segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

COMUNICAÇÃO  SOCIAL
O que expressa a Constituição da República Portuguesa (CRP)?
Vejamos designadamente o seguinte:
1 - Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária (Art.1º).
2 - No nosso país é basilar a pluralidade de expressão, como se lê no Art. 2º.
3 - A liberdade de expressão e informação está consignada no Art. 37º, e não pode ser impedida ou limitada por qualquer tipo ou forma de censura.
4 - A liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e criação dos jornalistas estão expressos no Art. 38º.
5 - A liberdade de imprensa implica também o direito de fundação de jornais e de quaisquer outras publicações sem necessidade de autorizações ou cauções, como se lê no mesmo Art.
6 - A lei assegura, com caráter genérico, a divulgação da titularidade e dos meios de financiamento  dos órgãos de comunicação social (nº3, Art. 38º).
7 - O Estado assegura a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social  perante o poder político e o poder económico . . . impedindo a sua concentração, designadamente através de participações múltiplas ou cruzadas. (nº4, Art. 38º).
8 - O Estado assegura a existência e o funcionamento de um serviço público de rádio e de televisão.
9 - O Art. 39º aborda a regulação da comunicação social, e o Art. 40º os direitos de antena.

Nos últimos anos, curiosamente dentro dos consulados de António Costa (mais um legado?), a comunicação social tem andado tumultuosa nomeadamente quanto a aquisições, vendas, etc.
Mais recentemente, um grupo detentor de nomes carismáticos, TSF, JN e DN está, ao que dizem, com problemas diversos, financeiros, os trabalhadores ameaçados por diferentes formas, vencimentos, intrusão nas linhas editoriais, despedimentos em que alguns falam até em colectivos, etc.

Mas não é só nesse grupo que se verificam aflições, problemas, interrogações. Os OCS, a menos que eu esteja a ver mal a coisa, estão num turbilhão.

Nos últimos dias temos Moedas muito solidariamente a alertar para um golpe, Marcelo a dizer que este é o momento, como não se tivesse vislumbrado há anos o que está aí. 
Quer entendimentos de regime, diz-se realista, pelos vistos recorda-se (afinal tem memória) de sinais de alarme no passado, refere riscos para a democracia. 
Quer fórmulas para viabilizar aquilo que é fundamental para a democracia. Mas como de costume Marcelo nada sugere de concreto! 
Rematou -"Às tantas só falta dizer que os responsáveis são os jornalistas. Para que quiseram ser jornalistas e escolheram a porta errada".

Por outro lado temos uma criatura inarrável a defender a nacionalização urgente do grupo Global Media. JÁ! 
As vacuidades do costume, para se porem bem nas fotografias, em espelhos convexos umas vezes, côncavos em outras.

Esquecem, creio, aspectos políticos e constitucionais.
Quanto à CRP acima recordei o que expressa, e não há como fugir disso. Creio.

A inarrável que clama por nacionalização já, ela e muita gente mais, deviam era em tempo útil ter cuidado de atentar se o que diz o Art. 38º tem sido cumprido e, por exemplo, por António Costa e seus governos. Além de que no seu trabalhinho talvez devesse/m há mais anos ter diferente postura e rigor.

Não creio que caiba ao Estado gerir órgãos de comunicação social.

Não me parece mas posso estar enganado, que a inarrável e muitos outros se venham debruçando há anos sobre o rigor do que tem sido a gestão dos vários OCS ao longo dos anos, se tem havido ou não instrumentalização de vários títulos de OCS, sobre as tiragens dos jornais, e os porquês do seu decréscimo brutal, ou sobre o que se passa no mundo das rádios e jornais regionais. Etc.

Quando um DN tem há anos tiragens pornograficamente ridículas  agora é que dizem que o rei vai nu?
Quando o jornal dos escândalos e crimes passou a ter menos de metade das tiragens que tinha há poucos anos, agora bramam que o rei vai nu?

Marcelo isenta, parece-me, os jornalistas de qualquer culpa.
Mas será mesmo assim, não têm responsabilidades na situação? 
Ou foi uma das suas habituais tiradas/ vacuidades para manter o afecto deles e delas? 
Creio que é pelos afectos. Adiante.

Os do "Público" vivem à conta dos herdeiros de Belmiro. Até . . . 
Que sustentam um jornal com uma tiragem ridícula, com funcionários que defendem que eu e outros tenho que os sustentar.
Que me dão em troca?
Que informação recebo, rigorosa, sem propaganda, sem facciosismo, sem fretes aos que mandam? Sem fretes aos fracturantes?

Não, há anos que não compro o Público, que regularmente comprei até 2004. De vez em quando leio as gordas dos títulos via"online" e alguns textos que amigos me endereçam para conversarmos depois sobre certos temas.

Raramente compro o Expresso, comprava-o há uns anos. 
Não compro Correio da Manhã, comprei meia dúzia de vezes o I às 4ª feiras, não compro nem nunca comprei os chamados jornais desportivos, não compro o Sol, não compro o Avante nem o Diabo, comprei algumas vezes o Novo porque lá escrevia um bloguista que respeito, não compro o Diário de Notícias, não compro o JN, não compro a Sábado nem a Visão, não compro "socialites", compro raramente Evasões, JL, Courrier Internacional, Turbo, Informática, revistas sobre casas e decorações, Jornal de Negócios e Jornal Económico, e leio com frequência a Reconquista de Castelo Branco e pesquiso na NET jornais regionais das Beiras. 

Vejo pouca televisão, muito pouca, ouço a Antena 2, a RR, a RFM, a M80, a Smooth e as notícias na TSF.

Olhando para trás, a seguir ao 25ABR74 o que foi desaparecendo?
Por exemplo, a Capital, Diário Popular, Século, Século Ilustrado, Vida Mundial, Flama, Diário de Lisboa, etc.
E a situação da imprensa regional? E as rádios regionais?

Qual a dívida brutal do grupo Impresa? Como é possível ser sustentada tal dívida? Lê-se nos OCS 150 milhões. Se é isto, quem suporta e porquê?
Qual a brutal dívida do grupo de Luís Delgado?
Quais as dívidas dos outros grupos?
Qual a dívida do DN? Do JN? Da TSF?
Qual a dívida do Público?

Razões para a crise dos OCS em Portugal?
Creio serem várias:
- como em muitos países, abandono progressivo de versão papel,
- a emergência de novas tecnologias,
- nos dias que agora correm surge o perigo da IA,
- os fretes escandalosos de vários OCS aos poderes que foram estando,
- cada vez mais a noção de real perda de independência face aos que mandam política e economicamente,
- crescente má qualidade profissional dos jornalistas e não me refiro aos "pés de microfone" que andam na rua,
- quase nenhuma investigação,
- crescente ausência de rigor quanto a notícias, 
- crescente desinformação, 

O jornalismo é essencial para a qualidade da democracia. Mas hoje em dia o escrutínio que os media portugueses fazem é muito deficiente para dizer o mínimo.
Escrutínio e jornalismo são decisivos para a democracia.
Mas se o jornalismo se acomoda . . . . não se queixem.

Eu assino o que gosto e só tenho uma assinatura digital. Um amigo tem várias e ás vezes partilha comigo certos textos.

Será que certas criaturas, certos jornalistas que agora bramam, nunca perceberam o que aí vinha? 
Acautelaram o seu e nosso mundo? 
Não creio, querem ser sustentados porque sim.
E, também por isto, a democracia, o regime em que felizmente vivo, está doente.

Nacionalizar? Tenham juízo, de uma vez por todas.
Cumpram o vosso importantíssimo papel na sociedade e as tiragens começarão a subir e as assinaturas digitais a aumentar. É minha convicção.
Estou e presumo que muitos, cansados dos que se consideram deuses da informação, dos inchados até por terem recebido umas prebendas presidenciais.

E a escola de jornalistas? E a carteira? E o sindicato? E as seitas e favores?
E o historial dos congressos de jornalistas?
E o que têm escrito nos últimos anos, está tudo colado às realidades do nosso país, da nossa sociedade ou a certas agendas?

Fico por aqui.
Tenham uma boa semana. Saúde.
António Cabral (AC)

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