A PROPÓSITO de QUESTÕES de CULTURA
A propósito disto (arte e cultura em Matosinhos), cultura, arte, artistas, elites, poder político, lembrei-me de certas conversas com o meu falecido Pai.
O meu Pai (1923-2011) teve sempre uma vida muito complicada.
O mais velho de três irmãos, ficou orfão (1931) de mãe tinha acabado de completar 8 anos, e a irmã 5 e o irmão 3 anos.
O meu avô paterno quase enlouqueceu, e em poucas semanas partiu para África, Angola, caçador, e empregos vários, desgarrados, errantes, ficando os filhos ao cuidado do irmão da minha falecida avó paterna.
Trás-os-Montes, e assim foram criados, a partir de Moncorvo e por aí fora.
Brilhante e humilde aluno, andou na Escola António Arroyo em Lisboa (creio que se chamava assim), depois passou para Belas Artes (assim se chamava, creio). No início ou a meio não sei bem, do segundo ano em Belas Artes, por causa de voltas que a vida foi dando, e designadamente por casamento e apoio ao tio que o criara e que entretanto com os sobrinhos já adultos também acabou por ir para Angola montar com outros uma fábrica de madeira, o meu pai tomou uma decisão que se mostrou errada.
Foi para Angola trabalhar com o tio, na prática o meu avô paterno.
E disso não o demoveram várias pessoas e muito concretamente um dos professores em Belas Artes que muito o estimava como aluno e homem, que o sustentaria pagando inclusive os estudos. Professor e homem ilustre do passado, com obra diversa, visível, e designadamente à beira do Tejo.
Vem tudo isto não para vos contar vidas complicadas do meu passado mas a propósito do (para mim) MAMARRACHO à beira Matosinhos plantado.
Conheço, e longe de imaginar repugnantes actos de vandalismo.
O meu pai, por mais de uma vez ao longo da vida e concretamente quando campista deambulou durante anos por essa Europa fora e visitou museus, tinha uma frase célebre que muitas vezes dizia à minha mãe e não só, quando ela comentava pejorativamente certas obras de arte.
A frase - querida não digas isso, lembra-te que não tens conhecimentos para poder apreciar, para poderes compreender.
E é completamente verdade.
E isto se deve ter presente. Mas não invalida que a primeira reação de um cidadão comum seja o de gostar ou não gostar de uma coisa.
E eu não tenho, também, formação e conhecimentos para apreciar esta obra prima concebida pelo senhor Cabrita Reis para a classe Baixa, ou para a classe média Baixa, especada à vista do mar em Matosinhos.
Tal como desconheço o preço da viga de ferro.
Mas tenho uma noção razoável do trabalho e custo da hora do soldador, tal como tenho uma boa noção de preços de primário e tintas, e sei o que é pintura à pistola.
E como não tenho conhecimentos para a "coisa", também não sei bem avaliar qual deve ser o preço razoável para se pagar a hora do pensador que cogitou uma "serralharia" à beira mar.
Mas tenho conhecimentos suficientes, e conheço vários métodos de engorda de muitos senhores e senhoras no pós 25 de Abril, e conheço de ginjeira métodos de criação na hora de empresas uns minutos antes de celebração de certos contratos.
E tenho alguma noção de coisas camarárias, na grande Lisboa, no distrito de Setúbal, no grande Porto, no distrito de Castelo Branco.
Como cidadão comum, como munícipe, e com várias décadas de experiência de vida, sei avaliar coisas básicas.
Por exemplo, só um exemplo, se numa localidade, não se substituem as condutas de água, envelhecidas de quase quatro décadas e com roturas constantes, mas surgem coisas que configuram baixa prioridade e indiciam mau uso de dinheiros de todos nós, é natural que o cidadão comum se interrogue.
Voltando ao Mamarracho em Matosinhos, uma das coisas notáveis neste caso é ler com atenção as justificações e indignações da autarca. No mínimo de duvidosa pertinência.
Costuma dizer-se nestas coisas - ah, os cidadãos nas próximas eleições farão a avaliação do mandato do ou da autarca.
Isto é verdade mas, dada a bovinidade da maioria dos portugueses, a dadas as demagogias regurgitadas nas pré-campanhas e campanhas eleitorais, a realidade mostra que o que fica é a engorda de certos senhores e senhoras à conta dos cidadãos.
Quanto aos senhores ou senhoras que refiro, sejam aqueles que quando lhe morre o sogro se descobre que têm dezenas de garagens, sejam os artistas de arte diversa que embolsaram milhares com obras e espectáculos ou trabalho de consultoria.
E como mostra a vida nacional, a esmagadora maioria dos meus concidadãos quer lá saber do escrutínio público.
Fica contente com aumentos de 10,00€, passeios de camioneta pagos pela câmara municipal, grandes almoços pagos pela edilidade, muito futebol na televisão, muita telenovela, ver os titulares de orgãos de soberania nos programas do Goucha ou da Cristina, comprar as revistas que eu vejo em cima das bancas de cada vez que vou jogar Euromilhões ou esporadicamente comprar um jornal.
Vivem contentes e felizes, pois a página foi virada.
E dos 10 milhões, quantas dezenas sabem quem é a autarca de Matosinhos, quanto mais o Cabrita Reis?
Oh pá, sigam é a vida do Ronaldo, a mudança de cuecas do Marcelo, os cozinhados no Costa, os malabarismos dos deputados fantasma, e vivam felizes.
AC
Ps: eu sei quem é Cabrita Reis. E, por exemplo, conheço uma peça dele que está em casa de pessoa conhecida, casa perto do largo do Carmo.
Se tentaste fazer alguma coisa e falhaste, estás em bem melhor posição que aqueles que nada ou pouco tentam fazer e alterar e são bem sucedidos. O diálogo é a ponte que liga duas margens. Para o mal triunfar basta que a maioria se cale. E nada nem ninguém me fará abandonar o direito ao Pensamento e à Palavra. Nem ideias são delitos nem as opiniões são crimes. Obrigado por me visitar
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
AINDA o GOLFE com SALVAS MILITARES
Como referi anteriormente, de forma parcialmente subtil mas também assertiva a propósito de uma notícia publicada no Diário de Notícias e acompanhada de um video sobre um evento caricato ocorrido na Madeira, nada disto me espanta, nada destas coisas dos últimos anos me espanta, quer no meio militar e muito menos ainda quer a sucessão de contínuos despautérios no meio civil.
Décadas de regabofe.
E cada vez mais a perder-se (se é que alguns alguma vez a souberam) a diferença entre SERVIR e SERVIR-SE.
Há nisto tudo um conjunto de coisas para mim estranhas.
Se assim se passava há anos, que o torneio de golfe era periódico e sempre teria tido determinadas particularidades como o que agora veio a público, nunca ninguém soube de nada:
> no Estado-Maior General das Forças Armadas?
> no Exército?
> que eventuais empatias com os sucessivos governantes regionais?
Porquê a "emoção" que o jornalista encartado em coisas militares só agora transmitiu?
> percebe-se pelo DN que a denúncia terá vindo de fontes militares, ou não veio?
> a exoneração acontece assim de repente? será que o jornalista não indagou quando terminava a comissão de serviço do agora exonerado? Se tivesse investigado, será que encontraria algo esquisito nisto tudo, independentemente de, para mim pelo menos, inaceitável o que se vinha passando?
> Será que nisto tudo há mais alguma coisa para lá do que foi relatado, tipo jogadas de bastidores, senão mesmo, por debaixo da mesa?
Claro que a separação de poderes impede o Supremo Comandante das Forças Armadas de se pronunciar sobre isto, (ele que se pronuncia sobre tudo), independentemente de se tratar de questões puramente militares, com militares, e de manchar a imagem da instituição militar.
A instituição militar é um pilar do Estado, da Democracia.
A instituição militar deve ser respeitada, mas os seus servidores devem igualmente dar-se ao respeito.
A instituição militar deve ser respeitada pelos titulares dos orgãos de soberania. E por todos os cidadãos.
Não passa de balelas dizer-se num discurso que cumprimentando os chefes militares assim se cumprimentam as Forças Armadas. Interessa é a prática quotidiana.
O que se passou na Madeira não merece pelos vistos atenção especial.
Devo ser só eu que acho tudo isto estranho, muito estranho, e portanto, para lá do inaceitável e do errado, a pergunta que fica é - porquê agora, tão de repente?
A quem aproveita?
Lembrando António José Seguro - qual era a pressa?
Qual era a pressa, sobretudo se o exonerado estaria, segundo dizem alguns, a muito pouco tempo de acabar a comissão de serviço na Madeira, e até de passar à situação de reserva?
Claro que ficarei sem respostas.
Quem as poderia dar é mais que ardiloso!
Como referi anteriormente, de forma parcialmente subtil mas também assertiva a propósito de uma notícia publicada no Diário de Notícias e acompanhada de um video sobre um evento caricato ocorrido na Madeira, nada disto me espanta, nada destas coisas dos últimos anos me espanta, quer no meio militar e muito menos ainda quer a sucessão de contínuos despautérios no meio civil.
Décadas de regabofe.
E cada vez mais a perder-se (se é que alguns alguma vez a souberam) a diferença entre SERVIR e SERVIR-SE.
Em síntese, escreveu-se no DN com a superficialidade habitual, que um oficial general do Exército foi exonerado das suas funções, duplas, a de comandante da zona militar da Madeira e de comandante operacional naquela região.
Digo "notícia superficial" porque foi isso que logo me cheirou depois de a ler.
Para lá da minha experiência de vida e algum conhecimento deste tipo de coisas, conversas com amigos que bem conhecem certos meandros confirmam-me a anterior sensação, que agora passa a certeza.
Para lá da minha experiência de vida e algum conhecimento deste tipo de coisas, conversas com amigos que bem conhecem certos meandros confirmam-me a anterior sensação, que agora passa a certeza.
Em síntese, o DN anunciou a exoneração, que o caso ocorreu há meses em moldes semelhantes a anos anteriores (!?!?!) que o EMGFA desconheceria esse "uso e costume", que o canhão não tem valor militar, que o Exército tem a decorrer uma averiguação sobre a coisa, que o oficial substituto é da Marinha e estava a prestar serviço no Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA) ao Restelo, e que foi muito rápida a posse do novo Comandante Operacional da Madeira, que depende do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) que actualmente é o almirante Silva Ribeiro.
A cerimónia de posse mais a chegada do novo titular aquela ilha, tudo ocorreu num espaço de muito poucas horas.
A cerimónia de posse mais a chegada do novo titular aquela ilha, tudo ocorreu num espaço de muito poucas horas.
Quase dá a sensação de estar tudo planeado, o que certamente não será o caso.
O DN refere ainda que o general que estava na Madeira foi primeiro exonerado do cargo de comandante operacional e que só passadas umas horas o Exército o exonerou do cargo de comandante da zona militar.
O que parece curioso. Ao Exército não restava senão determinar a exoneração mesmo sem processo de averiguações terminado.
O que parece curioso. Ao Exército não restava senão determinar a exoneração mesmo sem processo de averiguações terminado.
O Exército irá provavelmente averiguar o porquê de militares no "green" e mais a peça de artilharia de salvas; presumo que deva ser investigado o porquê do uso de material militar naquelas circunstâncias por pouco valor militar que tenha, e haverá ainda a questão dos dinheiros públicos, que no caso não deverá ser uma quantia exorbitante, mas houve dinheiro público empregue naquilo que, certamente, digo eu, não devia ter sido empregue.
Mas em tudo isto, são de ponderar, questões de princípio, deveres militares, noção de responsabilidade, exemplo, salvaguarda de valores.
Aparentemente, o dito torneio de golfe parece que tinha tradição lá na ilha, e parece que era organizado pela Zona Militar. Aliás há em tudo isto uma série de "parece que".
Mas em tudo isto, são de ponderar, questões de princípio, deveres militares, noção de responsabilidade, exemplo, salvaguarda de valores.
Aparentemente, o dito torneio de golfe parece que tinha tradição lá na ilha, e parece que era organizado pela Zona Militar. Aliás há em tudo isto uma série de "parece que".
Há nisto tudo um conjunto de coisas para mim estranhas.
Se assim se passava há anos, que o torneio de golfe era periódico e sempre teria tido determinadas particularidades como o que agora veio a público, nunca ninguém soube de nada:
> no Estado-Maior General das Forças Armadas?
> no Exército?
> que eventuais empatias com os sucessivos governantes regionais?
Porquê a "emoção" que o jornalista encartado em coisas militares só agora transmitiu?
> percebe-se pelo DN que a denúncia terá vindo de fontes militares, ou não veio?
> a exoneração acontece assim de repente? será que o jornalista não indagou quando terminava a comissão de serviço do agora exonerado? Se tivesse investigado, será que encontraria algo esquisito nisto tudo, independentemente de, para mim pelo menos, inaceitável o que se vinha passando?
> Será que nisto tudo há mais alguma coisa para lá do que foi relatado, tipo jogadas de bastidores, senão mesmo, por debaixo da mesa?
Claro que a separação de poderes impede o Supremo Comandante das Forças Armadas de se pronunciar sobre isto, (ele que se pronuncia sobre tudo), independentemente de se tratar de questões puramente militares, com militares, e de manchar a imagem da instituição militar.
A instituição militar é um pilar do Estado, da Democracia.
A instituição militar deve ser respeitada, mas os seus servidores devem igualmente dar-se ao respeito.
A instituição militar deve ser respeitada pelos titulares dos orgãos de soberania. E por todos os cidadãos.
Não passa de balelas dizer-se num discurso que cumprimentando os chefes militares assim se cumprimentam as Forças Armadas. Interessa é a prática quotidiana.
O que se passou na Madeira não merece pelos vistos atenção especial.
Devo ser só eu que acho tudo isto estranho, muito estranho, e portanto, para lá do inaceitável e do errado, a pergunta que fica é - porquê agora, tão de repente?
A quem aproveita?
Lembrando António José Seguro - qual era a pressa?
Qual era a pressa, sobretudo se o exonerado estaria, segundo dizem alguns, a muito pouco tempo de acabar a comissão de serviço na Madeira, e até de passar à situação de reserva?
Claro que ficarei sem respostas.
Quem as poderia dar é mais que ardiloso!
AC
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