Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
sábado, 25 de abril de 2026
segunda-feira, 13 de março de 2023
CULTURA, LITERATURA
. . . . . Lúcia olhou em redor. Em frente da porta por onde tinha entrado outra porta abria para a varanda.
- Acolá ninguém me olha - calculou ela.
E refugiou-se na varanda.
Dali via-se o interior da sala de baile cujas janelas estava abertas.
E, lá dentro, no meio das danças e das pessoas, ela avistou o rapaz com quem dançara.
. . . . . . . . (Histórias da terra e do mar / História da gata borralheira)
AC
terça-feira, 28 de abril de 2020
Mesmo aquela que é impopular neste dia em que se invoca o povo
Pois é preciso que o povo regresse do seu longo exílio
E lhe seja proposta uma verdade inteira e não meia verdade
Meia verdade é como habitar meio quarto
Ganhar meio salário
Como só ter direito
A metade da vida
O demagogo diz da verdade a metade
E o resto joga com habilidade
Porque pensa que o povo só pensa metade
Porque pensa que o povo não percebe nem sabe
A verdade não é uma especialidade
Para especializados clérigos letrados
Não basta gritar povo
É preciso expor
Partir do olhar da mão e da razão
Partir da limpidez do elementar
Como quem parte do Sol do mar do ar
Como quem parte da terra onde os homens estão
Para construir o canto do terrestre
- Sob o ausente olhar silente de atenção -
Para construir a festa do terrestre
Na nudez de alegria que nos veste.
Sophia de Mello Breyner Andresen | "O nome das coisas", 1977
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
Nestes versos, em quem estaria Sophia a pensar?
Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos calados
Onde germina calada podridão
Porque os outros se calam mas tu não
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.
AC
quinta-feira, 21 de março de 2019
sexta-feira, 8 de março de 2019
sexta-feira, 1 de março de 2019
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
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Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e a terra
(Sophia de Mello Breyner Andressen, O nome das coisas, Assírio&Alvin)
Palpita-se que, no Largo do Rato, como em outras sedes partidárias, como na AR, como em casa de uma cambada de figurões, como em certos palácios do poder instalado e do poder instituído, não apreciarão este naco de poesia.
AC
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
"É preciso que acabe a demagogia.
A demagogia que ora é a linguagem do subdesenvolvimento cultural, ora é a linguagem cínica de um novo oportunismo, de um novo farisaísmo, de uma nova ganância de poder e promoção.
Um novo aparecimento de ratos.
E não posso deixar de dizer a minha profunda revolta quando continuamente, em todos os meios de comunicação social, vejo a palavra falsificada e a informação deturpada e traída" (Sophia de Mello Breyner Andersen, O Século, 21 Janeiro, 1975).
AC
quarta-feira, 25 de abril de 2018
(Sophia de Mello Breyner Andressen)
Bailarina fui
Mas nunca dancei
Em frente das grades
Só três passos dei
Tão breve o começo
Tão cedo negado
Dancei no avesso
Do tempo bailado
Dançarina fui
Mas nunca bailei
Deixei-me ficar
Na prisão do rei
Onde o mar aberto
E o tempo lavado?
Perdi-me tão perto
Do jardim buscado
Bailarina fui
Mas nunca bailei
Minha vida toda
Como cega errei
Minha vida atada
Nunca a desatei
Como Rimbaud disse
Também eu direi:
"Juventude ociosa
Por tudo iludida
Por delicadeza
Perdi minha vida"
António Cabral (AC)


