(sublinhados da minha responsabilidade)
Como ouvi um dia ao Carlos Guimarães Pinto, a propósito das discussões sobre as catástrofes ambientais por vir, para os que, como eu, acham que à medida que as restrições de contexto forem sendo mais severas, as sociedades vão inventando soluções para lhes responder, é preciso que esta hipótese esteja sempre, sempre certa, mas para os malthusianos que acham que um mundo de recursos finitos um dia acabará por resultar numa catástrofe ambiental se não nos moderarmos, basta que tenham razão uma vez.
Até aqui, cada um de nós acredita no que quiser, encontrando as explicações mais engenhosas para poder dizer que há espécies que ardem mais ou menos que outras, ou que o montado dificilmente tem incêndios como os da fotografia do início.
O que me chateia é que os jornalistas que têm como obrigação descrever o que está para cá da fé, tentem apresentar a realidade que encaixa nas suas convicções como sendo a realidade que é materialmente demonstrável, mesmo que, como é frequente, isso implique distorcer informação, omitir informação, ou exagerar um bocadinho num ponto ou noutro.
Aparentemente o Hamas, no essencial, aceitou a sua rendição e vai libertar os reféns (até ao lavar dos cestos é vindima, claro), mas haverá sempre quem negue que isto é a rendição do Hamas (por exemplo, argumentando que amanhã vai surgir outro grupo qualquer igual ao Hamas, o que é uma probabilidade razoável, mas o facto é que o Hamas não é esse grupo) e muitos mais irão negar que só se chegou a este ponto, frágil, com certeza, mas auspicioso, porque o exército israelita enfraqueceu suficiente o Hamas para o obrigar a aceitar um acordo que jamais estaria no seu horizonte há dois anos.
(Henrique Pereira dos Santos)
E aqui está mais um exemplo, mais uma clara razão para o que digo há muito tempo (opinião pessoal, discutível naturalmente, a respeitar, como eu respeito sempre a opinião de outrem mesmo dela discordando liminarmente), e que é, estar farto de todos o que persistem em querer que eu veja o mundo como eles entendem que o devo ver.
Bom dia.
Tenham um bom Sábado. Saúde e boa sorte.
António Cabral (AC)
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