terça-feira, 5 de maio de 2020

NÃO HAVIA NECESSIDADE

O que o Presidente não deve fazer (20): Sacudir a água do capote

1. Com surpresa geral, o Presidente da República veio demarcar-se da celebração do 1º de Maio da CGTP em Lisboa, dizendo que não contava com a dimensão que a manifestação tomou. Ora, foi o Presidente que estabeleceu essa derrogação singular das regras de proibição de manifestações no decreto presidencial sobre o estado de emergência; que assinou o decreto governamental que o fez aplicar; e que esteve em contacto diretamente com a CGTP para se inteirar dos pormenores da manifestação.
Por isso, não lhe fica bem vir agora criticar o evento, face à sua condenação generalizada. O mal esteve sempre na admissão da derrogação - como aqui assinalei - , cuja expressão a CGTP nunca escondeu.

2. O Presidente tem andado muito bem em toda esta emergência nacional, com determinação e equilíbrio, até na contenção da sua habitual hiperatividade mediática. Foi uma contribuição decisiva, pela sua ação pessoal e pela cobertura que deu ao Governo, para a necessária confiança dos portugueses nas instituições e na sua capacidade para enfrentar a crise.
É pena, por isso, que o Presidente tenha decidido pontuar menos bem o seu desempenho com o discurso autojustificativo na insólita comemoração privativa do 25 de Abril na AR e agora neste declinar de responsabilidades políticas em relação à manifestação do 1º de Maio, que desde o início abraçou.
Não havia necessidade.

NÃO HAVIA NECESSIDADE de TANTO DISPARATE.
Não havia necessidade de Marcelo ter assinado expressamente a derrogação que permitiu com a maior das pouca vergonhas a manifestação da conhecida arrogância do PCP = CGTP, um verdadeiro orgão de soberania neste desgraçado País.

NÃO HAVIA NECESSIDADE de Marcelo enquanto presidente desta tão maltratada República andar a tratar de questões administrativas e logísticas com uma central sindical ainda por cima sabendo-se quão manhosa e matreira é.

NÃO HAVIA NECESSIDADE de Marcelo vir confessar a sua "espantação", numa atitude de aparente dignidade, uma atitude lamentável de declinar responsabilidades QUE TEVE, atitude que é pior que um lamaçal nas calças depois de em dia de intempérie passar um carro veloz junto ao passeio.

NÃO HAVIA NECESSIDADE, mas parece que ainda não percebeu que diariamente está a proceder muitas vezes mal e a dar cabo da paciência das pessoas que, como eu, entenderam que ele era melhor para presidente.
AC

Sem comentários:

Enviar um comentário