados pelos oceanos, 
- da existência de áreas marinhas protegidas,
- da pesca intensiva, 
- dos navios fábrica que acompanham as frotas pesqueiras,
- das conferências sobre o clima,
- das conferências dos oceanos,
- da ISA ( International Seabed Authority,
- da economia azul, 
- do SOS Ocean,
- de estratégias para o mar,
- do degelo de glaciares, no Ártico, Gronelândia e Antártida,
- das potencialidades de extracção e mineração submarina, 
- dos pedidos de alargamento de plataformas continentais, estando o nosso pedido"morto" numa gaveta da ONU desde 2013, 
- da comissão OSPAR (Oslo/Paris),
- da biotecnologia, etc.

Um país que tem mar como o nosso só é pequeno se o não souber aproveitar.
Veja-se o caso da Holanda, geograficamente minúsculo comparativamente com Portugal, com uma costa ridícula de comprimento comparado connosco, tem o maior e mais pujante porto do mundo, estaleiros navais etc.

Não digo mais. . . . isso mesmo, pintassilgos não são pardais.

Bom dia, tenham uma boa 4ª Feira.
Saúde e boa sorte.

António Cabral (AC)

quarta-feira, 14 de maio de 2025

ESPAÇO  INTERTERRITORIAL
PORTUGAL É, BASICAMENTE, UM TRIÂNGULO. 

O território nacional é composto pelo famoso rectângulo Ibérico mais as ilhas dos Açores e Madeira e os seus vários ilhéus.
Um triângulo, e inerente a este triângulo, um mar territorial de 12 milhas náuticas, mais uma enorme Zona Económica Exclusiva, o que acarreta uma brutal massa oceânica sob jurisdição nacional. 

Pendente na ONU, no departamento dos limites ou lá como se chamará actualmente, está desde 2013 o nosso pedido para alargamento da plataforma continental. Coisa que, ÓBVIA e CERTAMENTE, muito tem interessado Guterres, o tal "melhor e mais inteligente de nós todos"!
Sempre nos tem servido de muito, enquanto cá andou, e agora lá fora!

Daqui resulta um espaço interterritorial. ENORME.

Este espaço interterritorial tem alguma importância?
Que importância?

Podemos olhá-lo sob duas perspectivas: geopolítica e geoestratégica.

Na vertente geopolítica, tem a ver com o conceito de soberania, com a independência nacional, com a integridade territorial. Se a unidade geopolítica fosse quebrada, perder-se-iam os objectivos nacionais permanentes.

Na vertente geoestratégica, ou ocupamos de facto e fiscalizamos o espaço interterritorial, ou alguém progressivamente o há-se ocupar e dele retirar um dia os recursos do fundo do mar.

Ora como se vê há anos, o que é que estes assuntos interessam se é que interessam para alguma coisa comparados com: o futebol, as fugas aos impostos dos mercenários do futebol, as celebrações em Fátima, a Spinunviva ou lá como se chama, se desviaram ou não dinheiro de fundos Europeus para ajudar os filhotes a comprar casinhas com telhado de colmo, as fugas ao IMI, o festival da canção da Eurovisão, as preocupações com o Zelensky, as pessegadas diárias do Marcelo, os "cartoons" sobre o Trump, os serviços de limpeza da CM Lisboa (só a Mortágua se preocupa) os Macron Starmer e o Metz estarem em bicos de pés, as viagens constantes do Marcelo, o poder de influência do Erdogan, as férias das beldades e "influencers" várias, os casamentos namoros e novos amores das beldades, a ansiedade provocada pela possibilidade de um dos 4 dos nossos poder ser Papa, o execrável Putin, o democrata Xi, a batatada em Caxemira, o poder do filho de César nos Açores, o poder dos do costume na Madeira, os convívios do Nininho, se o Benfica será campeão ou se será o Sporting, etc.?

Nada, obviamente, só patetas se lembram destas coisas, mar, soberania, território, parvoíces é o que é!

Só patetas se atrevem a falar destas coisas, a lembrar que devemos ter Força Aérea e Marinha decentes e adequadas à nossa realidade territorial e interterritorial, para garantia da nossa soberania, para garantia da nossa independência, e assim contribuir para o planeamento de médio e longo prazo para arranjarmos capacidades de extração de recursos do fundo do mar em paralelo com, a protecção dos "nossos mares" e a preservação do ambiente e saúde do oceano, a proteção dos interesses nacionais.

Só mesmo patetas!

António Cabral (AC)

domingo, 1 de setembro de 2024

MAR, ZEE, PLATAFORMA CONTINENTAL

Li que de 6 a 12 de Agosto p.p. o navio de investigação Mário Ruivo, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera o conhecido IPMA que diariamente se pode ver na TV indicando previsões meteorológicas, andou numa campanha oceanográfica realizada no âmbito do projeto AMP Oceânicas ‘Planos de gestão e monitorização de Áreas Marinhas Protegidas Oceânicas - Caracterização ecológica de montes submarinos do Complexo-Geológico Madeira-Tore e adjacentes.

O navio, que ao que se indica está bem apetrechado com equipamento técnico e científico foi "apetrechado" para esta missão com uma equipa pluridisciplinar, investigadores e técnicos de áreas diferentes, geólogos marinhos, oceanógrafos, biólogos marinhos, geofísicos e bioquímicos.

A notícia refere que os resultados da missão ajudarão à identificação de áreas de elevado interesse para a conservação e servirão para constituir a base científica de suporte ao planeamento e à gestão das atuais e futuras áreas classificadas, para a implementação da Rede Nacional de Áreas Marinhas Protegidas (RNAMP), mais especificamente em zonas oceânicas, como por exemplo os já acima citados montes submarinos.
Do que li estarão programadas mais missões na Madeira e Açores.

Portanto, como objectivos, identificação de espécies e seus habitats,  natureza geológica dos fundos, montes submarinos, fontes hipotermais, temperaturas, batimetrias entre outros.

Depois do que li, veio-me à cabeça, mais uma vez, a pergunta: como estará o processo do nosso pedido de alargamento da plataforma Continental, que jaz algures "morto" numa gaveta daquela organização chamada ONU?

Este processo arrasta-se há pelo menos 13 anos.
De certeza que os nossos amigos e aliados (???) estão interessadíssimos em que Portugal fique com jurisdição sobre mais uma brutalidade de massa oceânica!!

E os nossos titulares de órgãos de soberania estão mais que atentos ao assunto! Seguramente!
Aguardemos portanto!
AC

domingo, 16 de outubro de 2022

NO  ESSENCIAL  CONTINUA  ACTUAL

- "QUEM DOMINAR O MAR DOMINARÁ O COMÉRCIO E O COMÉRCIO É A RIQUEZA DAS NAÇÕES, ASSIM SE PODENDO TAMBÉM ACABAR POR DOMINÁ-LAS".

(séculos atrás, proferido por Sir Walter Raleigh)

No essencial continua actual. 

Em Portugal, a espaços, geme-se "ah o mar, agora é que vai ser".

É Portugal, como de costume, virado de costas para o mar, ainda que já haja ligeiramente menos incompetência, menos inconsciência, e aumentem alertas, aumentem estudos, aumentem esforços de vários.

Entretanto ainda só passaram 13 anos desde que entregámos na ONU na comissão especializada o nosso fundamentado pedido de extensão  da plataforma Continental. 

Cada vez que vejo Costa a sorrir para Suarez ou Guterres a palrar lembro-me disto.

Ah, que me lembre Marcelo tem batido muito nesta tecla não tem?

AC

sábado, 25 de junho de 2022

PLATAFORMA  CONTINENTAL

Em que pé estará este tema? 
Não se pode exigir celeridade, não é, o processo ainda só começou em Janeiro passado, NÉ?
E com os nossos amigos aqui ao lado certamente a ajudar nos "fora" internacionais e concretamente na ONU.
E como é um assunto nada relevante para Portugal, nada importante, é por isso mesmo que as televisões, os jornais e as revistas semanais nada falam sobre isto. Veremos se na semana que vem abordam a coisa.
Portugal, sempre no seu melhor.
AC 

domingo, 10 de fevereiro de 2019

EXTENSÃO PLATAFORMA CONTINENTAL
Há anos que o projecto foi apresentado nas competentes instâncias internacionais.
Espanha é, quase de certeza, um dos países que por baixo da mesa senão mesmo por cima dela,  mais deve andar há anos a tentar boicotar esta aspiração Portuguesa. Basta atentar nas jogadas periódicas para nos tentar roubar o controlo do espaço aéreo civil sobre as águas que estão sob nossa jurisdição.
Um dos muitos problemas/ temas da vida nacional que passam completamente ao lado do "jornalismo" (??????) caseiro, tal como nem está na cabeça dos sucessivos governantes. Tal como se passa com os rios e a pouca vergonha crescente do que Espanha vai fazendo.
NÃO, NÃO SOU CABRITA, NUNCA FUI CAVACO, NEM BARROSO, MENOS AINDA GUTERRES "o Mole", NEM COSTA, pouco PASSOS, Nem CÉSAR..............
Como estará o processo da plataforma?
António Cabral (AC)

terça-feira, 20 de março de 2018

EUROPEAN SEA
Foi hoje, de manhã e de tarde, 20 de Março, reitoria da Universidade Nova de Lisboa. 
Conferência UNV. NOVA/ Jean Monet Chair, in EU Integrated Maritime Policy and Blue Growth.
Gostei do que ouvi, gostei do que vi. 
Ouvi várias coisas que já sabia, ouvi falar sobre outros temas que mal conhecia. 
Falou-se de, ciência, desenvolvimento sustentável, inovação, profissões ligadas ao mar, os riscos e os desafios, o alargamento da plataforma continental portuguesa, a economia azul, aspectos relacionados com segurança e com defesa, perspectivas diversas a médio e longo prazo.
Vi conhecidos da profissão e outros, vi um amigo, e almocei com um bom amigo, fora da universidade, muito perto da Gulbenkian, belas pataniscas de bacalhau.
O melhor do almoço foi a amizade, a companhia, uma passagem por temas nacionais e internacionais e, até, um "poucachinho" (onde é que já ouvi isto?) sobre banca mas, o melhor mesmo, foi sobre as famílias e os nossos NETOS.
Voltando à conferência, há aquele ditado mais vale tarde que nunca.
Penso que nesta área, mar/ oceanos, se pode aplicar.
Quero com isto dizer que, por exemplo, há quinze anos foram definidos objectivos políticos, a então Comissão Estratégica dos Oceanos ficou de definir uma estratégia nacional para os oceanos, e foi depois apresentado um volumoso trabalho sobre isso.
Entretanto Barroso pirou-se para a UE e daí para cá algumas coisas foram sendo feitas. Mas, a sério........
Certo parece-me ser que a importância estratégica do mar para o nosso País é inegável.
Mas será que, de 2003 até ao presente, as prioridades aos assuntos dos oceanos estão claramente definidas mas sobretudo plasmadas com elevada prioridade nos programas dos sucessivos governos e transpostas no concreto para os OE's ?
Não tenhamos dúvida alguma, o mar constitui o mais importante recurso natural de Portugal. 
A área molhada sob jurisdição nacional é enorme, e maior será se a plataforma continental vir a sua extensão aprovada. 
É e será ainda mais uma área geo-estratégica decisiva na vertente da segurança e da defesa, para o País, para a Europa. Pelo menos.
Gostei do que ouvi e gostei do que vi.
Mas..................António Cabral

terça-feira, 23 de maio de 2017

CREIO, UMA BOA NOTÍCIA PARA O PAÍS
Pelo que li, mais ou menos em doze meses, está a flutuar a "carcassa" de mais um navio para a Marinha Portuguesa, que carente está de mais meios. 
Mais um patrulha oceânico, atracado já nos estaleiros em Viana do Castelo, e agora há que o "rechear", para poder partir para as missões no mar. 
Um MAR que este País tem, um MAR que nunca mais acaba. Aliás, se Deus quiser e as cobiças alheias não nos tramarem, viremos a ter, além do mar que já temos, uma enorme extensão da Plataforma Continental. Aguardemos.
AC

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Da série tempo perdido.
O MAR

O mar é tema recorrente. Nas últimas décadas tem tido "dias". O saudoso professor Ernani Lopes muito batalhou pel' "O cluster do mar". Falava da economia do mar. Os políticos nada lhe ligaram. À criação em 2003 da Comissão Estratégica dos Oceanos, os políticos nada ou pouco ligaram. Tema rapidamente na gaveta do grasnar polítiqueiro. Mais recentemente, luminárias grasnam - o mar, o mar!. Repare-se na lata de um dos maiores responsáveis pela política (???) nacional no "pós 25 de Abril” que, aparentemente e por exemplo, pouco ou nada se incomodou com a progressiva destruição de estaleiros navais, com o quase desaparecimentos da frota de pesca, etc.

Repescam as águas sob jurisdição nacional. Que esforços efectivos, na cena internacional para que, por exemplo, se consiga de facto alargar a plataforma continental? É processo de anos, certo, e sei que muita negociação tem que ser reservada. Mas também sei, os silêncios em Portugal muito servem para esconder a incompetência, o compadrio, a negligência.
Depois admiram-se das birras dos vizinhos, cheios de problemas em casa, e que por isso recorrem á velha prática do desviar as atenções para a cena internacional, apontando o dedo para nós. Aliás, parece que gostam de apontar o dedo para tudo o que é "rochedo".

No passado, de outro alto responsável pelo estado a que chegámos, até se ouviu - "Nação euro-atlântica, com vastíssima zona económica exclusiva a defender e um território descontinuado, separado pelo mar………………...salta à vista que Portugal precisa de dispor de um aparelho militar altamente profissionalizado,……………..valorizar a dimensão atlântica de Portugal, com o objectivo de favorecer uma posição autónoma do País no espaço europeu ocidental, constitui tema obrigatório para reflexão e acção políticas sobre o nosso futuro colectivo. Ocupar o mar, nos planos científico, geo-estratégico e económico, constitui certamente um dos vectores fundamentais do grande desafio da modernidade com que Portugal está hoje confrontado". Pelo labor conhecido dessa criatura, vê-se quanto se têm esforçado as luminárias para deixar o papaguear e passar à acção. Inconsequentes e irresponsáveis, como de costume.

Vem-me á cabeça a célebre frase sempre na boca dos polítiqueiros - "reformas do estado". Como se faz hoje, uma coisa que devia ter sido iniciada pelo menos em 1982, e que nenhum senador, palhaço, mandante, tiranete, ou delfim, deseja seriamente levar a efeito?

Nesta questão do cluster/ economia do mar, talvez fosse interessante aprofundar nas áreas portuárias, de uma vez por todas, a questão dos sindicatos, as questões patrimoniais, as actividades subsidiárias e as acessórias, que tipo de equilíbrio nessas matérias entre os portos nacionais, as servidões, as concessões de serviço público, as actividades das entidades diversas que actuam nas áreas portuárias (estiva, reparação naval, acostagem, agentes de navegação, reboque, água, pilotagem, recolha de produtos, etc.). Porque há muita coisa envolvida.
A competitividade dos nossos portos, as exportações, passam provavelmente também por apreciar questões como, as tarifas de uso dos portos, taxas de pilotagem, gestão de resíduos, problemas relativos a armazenagem, gestão e movimentação de contentores, tarifas dominiais, etc.

Comissão Interministerial para os Assuntos do Mar? Qual a saúde da Estratégia Nacional para o Mar? Como estamos noutras áreas da economia do mar, por exemplo, com a pesca e tudo o que lhe está associado? E a degradação do ambiente marinho? Quem, politicamente, quer de facto equilibrar estas decisivas áreas? As questões relativas ao mar, o MAR, não devia ser um dos temas fora do combate partidário?

Passam os anos e palavras voaram, mas temo que pouco de concreto esteja solidamente feito, e equilibrado no conjunto nacional. Mas posso estar enganado.
Creio acertar se disser que passam os governos mas, quanto a autoridade………..continua arredia. Precisavam de ter interiorizado coisas "simples" como, acção legítima, poder e autoridade, capacidade, vontade, estratégia, serviço público, etc. Mas isso cansava muito, sobretudo depois das constantes almoçaradas e passeatas pelo País pagas por todos nós.

Em tudo, deveria estar presente o dever de serviço público, o bem comum, sem prejuízo do legítimo lucro inerente ás actividades, dentro de normativos prudentes. Presumo que seja possível conciliar isto tudo com a diminuição de custos, sem prejuízo dos serviços prestados.
A terminar, recordo um exemplo que conheço. Se uma determinada empresa estrangeira se instalou em Lisboa há bem poucos anos, e recentemente em Sines, não deve estar a perder dinheiro. E certamente que, actuando no mar, em ambiente as mais das vezes adverso, se preparou bem nos quadros logístico, ambiental, tecnológico, operacional, de pessoal.
Portanto, parece-me possível ajudar no plano estrutural e formal, para que a economia do mar se desenvolva. E, por favor, não me falem da epopeia dos descobrimentos, que tem lugar ímpar no nosso passado, mas que nada resolve hoje, nem me coloca nada na mesa, nem na CGA.
AC