Uma das várias coisas que aprecio imenso na minha mãe é a memória.
Para 95 anos e meio tem uma memória espantosa, datas de aniversário de quase toda a gente da família e de alguns conhecidos, episódios da sua complicada vida designadamente nos 7 anos em Angola, etc.
Vem isto a propósito de um senhor que agora publicou o seu livro com as suas "Memórias Improváveis".
Não sou jurista mas, se não tenho as competências mínimas para formular juízos técnicos sobre o senhor, sobre os seus 16 anos de reinado, como cidadão considero-me no direito de apreciar os resultados da sua acção, designadamente sobre os casos mais mediáticos.
Acredito sem margem para dúvidas que deve ter tido pressões várias dos poderes públicos com que conviveu no seu reinado. Lamentáveis. Tudo indica que terá tido uma boa capacidade de resistência. Fez muito bem.
Acredito sem margem para dúvidas que deve ter tido pressões várias dos poderes públicos com que conviveu no seu reinado. Lamentáveis. Tudo indica que terá tido uma boa capacidade de resistência. Fez muito bem.
O título do Público - “Continuo a fazer a boa escolha em cada momento, doa a quem doer” - leva-me a puxar pela memória e se o senhor diz que sempre foi como foi doesse a quem doesse, acho curioso por exemplo que se insurja com as declarações de uns quantos deputados e ex-deputados sobre Camarate. Será que se irrita por alguém sugerir que Camarate talvez não tenha sido investigado como devia ter sido? Acho aliás, também, curiosos certos pedidos públicos de desculpas por coisas políticas dessa época e que se calhar ajudam a perceber algumas coisas. Oh se ajudam!
Mas, sobretudo, acho ainda mais curioso outra área e recorda-me os srs Mário Soares, Rui Mateus, Melancia o homem de Castelo de Vide que de amigo terá passado a inimigo ou mesmo incómodo, e ainda os negócios envolvendo Macau. Conhecendo alguns casos concretos sobre Macau, percebe-se melhor porque o caso do chamado Fax de Macau nunca deu incómodo a quem o devia ter dado. Dizem alguns "raison d'Etat". É aliás uma das coisas interessantes da nossa vida pública contar as pessoas "Rosa" que fizeram a vidinha em Macau e por cá têm ajudado anos e anos a este pântano. Até recentemente houve uns da chamada 2ª linha que tiveram de vir embora do reino das ex-patacas. Conheço bem um caso, e que logo por cá se reinstalou, pois claro!
Enfim memórias improváveis, e....... alguma falta de memória, NÃO?
AC
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