sábado, 10 de fevereiro de 2024

C A M Õ E S
Nota prévia: apetece-me escrever umas linhas sobre este português ilustre. Por várias razões.
 - Em casa tenho dois exemplares de "Os Lusíadas".
O primeiro, um livro mais simples, de 1972, e é este.
O outro é um verdadeiro tesouro.
Capa extraordinária mas o mais extraordinário está dentro, e a isso irei mais à frente.

 - O modo como Costa e o seu governo olharam para a celebração que é devida a Camões e sobre a qual pairam nuvens negras. Porventura porque o "monstro" faz muito surf?

(intervalo; já retomo)

(Continuação)

Luís de Camões ou melhor, Os Lusíadas, foi um dos meus pesadelos no liceu. Na oral de Português, 5º ano, tínhamos que levar alguns livros e designadamente, Os Lusíadas, a Selecta Literária, Frei Luís de Sousa, Auto da Barca.

Fui fraco aluno na disciplina de Português, mas lá acabei por me safar com 12 valores salvo erro, e o exame oral andou sobre Os Lusíadas e textos da Selecta Literária. Felizmente não fui obrigado a palrar sobre o Gil Vicente.

Voltando a Camões. 
Diz quem sabe que há o Camões lírico (lirismo tradicional e mesmo o clássico) e o Camões épico. 
Sabe-se pouco do poeta, não há certeza quando a data de nascimento (1524, 1525?) quanto ao local (Alenquer, Lisboa, Coimbra?), tal como onde estudou, considerando-se como certo que teve estudo regular e orientado. 
Era erudito. 
Redondilhas, sonetos, canções, odes, elegias, oitavas, são parte da sua "produção".
Do Camões épico, "Os Lusíadas".
Diz quem sabe, que quanto à inspiração presente no poema se podem considerar vários tipos: patriótica, clássica, cristã, medieval, renascentista, exótica e científica.

A leitura e estudo do poema revela que Camões conhecia, literatura de cavalaria, história da antiguidade clássica, religião e mitologia, história de vários povos, ciência geográfica, ciência náutica, arte de marear, etc.
. . . . . 
Não me falta na vida honesto estudo
Com longa experiência misturado
. . . . . . 
Camões insere na sua obra acontecimentos ocorridos entre o feito de Vasco da Gama e a elaboração do poema, como a narração começa depois de passado o Cabo da Boa Esperança. A acção concentra-se sobretudo entre Moçambique e o regresso da Índia.
O esquema cronológico integra, narrações de factos anteriores, profecias de factos posteriores, narrações portanto directas e indirectas.

Em síntese, o poema começa com o Canto I à volta de Moçambique, Canto II Moçambique a Melinde, Canto III foca-se na 1ª dinastia, o Canto IV na 2ª dinastia, Canto V na viagem de Vasco da Gama de Lisboa a Moçambique, Canto VI aborda o concílio dos deuses mais os 12 de Inglaterra e as tempestades, Cantos VII e VIII focam-se no regresso e profecias várias, Canto IX Ilha dos Amores e Termina com o Canto X.

Escreveu ELE, "Mudam-se os tempos mudam-se as vontades" . . .

Digo eu, estamos numa fase da vida nacional de mudança mudada em permanente mudança.

Voltando ao meu riquíssimo "Os Lusíadas", encadernado em carneira, a sua primeira edição data de 1960, ano das comemorações do 5º Centenário da Morte do Infante D. Henrique.  

Nesta edição, antes dos X Cantos dos "Lusíadas" há, 
- um texto intitulado "Poema do Mar e da Pátria", realçando o mar, como campo de acção e de sustento, e realçando que "Os Lusíadas" são epopeia do mar; 
- um longo texto sobre Luís de Camões o "marinheiro";
-  e um texto sobre a rota provável de Vasco da Gama.

Depois do final, da última "estância" (CLVI) do Canto X, há um longo conjunto de notas explicativas sobre as várias "estâncias" dos X Cantos.
Reproduzo as últimas frases.
Sempre que passo os olhos por este meu belo livro olho ao nosso presente.
Deixo três partes das estâncias de que mais gosto.
António Cabral
(AC)

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