segunda-feira, 23 de novembro de 2020

 23 NOVEMBRO 2020

> 1925 - Alves dos Reis, "famoso" aldrabão da nossa praça, vê publicado no jornal "O Século" um artigo sobre si e suas "habilidades"

> 1944 - Porto, doutoramento de Leopoldina Ferreira Paulo com a tese "Alguns caracteres morfológicos da mão nos portugueses"

> 1961 - Madrid, Franco e Thomas encontram-se

> 2002 - O caso da rede de pedofilia da Casa Pia de Lisboa

AC

domingo, 22 de novembro de 2020

DOMINGO, Almoço, Confinamento, Caminhada

Domingo, Sol, excelente almoço caseiro, seguiu-se uma pequeníssima caminhada basicamente 1 Km entre sair a porta de casa e regressar.

Nem uma alma penada na rua. Apenas eu. A fotografia mostra o desolado vazio, ninguém, num sítio onde raramente não estão dezenas e dezenas de pessoas. É a vida!

AC

PORTÃO.............ALDEIA

AC

 R E C O R D A N D O

Bom Domingo, "confinado".
AC

AS VIGARICES e as POUCA VERGONHAS

São umas atrás das outras. Há décadas.

Mas, dizem, os tipos têm boa imprensa. Já pensaram como se arranja boa imprensa? Uns almocinhos, convites especiais seja em bilhetes seja em géneros, vernissages privadas, lugares para os filhos, lugares na máquina do Estado, informações privilegiadas, viagens, etc.

Sabem não sabem? Se não sabem, essa é exactamente uma das variadas e fortes razões para continuar este intrujão da pior espécie a tratar da vida, e a dar cabo da nossa.

Este exemplo da circulação automóvel em Lisboa é só mais um e bem  elucidativo.

Ao que parece, o trânsito nas laterais da Avenida da Liberdade voltará a curto prazo a ter uma circulação racional.

Porque, desde 2012, irracionalidade, experimentalismo bacoco, e pesporrência de "quero posso e mando", foram uma constante daquele famoso (!?!?!?) presidente de câmara. Ah, e lembram-se quem era o 2º da câmara? Exacto, esse mesmo. E assim vão gastando o dinheiro, enquanto um bairro inteiro em Lisboa parece que continua a não ter água, luz e saneamento em condições. Mas pintem-lhes uma ou duas ruas de verde ou azul, pode ser que a malta anime!

É também nestas coisas que se esvai o dinheiro dos impostos, com prioridades bacocas, experimentalismos, e dando sempre a ganhar a certas criaturas com projectos mirabolantes, criaturas de gabinetes de onde antes, conveniente e formalmente, se desvinculam! 

Aguardemos.

AC

22 NOVEMBRO 2020

> 1497 - Vasco da Gama passa o Cabo da Boa Esperança

> 1890 - Nasce Charles de Gaulle

> 1963 - EUA, Dallas, Minh Kennedy é assassinado

> 1970 - Guiné Bissau, Guiné Conakry, Operação Mar Verde

> 1992 - Portugal, desvalorização do Escudo em 6%

> 2005 - Alemanha, Angela Merkel eleita Chanceler

AC

sábado, 21 de novembro de 2020

A  INSTITUIÇÃO  MILITAR  em  PORTUGAL
(No passado 19 de Novembro decidi escrever umas linhas sobre este tema, texto que constituiu a 1ª parte daquilo a que me propus fazer em vários "capítulos". Uma visão que partilho com o meu melhor amigo militar que, como outras, são todas de respeitar mas, creio, os factos parecem dar-nos mais razão do que a outros. A nossa visão, discutível que certamente é, não se atém a rodriguinhos, não está conotada com partidos políticos, não está conotada com grupos de pressão, não está manietada pelo que foi a carreira do meu amigo. O meu amigo teve uma carreira muito digna, atingiu o topo, e tem muito orgulho em pertencer a uma instituição secular, "a Briosa", onde durante décadas serviu procurando dar o seu melhor. Muito orgulho na instituição em que serviu Portugal, orgulho que não o impede nem impediu quando no activo de reconhecer erros cometidos dentro da instituição que abraçou, como também julga perceber parte de certas posições daqueles que pugnam por objectivos discutíveis em tudo o que respeita ao mar, objectivos e posições que respeita, mas de que discorda em grande parte. Como eu
Deixo hoje uma 2ª parte, repetindo umas frases da 1ª parte.

1ª PARTE (repetição)
É para mim inquestionável que a instituição militar deve estar, como está, constitucionalmente subordinada ao poder político, aos poderes instituídos, subordinada aos orgãos de soberania (i.e. CRP, Art. 275º, nº 3).
.......... os militares têm a legítima expectativa de serem também tratados como pessoas. Serem, portanto, tratados como todos os restantes cidadãos.
Os políticos em geral e particularmente as esquerdas e algumas direitas esquecem esta coisa simples: é que o militar antes de o ser era cidadão e, ao passar a ser militar ou seja ao ingressar nas Forças Armadas, não deixou de ser cidadão mas, voluntariamente, abdica de alguns direitos inerentes aos cidadãos comuns e que estão todos constitucionalmente consagrados

2ª PARTE

Nesta 2ª parte, e presente vários dos diferentes pontos de vista quanto a MAR, Marinha, Autoridade Marítima, GNR, soberania, CRP, lei, quero abordar um ponto central do nosso país. Um país onde, opinião nossa naturalmente, muito do que é fundamental na sociedade e na organização do Estado quase nunca se resolve, empurra-se sempre com a barriga. A casa está sempre desarrumada
Existe sempre uma amálgama terrível: governantes, políticos, incompetência, corrupção política, corrupção "tout court", descontrolo financeiro, desperdício de meios, soberania, interesses nacionais, FA, GNR, separação de responsabilidades e missões, cooperação ou não cooperação, negligenciar de leis, confusão, interesses obscuros, grupos de pressão. Resultados estão à vista.

Opinião nossa naturalmente, é que com a excepção de raros períodos de rasgo político, de visão estratégica, de noção de serviço público, de defesa de interesses nacionais, a maioria dos nossos séculos de história mostram um país em regra mal governado, sempre pobre, esbanjando em prioridades mais que discutíveis os escassos recursos disponíveis em cada época, encharcando-se em bancarrotas várias ao longo da história, sendo que as três últimas ocorreram depois de 25 de Abril de 1974.
Alguns poderão considerar que esta é uma visão catastrofista mas que, mesmo assim, aqui estamos ao fim de 877 anos. 
É verdade, aqui estamos, mas o "brilhante" (!?!?) lugar no "ranking" Europeu também existe como realidade indesmentível, e o futuro apresenta-se negro e não é só por causa da Covid-19 e, está-se mesmo a ver, a vergonhosa posição no contexto Europeu é, certamente, culpa minha e de muitos outros que como eu, mesmo com alguns erros, sempre procuraram ser rigorosos, isentos, equilibrados, e procuraram servir.

Ao longo da nossa história, sempre os militares tiveram algum papel relevante no curso dos acontecimentos, ao ponto até de, num mesmo regime político, terem tido mudanças de comportamento face à  situação política. 
Situando-me apenas a partir de 1900 e olhando particularmente para o período iniciado com a I República, o livro do saudoso José Medeiros Ferreira (JMF) “ O comportamento político dos militares” é um dos que nos dá um bom retrato dos regimes políticos e das FA ao longo do século XX. 
E creio que muito do presente se pode perceber melhor olhando lá para "trás". Parece-me indispensável olhar para a I República, e olhar "à obra" do Costa e outros dessa época e aos seus apaniguados, e aos desta época e seus correligionários.
Conhecidos e respeitados pensadores até ligados a certas esquerdas, como Eduardo Lourenço, confessaram no passado recente alguma dificuldade para compreender por exemplo e particularmente o Exército nacional. Creio que se perceberá razoavelmente se olharmos, à história e ás realidades das últimas 4 décadas muito para lá dos formalismos.

Voltando a JMF, lembra que - "a instituição militar não existia como organização unificada do Estado Imperial Português quando a Monarquia foi derrubada em 1910……….a instituição militar como que desaparecera dos centros de decisão política para se tornar um instrumento relativamente dócil e sempre subordinada ao Monarca fosse D. luís, D. Carlos ou D. Manuel II (pag 29).

Como outros, quer eu quer o meu amigo, continuamos convictos de que em tudo o que se vem passando nomeadamente desde a última revisão constitucional persiste um plano claro (nos seus ideólogos) mas dissimulado na sociedade (nunca claramente assumido) através de universidades, políticos, militares zangados, estudos académicos, associações, partidos políticos, etc., e que é, acabar com a instituição militar / FA ou, pelo menos, reduzir drasticamente a sua dimensão. Existe quem pense e provavelmente está certíssimo nessa asserção, que o ideal para alguns seria uma redução brutal para ficar uma "coisinha" de natureza pomposa e protocolar que não incomodasse suas Excelências e, ao mesmo tempo, que periodicamente fizessem uns desfiles bonitos para os senhores e senhoras assistirem embasbacados das tribunas. Desfiles acabados, perfilam-se os mercedes, audi, BMW, para levar as excelências a casa ou outra "vernissage". 
Penso o mesmo. 

Um aproveitamento inteligente de legislação existente a começar na CRP, sem cuidar de proporcionalidade, sem cuidar de sinergias e experiências, sem olhar às características do país, ajudam muito a que, tijolo a tijolo, se tentem ou construam mesmo determinados "edifícios"que, almejam certas criaturas, poderão ajudar a derrubar instituições indesejadas por essas mesmas criaturas.
É óbvio que todos aqueles que se revêem nas diatribes da I República, adorariam repetir a receita, receita que é esfrangalhar as FA ainda para mais quando hoje vivemos num mundo pacífico e em que, como advogam patéticos politicamente correctos, tão cedo as mulheres tenham a nível global intervenção maioritária nos assuntos mundiais a PAZ na terra aparecerá imediatamente. E, por isso, como na I República, esses patéticos de hoje receiam as FA (podem sempre apoiar outro Salazar, não é?) e desejam ardentemente, por exemplo, uma GNR forte a qual, ainda por cima, faz desfiles muito mais bonitos. Só aquelas plumas nos capacetes, e os cavalos, meu Deus!

Escreveu JMF no seu livro - ......a Armada era indiscutivelmente um apoio muito mais seguro do Partido democrático do que o Exército.....(pag 49)
......o governo irá optar pela construção de unidades exequíveis no Arsenal da Marinha por mão-de-obra nacional e expressamente aludirá o governo no decreto de 20 de Agosto que consignou 559 contos para a construção de dois contratorpedeiros iguais ao "Douro"....(pag 50)
....Neste período dos finais da guerra (IGG) as Forças Armadas vão eclipsar-se como instituição..... (pag 74)
......todos os movimentos políticos trabalhavam no interior das FA. Em 1923 é mesmo detectada ampla propaganda comunista nos  Regimentos de Infantaria nº 6 e nº 31 (pag 104)
.......os anos que medeiam entre 1919 e 1922 vão ser caracterizados pelo engrandecimento da GNR.......(pag 104)
........a 13 de Maio de 1922, suprimem-se por decreto as tropas de artilharia e de metralhadoras pesadas, reduzem-se os efectivos de Cavalaria e de Infantaria pertencentes  à Guarda Republicana.....(pag 105)
........Assim o Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), general Namorado de Aguiar, terá sido substituído pelo general Sousa Teles por ter querido abolir a saudação fascista que gradualmente alastrava da Legião para o Exército. E declarara que só poderia haver em Portugal um só Exército, uma só Marinha, um só chefe e uma só bandeira............(pag 187)
.........Existem, pois, testemunhos suficientes para se afirmar que as FA foram institucionalmente consultadas no processo político de designação do sucessor de Oliveira Salazar como Presidente do Conselho de Ministros.....(pag 290)
.........Mas a longa subordinação, e apoio, das FA a Salazar só pode ser cabalmente entendida pela sucessão de uma série de insubordinações dominadas e derrotadas.......(pag 329).

Isto dito, e o recordado, termino este 2º capítulo referindo o que pergunto num outro post: estão ou não a percorrer alegremente o caminho de destruição de instituições? (fim da 2ª parte)
António Cabral (AC)

 AO  SOL

AC

POLÍTICOS,  não são TODOS CORRUPTOS
Sob este título o jornalista Anselmo Crespo escreveu em tempos no DN um artigo de opinião. O mesmo jornalista que entrevistou há dias Rui Rio com perguntas que...valha-me Deus!! E.......Rui Rio, também,......vou ali e venho já! Adiante.

Desse texto repesco alguns aspectos.
Anselmo Crespo refere, e penso que com alguma razão, a parvoíce (palavra minha) da maioria das entrevistas a quem passa na rua, as boçalidades na maioria das vezes então debitadas, e a demagógica  gritaria acerca da corrupção.
Anselmo Crespo mostra-se preocupado com o evoluir das coisas, uns laivos de populismo grosseiro, e procura demonstrar que, se existem uns quantos corruptos na política, considera no entanto que
as generalizações são perigosas e injustas e, portanto, o haver alguns corruptos não significa que todos o sejam.
E fala na necessidade de preservar as instituições.

Concordo que as generalizações são erradas. Concordo que "isto" está a ir por alguns caminhos que me preocupam. Concordo que é necessário preservar as instituições.
Mas há uma coisa em que concordo em absoluto com ele, quando diz - Os políticos não são todos corruptos, mas serão todos coniventes se permitirem que se continue a percorrer este caminho de destruição das instituições.

Anselmo já escreveu isto há algum tempo. 
O que se regista daí para cá?

Bem, olhemos ao tristemente famoso programa de combate à corrupção daquela senhora que dizem que tutela a Justiça. 
Olhemos à recente directiva daquela senhora que agora está na PGR. Olhemos a outros muito preocupantes sinais protagonizados por uma série de gente que cada vez mais se mostra inqualificável. 
Olhemos ao que se passa nos tribunais das relações em Lisboa e Porto.
Olhemos à colocação dos filhotes de vários senhores em cargos na Europa e nos EUA.
Tudo no maior dos silêncios e beneplácitos de Marcelo Rebelo de Sousa e no assobiar para o lado de António Costa.

cegueira pelo poder e ganância pelo dinheiro tem feito que uma série de malandros se sirvam a si próprios muito mais do que servir o país.

Pergunta de um milhão de dólares: não se está a percorrer, em acelerado, o caminho da destruição das instituições?
AC

 RECORDANDO

AC

 Ahhh............ JUAN CARLOS .........

Ahh..........Juan Carlos,....tudo vem indicando que foste um grande malandro ao longo da vida,.........mulheres,.........dinheiro..........etc.

Mas, não obstante, duas coisas não se podem negar e que é um legado muito importante, creio, a defesa da democracia em Espanha e, não sendo propriamente um legado, não deixa de ser a meu ver uma referência importante e de aplicação constante por esse mundo fora, e que é a tua certeira e célebre frase - porque não te calas?

E tem aplicação generalizada. Lembro-me tanto de ti, por exemplo, quando ouço a patética ministra da saúde (a tal Marta que a saúde teme) por exemplo referir com aquele ar inacreditável - vamos começar a distribuir a vacina em Janeiro.

Já alguém informou a criatura sobre redes de frio nos aeroportos, nos aviões, em vários pontos estratégicos do País, para posterior distribuição?

Já lhe explicaram onde, com facilidade, se vão produzir a armazenar as necessárias quantidades de gelo seco para tudo estar pronto daqui a 6 semanas? GELO SECO, não aquelas pedrinhas para as bebidas de fim de tarde da colega da cultura !!!

Ou, outro patético chamado Cravinho, lhe terá dito que tal como se viu numa reportagem recente sobre a estrutura que está montada nos EUA aqui também ele Cravinho põe de pé uma estrutura equivalente num abrir e fechar de olhos?

PORQUE NÃO SE CALAM? IRRRRAAAAAAA !

AC


 RIO TEJO

AC

 21 NOVEMBRO 2020

Dia Mundial da Televisão

> 1783 - Paris, dois franceses metem-se num balão de ar quente e voam cerca de 25 minutos

> 1920 - Irlanda do Norte, Dublin, Bloody Sunday

> 1960 - Portugal adere ao FMI

> 2006 - Nadador Australiano Ian Thorpe abandona a competição

AC


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

 LISBOA

AC

Na  ALDEIA

AC

 POR AÍ

AC

ÁRVORES do ALENTEJO

AC 

SEMPRE  INTERESSANTE  REVISITAR........

É sempre interessante revisitar passados, particularmente o que se viveu directamente. Com as eleições regionais nos Açores vieram-me à memória tempos passados nos Açores. Conversas entre 2004 e 2006 com o autoritário de lá, quem fomentou certas coisas, etc. 

Lembrei-me de certos detalhes, e coloco a mim mesmo - quão diferentes estão os Açores, comparativamente com 1969 quando, pela primeira vez, lá estive uns dias. Voltei depois, por duas vezes algum tempo em 1980,  em 1981 e 1983, uma passagem rápida em 2002 e, finalmente, dois anos e uns dias, 2004 a 2006.

Mota Amaral e Carlos César, cada um à sua maneira e com cada um dos seus partidos e legiões de incondicionais, modificaram muito do que era a desgraça daquela região em 1969. Carlos César desenterrou processos e planos que Mota Amaral congelara vá lá perceber-se porquê. E reinou depois de Amaral. Reinou e, ao que parece, transformou-se quase num dono daquilo tudo.

Os Açores hoje? É ir lá para ver as diferenças, muito grandes, e muitas para bem melhor. 

Mas,...........estranhamente ou não, quanta subsidio-dependência? 

Para uma  população tão escassa, é a zona do país com mais subsídio dependência. Por outro lado quantos familiares dos importantes da terra estão instalados por tudo o quanto é sítio à mesa do OE? Será um pouco exagero mas de algum modo a imagem em baixo retrata algo daquelas paragens.

E os problemas sociais que são conhecidos, desapareceram? 

Rabo de Peixe? Ou agora, com um provável governo não PS, virão ao de cima as desgraças camufladas durante anos para as atribuir como de costume a quem chega agora ao governo? Aguardemos.

AC

 20 NOVEMBRO 2020

> 1906 - Discurso de Afonso Costa contra a Família Real

> 1910 - Faleceu Lev Tolstoi

> 1945 - Dia 1º, Julgamento de Nuremberga

> 1959 - ONU, Declaração dos Direitos da Criança

> 1975 - Espanha, faleceu Franco

AC


quinta-feira, 19 de novembro de 2020

A  INSTITUIÇÃO  MILITAR  em  PORTUGAL
(Depois de longas conversas com o meu melhor amigo militar, decidi-me escrever umas linhas sobre a Instituição Militar, sobre as Forças Armadas, sobre os nossos militares, homens e mulheres. Naturalmente uma visão, dele e minha,  como outras, todas a respeitar mas, creio, os factos parecem dar ao meu amigo mais razão do que a muitos descontentes. Entre muitas outras coisas ele refere-me, por exemplo, desabafos indignados de oficiais que nos últimos tempos têm chegado à comunicação social, passou-me imensos artigos de militares da Marinha e do Exército, incluindo de alguns descontentes com o ramo respectivo e nitidamente ressabiados e aparentemente também com posições políticas por trás o que é sempre de lamentar, posições antigas de alguns altos responsáveis militares, coisas inacreditáveis sobre anteriores ministros da defesa nacional (MDN), PM's e PR's, as inacreditáveis posições do actual MDN incluindo as deploráveis prestações/ declarações na AR a propósito não só mas também do OE. Contou-me ainda aspectos vários respeitantes às forças de segurança designadamente à GNR, e as relações de certa maneira existentes entre essa força e o Exército nacional, relações que têm um rasto de décadas e décadas. Referiu-me episódios de 1988 e 1989 sobre a génese do processo que levou à instalação de torres de radar da GNR ao longo da costa. Contou-me certos processos e alterações ligados à nomeação de chefes militares, falou-me da destituição discutível de alguns deles nomeadamente ao tempo de Sampaio PR, e explicou-me bem a diferença entre subserviência e subordinação, sendo que a primeira é a favorita dos políticos. Explicou-me ainda muitas coisas relacionadas com a incoerência de muitos que no passado contribuíram passivamente para aquilo de que hoje se queixam. Queixas que, em grande parte, parecem bem justas. Deixo hoje uma 1ª parte.)

É para mim inquestionável que a instituição militar deve estar, como está, constitucionalmente subordinada ao poder político, aos poderes instituídos, subordinada aos orgãos de soberania (i.e. CRP, Art. 275º, nº 3).

A instituição militar não é apenas uma coisa no "papel", é consubstanciada pelos seus elementos, pela organização, pelas regras, pela legislação diversa de enquadramento.
Exactamente porque são cidadãos de carne e osso, os militares têm a legítima expectativa de serem também tratados como pessoas. Serem, portanto, tratados como todos os restantes cidadãos.
Os políticos em geral e particularmente as esquerdas e algumas direitas esquecem esta coisa simples: é que o militar antes de o ser era cidadão e, ao passar a ser militar ou seja ao ingressar nas Forças Armadas, não deixou de ser cidadão mas, voluntariamente, abdica de alguns direitos inerentes aos cidadãos comuns e que estão todos  constitucionalmente consagrados

O que se verifica nos últimos anos é que os governos em vez da subordinação estabelecida em lei pretendem a subserviência nomeadamente das chefias militares, e que são quatro, Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA), Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA) e Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA). Nos últimos anos e particularmente após 1991, tenho a opinião (certamente discutível, mas respeitem como respeitarei as de outrem) alguns chefes militares puseram-se a jeito. 
Isso tornou mais fácil as sucessivas diatribes dos sucessivos governos desde essa data e, designadamente, dos PM e MDN, diatribes, desconsiderações, desprezo ostensivo, para com a Instituição Militar, para com as Forças Armadas, para com os seus elementos. Dos PR, PM, MDN, ministros, deputados, etc., periodicamente se ouvem grandes tiradas grandiloquentes, mas não passam disso, inconsequentes, desde as aldrabices na AR aquando das discussões orçamentais, etc.

Os militares, assumem um juramento para com o país, servem o país, servem o Estado. Os militares não servem governos, nem governantes, nem políticos, nem partidos políticos.

Os últimos 30 anos mostram um desrespeito crescente pelas Forças Armadas, pelos militares, desrespeito visível nos mais diferentes sectores como, recursos humanos, assistência na saúde, re-equipamento programado que quase nunca é cumprido, legislação própria, carreiras, etc.
E, pecha das pechas, opinião minha naturalmente, TODOS os partidos deixam passar as décadas e continuamos com este anacronismo de não haver uma definição CLARA, repito, CLARA, de que Forças Armadas deve o país dispor, ou se não as deve ter e, nesse eventual caso, existirem então apenas as forças de segurança. Portanto, opções políticas, que não dando votos não interessam ser debatidas, e podem continuar a esmagar-se em termos práticos as Forças Armadas pois elas aguentam, não há guerra em África (!?!?!). Será assim?

Verifica-se, em termos concretos, ano após ano, que se vai asfixiando a instituição militar e, verificam-se cumulativamente, pequenos mas consistentes passos para a médio prazo, particularmente quanto à Guarda Nacional Republicana (GNR), ganhar cada vez maior peso militar. Aliás, curiosamente, os políticos e não foi por acaso, instituíram em lei que os elementos da GNR são igualmente militares. Um dos muitos exemplos da trafulhice e confusão dos políticos, sempre ardilosos e sempre muito mal intencionados em certas matérias. Para lá das "curiosas" lanchas (ideia germinada ao tempo do então ministro Cadilhe) que desde há anos alguns anunciavam que quase tudo essa lanchas fariam mas que, nas docas em Lisboa ou Setúbal, são vistas normalmente imobilizadas por larguíssimos períodos, a programação para uma maior pujança militar da GNR prossegue, devagar, como se vai verificando. Qual o espanto? 
Voltarei ao tema. Fim da 1ª parte.
António Cabral (AC)