domingo, 6 de fevereiro de 2022

…………. TERRORISMOS……….
Nota Prévia: sou ignorante do tema "Terrorismo". 
Sempre pensei pela minha cabeça, e continuo a não me pôr em bicos de pés para parecer mais alto que os meus 1,74, pelo que procuro sempre ser cauteloso ao entrar por campos que pouco conheço. 
Ainda assim, confesso que por razões profissionais, por muito ter andado lá por fora, mas não só, tenho uma ligeira e superficial noção sobre o tema. 

Sempre me interessou este complexo tema da história universal. 
É assunto que na sociedade portuguesa (antes e depois de 25ABR74) considero ter ficado sempre obscuro. 
Na minha opinião, a maioria dos diferentes actos terroristas praticados em solo nacional nunca foram 100% clarificados, até porque não é fácil provar cabalmente determinadas ligações, determinadas motivações.

Doseio curiosidade com atrevimento e prudência, e leio muito sobre isto há muitos anos. Vou assim atrever-me a discorrer um nadinha sobre isto, muito superficialmente. Um "poucochinho"!

Nestas coisas do terrorismo como aliás em muitas outras matérias,  a maioria das pessoas persiste em olhar o assunto a preto e branco, coisa que considero errada. 
Preto e branco na vida quase nada mais há do que, estar vivo um décimo de segundo antes de estar morto. 
A vida é uma paleta enorme de cinzentos infindáveis.

Quando genericamente se aborda a questão "terrorismo" é preciso ter a noção que não é coisa de agora, dos últimos anos ou décadas. Para não recuar ainda mais na história, paremos no exactamente antes do início da revolução Francesa. E vir daí para cá.

Antes do que "hoje" classicamente se refere por terrorismo "transnacional", houve e continua, o terrorismo revolucionário, o repressivo de Estado, o internacional, o selectivo, o sistemático, o islâmico, o religioso que não apenas islâmico (veja-se por exemplo, Médio e Extremo Oriente, Índia e países vizinhos, Chechenia). 
Nos últimos tempos assiste-se até, sem conseguir apurar definitivamente ou então sem querer confessar publicamente as conclusões das investigações, a interferências directas de certos países ou à sua interferência através de mandantes, na vida democrática de outros diferentes países.

Fico por aqui, acrescentando ainda que as organizações terroristas adoptam esquemas diversos de estrutura e relacionamentos, seja por exemplo uma forma descentralizada, ou em rede, ou numa malha, e sempre com o fito da maleabilidade, da sua segurança e sobrevivência, da sua eficácia nas acções. Deixo de lado o complexo mundo dos financiamentos das diferentes organizações, pois nesta matéria encontram-se sempre coisas………….curiosas?

T
alvez nem todos estejam recordados que Arafat (OLP) antes de acolhido efusivamente como grande estadista por exemplo na Europa, foi tido durante anos como perigoso terrorista, e por isso perseguido por vários Estados, procurando eliminá-lo. Com a curiosidade acrescida de que, dentro de alguns desses Estados seus perseguidores, terá simultaneamente havido instituições a fornecerem-lhe apoio diverso. 
Podemos recordar tantos outros como, Kadafi, Noriega, o passado nas nossas colónias, os tumultos em certas zonas da Ásia, Norte de África, Extremo e Médio Oriente, áreas circundantes da Rússia, etc., etc. 
Mas fico pelo nacional, da nossa história mais recente.

Focando o período 1900 até ao presente, a nossa história tem capítulos e casos diversos no âmbito do tema em causa. Particularmente desde o início da guerra em África (Angola, Moçambique, Guiné, STomé e Príncipe, Cabo Verde) as várias ocorrências contra unidades militares, material de guerra, navios etc., foram sempre disfarçadas pelo regime ditatorial de então. 

Eclodiu entretanto a revolta militar de 25 de Abril de 1974. 
Daí para cá, ficou na nossa história recente o conhecido PREC, tivemos por exemplo o ELP, o MDLP, porventura grupos de ideologia diversa nunca confessados à luz do dia, o acidente aéreo que vitimou Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa (para a hipótese de atentado, este seria o alvo, dadas as suas funções e o que se dizia saber?) e acompanhantes, explosões de carros de certas figuras com ligações ideológicas distintas, e depois as diferentes acções perpetradas pelas FP25. Perpetradas, julgadas, condenadas. 
Muitas outras coisas acontecidas que não das FP25, pouco ou nada foram esclarecidas, menos ainda julgadas. 

A Democracia é um sistema com regras. Goste-se ou não (eu desejo que a nossa democracia formal melhor se sustente, se enraize e frutifique cada vez mais) as regras têm de ser cumpridas. E acatadas. E aquilo que condenamos tem de ser argumentado, democraticamente, de acordo com as regras do regime, e quando erramos, reconhecer e, a seguir, melhorar.

Vem tudo isto acerca do terrorismo, do que mata, destrói, mas vem também a propósito de certo terrorismo verbal que por aí vejo a crescer. 
Discorro superficialmente sobre isto na sequência dos resultados de 30 de Janeiro passado onde, incrivelmente para mim, doze concidadãos para quem vai a minha desconfiança pessoal, foram legitimamente eleitos por milhares de meus concidadãos. 
Manda a democracia, eles têm toda a formal legitimidade política para se sentarem no Parlamento. 

Várias das suas atitudes, do que defendem e preconizam, isso é outra coisa completamente diferente, e me preocupa de sobremaneira.

No momento político que atravessamos, a hipocrisia aí está mais do que nunca. Estamos uma vez mais naquela de que são todos iguais mas uns mais que outros. 
E, voltando às regras e normas da democracia, como cidadão tenho por  repugnantes várias das posições defendidas por esses doze concidadãos. Mas há que as combater, política e democraticamente, no plano dos valores, dos princípios e da decência, há que as combater duramente mas, política e democraticamente. 
Esse combate será no entanto perdido se não for urgentemente acompanhado de decisões políticas que alterem muito daquilo que está menos bem ou mesmo mal, as realidades de que eles se alimentam.

E aqui a porca torce o rabo. Pois, opinião pessoal, a culpa do seu lamentável (para mim) crescimento é exclusivamente dos partidos que sempre tiveram assento parlamentar, PS, PSD, CDS, PCP, a que se juntou nos últimos anos o BE.
Quando vejo um sujeito na TV fazer um arzinho muito triste e dizer pesaroso que  no seu concelho há muitas pessoas com um rendimento de cerca de 200,00 €, talvez devesse olhar para trás antes de abrir a boca.
Como é que esta "agremiação" não há-de subir cada vez mais quando, um só pequeno exemplo, observamos quem se vangloria de que irá haver por cá uma escola de música Afegã ao mesmo tempo que, desde 2016, as pensões de milhares de deficientes das Forças Armadas não são actualizadas? E os exemplos são, lamentavelmente, às dezenas e dezenas, em quase todos os sectores da sociedade.

Volto ao terrorismo nacional na história mais recente, e às regras da Democracia.

Uma das mais importantes regras é a separação de poderes. 
Quem tem a gentileza de me seguir, sabe da minha revolta no âmbito do funcionamento do nosso sistema de justiça. 
Uma coisa é certa, os tribunais, com muitos lamentáveis atrasos, com muitos lamentáveis arquivamentos, etc., decidem, e as suas decisões são recorríveis até certo ponto e de acordo com as normas estabelecidas. 
Depois, há trânsito em julgado. Depois, ficam sentenças, alguns condenados, alguns presos, algumas absolvições, alguns casos nem vão a julgamento ainda que o "diz que diz" seja tonitruante mas……..ah... as provas. Mais tarde, penas cumpridas, deve haver reinserção na sociedade.

Isto dito, a nossa história e a nossa vida contemporânea estão recheadas de coisas estranhas, e também me revolta que no passado não se tenha provado "isto ou aquilo". Mas é a democracia. E face às realidades, queira-se ou não, é completamente diferente ter sido condenado em tribunal, ter sido preso, ou não.

Terrorismo, tenebroso, inaceitável, a realidade é que porventura anos atrás fecharam os olhos a certas coisas ocorridas no passado recente e é por isso, se calhar, que alguns hoje se passeiam impunes. A mim repugna-me.

Mas face às realidades, era bom que os maiores partidos se decidissem de uma vez por todas, a não continuar a dar pretextos para o crescimento de certas agremiações. 
Urgem, Políticas, Decência, Ética, Transparência, serviço à sociedade.
Era bom que olhassem para a lei eleitoral, e que olhassem para as normas no funcionamento da Assembleia da República.
E era importante que António Costa meditasse seriamente no nome a propor para presidente da Assembleia da República. 

Um nome com estatura intelectual e política e experiência, dará  certezas de controlar o hemiciclo isto é, um nome com capacidade e prestígio cortará cerce e democraticamente manipulações, distorções, provocações, e manterá a dignidade institucional da AR.
Um nome do politicamente correcto, em alternativa, e poderemos vir a ter, com elevada probabilidade, um Parlamento de gritaria, vexame, apoucamento, vitimização, sessões contínuas de demagogia, eventuais tentativas de atentados a princípios e valores inerentes à Democracia. 
Aguardemos, mas estou preocupado com o que por aí pode vir.

Temo o crescendo do terrorismo oratório, provocatório, temo a incapacidade dos maiores partidos montarem uma cerca sanitária  política e democrática mas vigorosa a todos que visem deturpar o regime.

Temo que os dois maiores partidos venham a demonstrar insegurança exactamente resultante do seu passado histórico recente onde, estou convicto, não lhe convirá muito esgravatar. O povo costuma falar em telhados de vidro. Haverá?
É designadamente com isso que as agremiações execráveis contam. 
Contam também com a desfaçatez dos que acoitaram e acoitam nomes de passado inaceitável à luz das regras democráticas.
Como contam ainda com certos passados, que concretizaram amnistias  discutíveis, que promoveram (porque seria?) a recuperação de certas criaturas para altos cargos no país. 

Oxalá esta legislatura não desperdice as muitas oportunidades potenciais para o revigorar da nossa sociedade e, nomeadamente, não desperdice a oportunidade para uma recuperação da política com decência, moralidade, ética, uma política para servir a sociedade e não, servir alguns. 
Se prosseguir muito do que tem acontecido, será então mais que terreno adubado e regado para o germinar de detestáveis agremiações.
AC

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