segunda-feira, 28 de outubro de 2019

AINDA o GOLFE com SALVAS MILITARES
Como referi anteriormente, de forma parcialmente subtil mas também assertiva a propósito de uma notícia publicada no Diário de Notícias e acompanhada de um video sobre um evento caricato ocorrido na Madeira, nada disto me espanta, nada destas coisas dos últimos anos me espanta, quer no meio militar e muito menos ainda quer a sucessão de contínuos despautérios no meio civil. 
Décadas de regabofe. 
E cada vez mais a perder-se (se é que alguns alguma vez a souberam) a diferença entre SERVIR e SERVIR-SE.
Em síntese, escreveu-se no DN com a superficialidade habitual, que um oficial general do Exército foi exonerado das suas funções, duplas, a de comandante da zona militar da Madeira e de comandante operacional naquela região.

Digo "notícia superficial" porque foi isso que logo me cheirou depois de a ler. 
Para lá da minha experiência de vida e algum conhecimento deste tipo de coisas, conversas com amigos que bem conhecem certos meandros confirmam-me a anterior sensação, que agora passa a certeza.
Em síntese, o DN anunciou a exoneração, que o caso ocorreu há meses em moldes semelhantes a anos anteriores (!?!?!) que o EMGFA desconheceria esse "uso e costume", que o canhão não tem valor militar, que o Exército tem a decorrer uma averiguação sobre a coisa, que o oficial substituto é da Marinha e estava a prestar serviço no Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) ao Restelo, e que foi muito rápida a posse do novo Comandante Operacional da Madeira, que depende do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) que actualmente é o almirante Silva Ribeiro.

A cerimónia de posse mais a chegada do novo titular aquela ilha, tudo ocorreu num espaço de muito poucas horas.
Quase dá a sensação de estar tudo planeado, o que certamente não será o caso.
O DN refere ainda que o general que estava na Madeira foi primeiro exonerado do cargo de comandante operacional e que só passadas umas horas o Exército o exonerou do cargo de comandante da zona militar. 
O que parece curioso. Ao Exército não restava senão determinar a  exoneração mesmo sem processo de averiguações terminado.

O Exército irá provavelmente averiguar o porquê de militares no "green" e mais a peça de artilharia de salvas; presumo que deva ser investigado o porquê do uso de material militar naquelas circunstâncias por pouco valor militar que tenha, e haverá ainda a questão dos dinheiros públicos, que no caso não deverá ser uma quantia exorbitante, mas houve dinheiro público empregue naquilo que, certamente, digo eu, não devia ter sido empregue.
Mas em tudo isto, são de ponderar, questões de princípio, deveres militares, noção de responsabilidade, exemplo, salvaguarda de valores.
Aparentemente, o dito torneio de golfe parece que tinha tradição lá na ilha, e parece que era organizado pela Zona Militar. Aliás há em tudo isto uma série de "parece que".

Há nisto tudo um conjunto de coisas para mim estranhas.
Se assim se passava há anos, que o torneio de golfe era periódico e sempre teria tido determinadas particularidades como o que agora veio a público, nunca ninguém soube de nada:
> no Estado-Maior General das Forças Armadas?
> no Exército?
> que eventuais empatias com os sucessivos governantes regionais?
Porquê a "emoção" que o jornalista encartado em coisas militares só agora transmitiu?
> percebe-se pelo DN que a denúncia terá vindo de fontes militares, ou não veio?
> a exoneração acontece assim de repente? será que o jornalista não indagou quando terminava a comissão de serviço do agora exonerado? Se tivesse investigado, será que encontraria algo esquisito nisto tudo, independentemente de, para mim pelo menos, inaceitável o que se vinha passando?
> Será que nisto tudo há mais alguma coisa para lá do que foi relatado, tipo jogadas de bastidores, senão mesmo, por debaixo da mesa? 

Claro que a separação de poderes impede o Supremo Comandante das Forças Armadas de se pronunciar sobre isto, (ele que se pronuncia sobre tudo), independentemente de se tratar de questões puramente militares, com militares, e de manchar a imagem da instituição militar.
A instituição militar é um pilar do Estado, da Democracia. 
A instituição militar deve ser respeitada, mas os seus servidores devem igualmente dar-se ao respeito.
A instituição militar deve ser respeitada pelos titulares dos orgãos de soberania.  E por todos os cidadãos.
Não passa de balelas dizer-se num discurso que cumprimentando os chefes militares assim se cumprimentam as Forças Armadas. Interessa é a práticquotidiana.
O que se passou na Madeira não merece pelos vistos atenção especial.
Devo ser só eu que acho tudo isto estranho, muito estranho, e portanto, para lá do inaceitável e do errado, a pergunta que fica é - porquê agora, tão de repente? 
A quem aproveita? 
Lembrando António José Seguro - qual era a pressa?
Qual era a pressa, sobretudo se o exonerado estaria, segundo dizem alguns, a muito pouco tempo de acabar a comissão de serviço na Madeira, e até de passar à situação de reserva?
Claro que ficarei sem respostas.
Quem as poderia dar é mais que ardiloso!
AC

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