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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

RECORDANDO

Coitado, foi para o Panteão...

por Carlos de Matos Gomes


"As sociedades necessitam de símbolos para representarem os seus valores. A arquitectura, a estatuária, a pintura, a arte em geral também cumprem esse papel de dar forma e local de culto ao que uma sociedade considera ser a sua essência, aquilo que pode ser designado pela sua alma.

Em África, por exemplo, certas culturas têm as suas árvores sagradas. Na Guiné, na Senegâmbia, chamam-lhes Irã. É ali que repousam os espíritos dos antepassados e ali que eles podem ser chamados a pronunciar-se sobre o presente e a transmitir aos atuais a sabedoria que recolheram da vida, a aconselhar, a julgar.

Os panteões começaram por ser os locais de reunião dos vários deuses de uma dada região e de uma dada cultura, ou civilização. Foram um primeiro passo para o monoteísmo. Ali se reuniam todos os veneráveis, num único lugar. Diferiam dos templos porque, ao contrário destes, não tinham altar, não eram lugar de sacrifício, nem de oferendas, apenas de veneração, de unanimidade sobre um certo modo de viver, que aqueles seres divinizados representavam.

Os modernos panteões retomaram esse espirito numa vertente laica e republicana. Pretenderam reunir aqueles que uma dada nação considerava como os seus faróis, aqueles que foram orientando a sociedade e dotando-a de uma identidade. Aqueles que foram capazes de decantar a essência do seu povo.
A ideia de reunir esses símbolos é em si mesmo louvável. Mas é necessário deixar que o tempo faça o seu trabalho, limpando o efémero. 

É necessário envelhecer bem para merecer o Panteão. Um panteão não é uma caderneta de cromos com os bonecos dos futebolistas que jogaram nesse anos na primeira divisão.

Vem isto a propósito da nova moda dos panteonáveis. 
Tenho a minha opinião sobre os que lá estão, os da primeira vaga e os da segunda, mas não é sobre um referendo a propósito de inclusões ou exclusões que me parece saudável discutir, mas sobre o conceito de “ir para o panteão”. 

O ir para o panteão, já, como se ouviu após a morte de Eusébio e agora com a morte de Manuel de Oliveira é o correspondente ao sanctus súbito da Igreja Católica, que deu por vezes péssimos exemplares de santos. 
O outro perigo é o de transformar o Panteão numa montra dos famosos da época, de amigos de um dado regime. Ou num local da moda. Num cemitério de personalidades – um PéreLachaise no Campo de Santa Clara, na antiga igreja de Santa Engrácia- em vez de ser uma fonte, uma árvore numa floresta sagrada.

É evidente que todas as personalidades ultimamente panteonadas são ilustres, a questão não é essa, é a de a sociedade portuguesa entender que o Panteão passou a ser o jazigo dos ilustres. 
Isto é, se o Panteão português passou a ter outra finalidade. 

É que, se o Panteão passou a ser o cemitério do PéreLachaise de Portugal convém desimpedir o campo à volta de modo a albergar a vaga de famosos que mais cedo ou mais tarde falecerão e que terão tanto direito como outros a ali figurar, lembro, sem nenhum desejo de lhes apressar o fim, longe vá o agoiro, atletas como Carlos Lopes, Rosa Mota, Joaquim Agostinho, atores e actrizes como Rui de Carvalho, ou Eunice Munõz, ou Maria de Medeiros, filósofos como Eduardo Lourenço, músicos como Chaínho, pintores como Pomar, escritores como Agustina e pergunto onde estarão, entre outros, o Zeca Afonso, ou Agostinho da Silva, ou Saramago, ou Eugénio de Andrade, ou Natália Correia, ou Amadeo de Souza Cardoso, administradores como Azeredo Perdigão, ou engenheiros de grandes obras como Edgar Cardoso, enfim a lista podia continuar com os acrescentos e exclusões de cada um, se a ideia for panteonar os nossos ilustres concidadãos e não aqueles que dirão aos nossos descendentes onde devem lançar a âncora, aqui e não ali, as boas épocas para viajar, ou de ficar em casa, as de correr ou as de andar, as de lutar ou as de negociar…

No romance Para Sempre, Vergílio Ferreira (aí está outro panteonável) coloca vários escritores de várias épocas a comentarem as vicissitudes de história numa imaginária biblioteca. 
Eu vejo o Panteão como a biblioteca do Para Sempre, com os ilustres que lá se encontram a reflectirem sobre Portugal, sobre os portugueses, sobre o que somos, sobre o nosso futuro e a deixarem-nos ouvi-los. 

Eu, por exemplo, de todos os ilustres lá imortalizados, o que me parece ter dado a melhor resposta às perguntas que eu lhe faria sobre o que de mais importante devíamos fazer para vivermos melhor e sermos melhores, sobre a causa da nossa pobre situação foi João de Deus: aprendam a ler! E deixou-nos uma cartilha! Inteligente e eficaz. Um caso raro.

Para já, o que oiço dos que andam cá por fora é: coitado, lá vai mais um para o panteão. Ou a nova versão da frase de Almeida Garrett: Foge cão que te mandam para o panteão! O que não honra o Panteão, nem quem lá está, nem quem lá deverá estar…
O populismo é sempre mau conselheiro e, como diz o povo, cadelas apressadas parem cães cegos. 
Ainda corremos o risco de lá irem parar o Alves dos Reis e o Ricardo Espírito Santo, os maiores fazedores de dinheiro falso…"

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

E LÁ FOI ELE PARA O PANTEÃO

Daquelas "personalidades" (?) todas, quantos lerão lido o todo do que  ali foi recordado?

Quantos por exemplo terão entabulado "conversa" com o "Gonçalo", com o criado Bento, a Tia Louredo, o José Lúcio, a Cozinheira Rosa, o Manel Relho, o Titó, etc.

AC

sábado, 19 de dezembro de 2020

A "TASK FORCE"

Por culpa própria na esmagadora maioria dos casos, Costa e ajudantes estão a sentir-se apertados, cada vez mais apertados. Costa parece um bombeiro a correr de fogo em fogo mas, como é fraco bombeiro, nem todos os fogos consegue apagar. 

Para quem anda atento, desde sempre que não é só com este governo e com estes pantomineiros, parece-me claro que de há certo tempo há por aí uns"spin doctors" a tentar desviar as atenções das broncas, a movimentar campanhas de intoxicação, a entreter o pagode. Têm para isso além do mais, uma quantidade de serventuários nos OCS.

A "task force" rosa lembrou-se agora de levantar o tema "Eça ao Panteão Nacional". Curiosamente, a picareta falante de Belém nada disse sobre isto, a menos que eu esteja distraído.

Ora levantar os restos mortais em Tormes, viajar até à capital e depois de pompa e circunstância depositar no Panteão Nacional, requer várias burocracias e, creio eu, prévia concordância e autorização da família.

Estes Abranhos de hoje, estes miseráveis Raposinhos do presente são capazes de se tornar encantadores de serpentes só para ver se nos distraímos durante algum tempo das imbecilidades, das incompetências, das pouca vergonhas que praticam.

Teremos de aguardar para ver o que acontecerá. Por mim, cada vez mais me apetece desancar esta canalha à bengalada à boa maneira de antigamente. É o que merece certa canalha que anuncia esta coisa com aquele brilho nos olhos e sorriso descarado.

AC

quinta-feira, 12 de julho de 2018

PARA OS AMIGOS TUDO,
PARA OS INIMIGOS NADA,
A OUTROS APLIQUE-SE A LEI
Ao longo das últimas 4 décadas esta doutrina tem sido aplicada diligentemente.
Por quem bem se sabe, e seus apaniguados e continuadores.
Cada fornada de deputados, os chamados eleitos pelo povo, vem contribuindo cada vez mais e desastradamente para que os cidadãos em geral mais se afastem das instituições, crescentemente desconfiem dos políticos, mais firmemente tenham a convicção de que eles, na maioria e essencialmente, se servem em vez de servirem a sociedade/ País.
Vem isto a propósito desta, para mim naturalmente, vergonhosa e discriminatória proposta para levar os restos mortais de Mário Soares para o Panteão Nacional.
Que palavras se deve ter presente nesta afrontosa proposta subscrita pelo PS e pelo lacaio PSD? 
Descaramento - Pois fica bem evidente que o PS e seu amigo Rui Rio querem entronizar definitivamente Mário Soares. Para ele apenas, e para tentarem disfarçar arranjaram a coisa - "....ah e mais os chefes de Estado"
Pergunto, porque não puseram então na proposta - incluindo todos os chefes de Estado desde 24 de Abril de 1974?
Desigualdade e discriminação - A que propósito os chefes de Estado são automaticamente mais que outros, desde o simples cidadão comum a um qualquer médico, investigador, escritor, pintora, militar, cantor, futebolista, etc, em que o desempenho na sua vida tenha sido de lustre para o seu País?
Memória e tempo de reflexão - se por exemplo o argumento for - "........ah vamos fazer / discutir isto agora enquanto todos se lembram do que foi e do que fez..." então talvez o sustentáculo para a iniciativa seja fraco, e o que se pretende à força é marcar a história com certas cores enquanto cantam de galo o que, na minha opinião naturalmente e sem negar vários méritos, tem muito que se lhe diga.
Compadrio - nesta vertente parece-me evidente que é o caso, compadrio maçónico, socialista, que nada tem a ver com mérito.
Lei - a lei, para esta gentalha que quer rescrever tudo desde Afonso Henriques e agitar diariamente a sociedade com as suas loucuras fracturantes que designam por evolução / avanço geracional (??), é coisa a que, frequentemente e sempre que não lhes interessa, limpam o rabinho.
No caso em apreço, há bem pouco tempo tinha sido aprovada por unanimidade uma lei sobre o assunto "moradores no panteão" que estipulava 20 anos para ponderação e distanciamento.
Agora querem 2 anos para Mário Soares; isto nem chega a ser um gato todo de fora com meio rabo escondido. Porque não apenas um mês que é o tempo suficiente para a GNR treinar e os VIP (Very Important Potatoes) alugarem as fatiotas e planear-se a cerimónia?
Mais um exemplo daquilo a que se chegou, e da corja que nos estralhaça a vida.
Claro que o comentador do reino disse logo - "pois claro". Aparentemente, um conhecido fala barato que por aí anda terá dito que entre o "tio" e Marcelo votava Marcelo. 
Mais palavras para quê!!
AC