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sexta-feira, 29 de março de 2024

Nota Prévia
Volto a publicar este meu texto por razões óbvias.

Mas para que não fiquem dúvidas, principalmente porque farto de andar a ouvir certos pantomineiros que há anos se albergam em certos paraísos do conhecimento (???) e se arrogam ares de especialistas.

E também farto de ouvir certos pantomineiros que formalmente tiveram responsabilidades governamentais e responsabilidades na Assembleia da República e se dão também ares de grandes especialistas e conhecedores de defesa, de segurança e de forças armadas, sendo evidente ao fim de tantos anos não passarem de uns prenhes de vacuidades e lugares comuns.

Pantomineiros, todos eles, com bem conhecida e descarada ausência de vergonha na cara. 

Militares e civis - essência e coincidência.

Na tarde de 10 de Abril de 1997, um dos meus três grandes amigos civis (tenho 3 ou 4 grandes amigos militares) dizia, numa cerimónia pública:

"As sociedades distinguem os militares, não por razões de deferência temerosa, mas como forma de reconhecimento à diferenciada função em que se empenham, de forma comumente disciplinada e previsível. Esta opção de vida por um serviço colectivo é valorizada por uns, inutilizada por outros, mas ninguém fica indiferente à realidade factual que ela encerra e que, no mais recôndito, alude ao conceito de nacionalidade, âmbito de particular relevância na vida dos homens de todos os tempos.
Sendo certo que toda a Nação tem o problema intrínseco da sua defesa, esteja ou não organizada politicamente em Estado-Nação, os militares são a certeza formal da sua possibilidade e as sociedades sempre aceitaram esta especialização dos civis, como forma de garantir a própria organização e eficácia de um sentir colectivo.
................
Sempre isto se esperou dos militares, e sempre isto eles souberam dar: fidelidade a uma causa através da garantia de um propósito.
Aceita-se que se faça a distinção entre militares e civis, talvez melhor entre paisanos e militares porque estes não aparecem desfalcados de cidadania, e não convém à natureza dos factos, identificá-los como uma espécie de casta à parte..........os militares são um conjunto diferenciado de nós todos, motivados para a salvaguarda da colectividade de que são membros e para a constituição da qual contribuíram com a sua intrínseca dignidade. É um empenhamento na coisa pública que a usura do tempo, até na sua vertente ideológica, não destrói ou arruina. 

E esta verdade chega até aos que gostam mais de ouvir do que compreender.
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Mas ao Camões de "mudam-se os tempos/ mudam-se as vontades" sucedeu-se hoje a "mudança mudada em permanente mudança", o que leva muitos a lançarem pela borda fora da vida, não só as referências mas as permanências, sem as quais soçobra a própria vida comunitária.
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Cada qual, deve conscientemente, fazer o possível para se informar como vive o País, como e de que vivem as suas classes, quais os objectivos de cada grupo no contexto da sociedade.
...........
Ninguém pode estar contra si mesmo, nem contra os seus interesses.

....................... 
Revisito periodicamente a brilhante comunicação então feita pelo meu infelizmente já desaparecido amigo, e interrogo-me, sempre com crescentes dúvidas, sobre os fossos que cada vez mais cavam em nosso redor, à maioria dos portugueses, militares incluídos.

Realço outra vez a frase do meu amigo - ....."e esta verdade chega até aos que gostam mais de ouvir do que compreender".

Em tempos escrevi - Temo que nos últimos anos já nem ouçam, quanto mais tentarem compreender. Até quando?

Olhando aos últimos 10/12 anos já tenho a certeza: 
- Nunca ouviram, nunca quiseram ouvir.
- Nunca tentaram compreender. 
- Têm-se consumido com, vacuidades e desprezo pelos militares.
- Proferem discursos grandiloquentes e vazios. 
- Tudo isto se vem passando do topo da hierarquia Constitucional para baixo; refiro-me aos sucessivos titulares de órgãos de soberania, que sempre demonstram pela sua postura desconhecerem o que é soberania. 
- Sempre arrogantes e ufanos dos seus cursos e mestrados de estratégia  e ciência política, e do comentário em institutos, OCS, conferências.
- Sempre contentinhos das suas constantes viagens de Falcon para os corredores alcatifados Europeus, onde rastejam dóceis, agradecidos e subservientes, vindo depois a palrar dando-se ares de estadistas. 

Como hoje estou a verificar. Coitados e coitadas

Terão visto, anos atrás, aquele general Iraquiano a palrar frente a câmaras de TV e vendo-se depois aparecer no fundo da imagem os carros de combate americanos?
António Cabral

sexta-feira, 4 de março de 2022

A  GUERRA  e,..........os  ESPECIALISTAS

Para quem via muito  pouca televisão, desde há pouco mais de duas semanas que acompanho com alguma regularidade as notícias TV a partir das 2200h. E, leio e releio pela NET com mais atenção os OCS nacionais e alguns internacionais.

No que respeita aos especialistas TUGAS, ainda não deixei de sorrir. Por exemplo, à conta daquele que defendia que a Rússia não invadiria.

Sorrio e muito por ter dado conta que saltou para a qualidade de especialista aquela criatura que durante algum tempo teve a tutela de Tancos e outras coisas.

Como sorrio de cada vez que calha ver na TV aquele que fala de bluffs.

Como sorrio de alguns outros, por exemplo estagiários de bolsas chorudas no estrangeiro, mas sempre bem acompanhados. 

Com estes especialistas da tropa, perdão, da treta, não vamos longe.

AC

domingo, 27 de fevereiro de 2022

A  PROPÓSITO  de …… ESPECIALISTAS
(da TSF)
A ciberguerra será o próximo desafio para a humanidade? Um relatório internacional da Microsoft revela que já no ano passado o segundo país no Mundo mais afetado por ciberataques, logo atrás dos Estados Unidos, foi precisamente a Ucrânia.

Indiscutivelmente. Nós estávamos habituados a olhar para três teatros de guerra: a terra, o mar e o ar. Neste momento, o ciber é um quarto teatro de guerra que tem que ser encarado com a mesma seriedade, e se calhar agora com maior urgência, do que todos os outros. A NATO, naturalmente, está a fazer um grande investimento nesse sentido, a União Europeia também. E nós em Portugal seguimos essa tendência, mas há um enorme caminho a fazer de investimento, do ponto de vista tecnológico, do ponto de vista organizativo, de colaboração entre os estados e as companhias privadas.

Na segunda-feira começam negociações em Nova Iorque, para ser redigida a primeira convenção da ONU contra o cibercrime e, curiosamente, a proposta de redação que está em cima da mesa é da autoria da Federação Russa.ng>

A Rússia tem, nesta matéria, um avanço extraordinário, tem um exército de cibersoldados, vamos dizer assim, li que andaria à roda dos 30 mil. Muitos dos ataques que têm sido perpetrados, quer contra as eleições em países democráticos, quer nestes casos na Ucrânia, têm um efeito muito importante pela disrupção que exercem nas sociedades. Além da parte militar, podem afetar, desde a saúde à segurança social, todos os domínios da nossa vida em sociedade
.

Olha se ele não me avisava disto, eu permanecia na ignorância. 
Então se ele não me avisava de que neste momento (neste momento??) o ciber é um quarto teatro de guerra!
Quando lerem esta entrevista deste grande especialista estou a imaginar o sorriso estampado na cara de, por exemplo, certos, Israelitas, Americanos, Franceses, Chineses, Alemães, Iranianos, Indianos, Turcos.
Esta entrevista é mais um elemento que confirma o que sempre alguns souberam quanto a certas reformas que por aí andaram badaladas.
E o que este especialista lê! E vós, cambada de ignorantes?
AC

Ps: um grande amigo meu teve uma muito interessante experiência na vida profissional, durante 3 anos, de que resultou não só um incremento notável em experiência e conhecimento técnico inerente à sua profissão mas, sobretudo, por essa via teve a felicidade de ter travado conhecimento com algumas pessoas ligadas à indústria e tecnologia "especiais".
Uma dessas pessoas, durante uma conversa sobre os problemas mundiais e particularmente sobre geopolítica e relações internacionais, disse-lhe um dia que, enquanto o seu país conseguisse manter o avanço tecnológico em certas áreas sobre os seus competidores mundiais, estaria sempre "safe".
A presente agressão militar à Ucrânia é apenas mais um exemplo que confirma as consequências da superioridade tecnológica.

Ps 1: oxalá me engane, mas começo a ter a sensação de que, a seguir à loucura Putin estão outros a começar a perder a cabeça.