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domingo, 25 de fevereiro de 2018

CORPORATIVISMO? PODERES OCULTOS? LOJAS? CENTRÃO?
Como o caso numa esquina ao Rato, existem imensos por essa Lisboa fora, por esse País fora.
Entre aprovações e reprovações, as coisas acabam sempre por andar anos aos trambolhões, entre vereações e presidências de câmara do PS ou do PSD, mas depois de avanços e recuos, de protestos, de associações que se constituem, de petições de milhares de cidadãos, lá avançam final e definitivamente. 
O caso concreto, no Rato, dizem estar a marinar há 8 anos, mudando de gavetas certamente, com desrespeito pelo Código do Procedimento Administrativo, certamente sempre com a inocência de todos os arquitectos com ligações ou conhecimentos à CMLisboa, sempre com os que pertencem (e são muitos) à CML isentos e sem nada que ver com os gabinetes de arquitectura fora da CML, com concordâncias da Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitetos, e tendo tido pelo meio também António Costa.
É o que temos, mas nem todos merecemos.
AC

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Na cidade de Medina
Medina, com a sua carinha de bebé, vai levando a sua adiante.
A TVI faz o favor de lhe dar palco semanal, comentador encartado, especialista CPN, como muitos outros CPN de cores várias, que palram semanalmente nos diferentes canais. Muitas vezes, alguns, aparecem mais amiúde.
Ah, não sabem o que é CPN? Simples: C de competente, P de porra, N de nenhuma. É isso, competente de porra nenhuma.
Passei hoje no Saldanha. Vejam.
É isto que se vê de um dos lados da praça. 
A fotografia não dá, minimamente, a ideia do granel ali instalado. E da poeira que esvoaça. Esperem pelas chuvas. Qualquer Lisboeta sabia, perfeitamente, a imperiosa necessidade em alterar o Saldanha, não é?
Mas andando depois a pé, por um lado e depois pelo outro da avenida da República, fica-se com uma noção ainda mais clara da loucura  promovida por Medina e seu vereador arquitecto. E não só nestes locais. É ir à 24 de Julho, é ir ao troço entre o Campo das Cebolas e Sta Apolónia. Felizmente, digo eu, houve bronca grossa quanto à 2ª circular. Palpita-me que já dificilmente vai avançar, pois seria Inverno e depois Primavera dentro e já mais perto, portanto, das eleições autárquicas. Aí talvez os Lisboetas estivessem menos esquecidos.
Mas andem por outras zonas de Lisboa. Por exemplo na Baixa, onde a espaços sobrevem um mau cheiro terrível. Lisboa está um encanto de vida fácil para pedestres e condutores. Imagino que os condutores dos autocarros andem muito contentes.
"Ganda Medina", força. Lisboa continua bem servido de autarcas. Felizmente, ainda não conseguiram igualar Abecassis. Lembram-se da impossibilidade dos carros de bombeiros subirem a rua do Carmo?
Os actuais não são tão maus, mas prosseguem a leviandade.
AC

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A PROPÓSITO de OBRAS MEGALÓMANAS
Foi assim no passado, e surgiu Mafra, por exemplo, mas há mais.
O ouro do Brasil esfumou-se como em parte se sabe. Muito também deve ter ido parar a bolsos de certa gentinha que, então como hoje, sempre se governou à pala das pouca vergonhas à mesa do Estado.
Uma mania, que não é só portuguesa. 
Vem isto a propósito da notícia acerca da hipotética reconstrução/ completamento do Palácio na Ajuda.
Poderão alguns interrogar-se: mas não temos direito a fazer obras imponentes, que marquem épocas?
Não nego, e temos, mas lembro sempre aquela frase - com peso, conta e medida. Antes de continuar, uma recordação.
Estava eu em serviço na Holanda, algures Maio/Junho de 1991, numa recepção para que fora convidado, quando um parvalhão diplomata holandês meteu conversa comigo e, depois das costumeiras frivolidades, disparou uma coisa acerca de estarmos a construir o CCB. Como meu hábito, dentro de portas (na profissão, e em sociedade), lá fora também nunca me dei por gostar que me pisassem os calos. Creio que não fui ordinário, mas fiz jus aquilo que, com amizade, alguns dizem de mim - nariz empinado.
Voltando ao assunto, mas continuando sobre o CCB, quiseram as circunstâncias da vida que um amigo meu tenha sido um dos principais responsáveis por rechear o CCB. Lembro bem, portanto, as dificuldades que ele enfrentou e como as coisas se fazem por cá. Como, matreiramente se iniciam.
Saltando, acho curiosa a coincidência de aparecerem sempre uns quantos, os mesmos, em obras emblemáticas, nos Açores por exemplo, e vê-los onde estão encaixados à pala sempre da mesma cor política. Voltando à questão AJUDA, não ficou para mim claro a verdadeira autoria da ideia. Sim, porque não estando os 70 assim tão longe, há décadas que sei que os bebés não chegam de Paris.
E desconfio sempre dos rapazinhos com carinha de menino, e com boa imprensa. Pela calada……
Deve acabar-se a AJUDA? Provavelmente, aquele buraco não é estético é mesmo, porventura, horrendo. Mas os milhões para essa obra, não seriam bem melhor aplicados a terminar as várias obras e museus inacabados no que a património edificado diz respeito?
Naturalmente, como dizem /dirão alguns, as soluções teóricas serão variadas. Certamente umas mais caras que outras. Certamente, a gula de certos donos de certas e todas as coisas tentarão sobrepor-se à racionalidade. Certamente, como se vê já, os amigos a aplaudir os amigos, sobretudo o do costume que se gosta de levar ao colo a si próprio.
Sobressai a tentação das obras na capital, para arvorar no futuro político. Continuar a esquecer o resto do País. Resolva-se a AJUDA, com racionalidade, mas olhem para a restante parte fora de Lisboa. Estou farto da gentinha (masculina e feminina) que discursa e aplaude a cultura e o património e ao mesmo tempo exibe e distribui o cartão de visita preenchido dos dois lados com...........
A diferença entre essa gentinha e os poucos que podem apenas colocar por baixo do nome - senhor ou senhora - está cada vez mais à vista.
Ah, meu caro senhor, mas então não vê que ficam sem ganhar vários tipos, designadamente aqueles poucos do costume que mantêm os escritórios e ateliers abertos, para não falar dos segundas linhas e, sobretudo, o engrandecimento de autarca? O senhor não vê a coisa pelo prisma correto!
"Bom, oh senhor ministro e oh senhor arquitecto, perdão, senhor vereador, vamos aguardar por mais reações à notícia, não convém espantar muito a caça".
AC