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sexta-feira, 18 de julho de 2025

MILITARES e CIVIS

Às voltas com os meus arquivos, encontro sempre preciosidades guardadas. Considero ser o caso que aqui exponho.

Há 28 anos, um dos meus melhores amigos, professor catedrático, proferiu uma alocução subordinada a este tema, Militares e Civis.

Salvo melhor opinião, um texto de lúcida análise da nossa sociedade e de permanente actualidade.
Aqui deixo alguns excertos dessa alocução em cerimónia pública.

"As sociedades distinguem os militares, não por razões de deferência temerosa, mas como forma de reconhecimento à diferenciada função em que se empenham, de forma comummente disciplinada e previsível. 

Esta opção de vida por um serviço colectivo é valorizada por uns, inutilizada por outros, mas ninguém fica indiferente à realidade factual que ela encerra e que, no mais recôndito, alude ao conceito de nacionalidade, âmbito de particular relevância na vida dos homens de todos os tempos.

Sendo certo que toda a Nação tem o problema intrínseco da sua defesa, esteja ou não organizada politicamente em Estado-Nação, os militares são a certeza formal da sua possibilidade, e as sociedades sempre aceitaram esta especialização dos civis, como forma de garantir a própria organização e eficácia de um sentir colectivo.
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Sempre isto se esperou dos militares, e sempre isto eles souberam dar: fidelidade a uma causa através da garantia de um propósito.

Aceita-se que se faça a distinção entre militares e civis, talvez melhor entre paisanos e militares porque estes não aparecem desfalcados de cidadania, e não convém à natureza dos factos, identificá-los como uma espécie de casta à parte..........os militares são um conjunto diferenciado de nós todos, motivados para a salvaguarda da colectividade de que são membros e para a constituição da qual contribuíram com a sua intrínseca dignidade

É um empenhamento na coisa pública que a usura do tempo, até na sua vertente ideológica, não destrói ou arruina. E esta verdade chega até aos que gostam mais de ouvir do que compreender.
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Mas ao Camões de "mudam-se os tempos/ mudam-se as vontades"sucedeu-se hoje a "mudança mudada em permanente mudança", o que leva muitos a lançarem pela borda fora da vida, não só as referências mas as permanências, sem as quais soçobra a própria vida comunitária.
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Cada qual, deve conscientemente, fazer o possível para se informar como vive o País, como e de que vivem as suas classes, quais os objectivos de cada grupo no contexto da sociedade.
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Ninguém pode estar contra si mesmo, nem contra os seus interesses.
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Salvo melhor opinião, lúcido, clarinho, límpido, directo.

Mas quer em relação às classes civis da sociedade portuguesa, quer em relação aos militares das Forças Armadas, um dos nossos mais graves problemas é exactamente ISTO, as CORJAS de todas as cores e ideologias que gostam mais de ouvir do que compreender.

Há que não perder a esperança.

António Cabral

segunda-feira, 27 de março de 2023

DEVER de TUTELA

Regulamento de Disciplina Militar

TÍTULO I - Princípios fundamentais

CAPÍTULO II - Deveres militares

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Artigo 15.º - Dever de tutela

O dever de tutela consiste em zelar pelos interesses dos subordinados e dar conhecimento, através da via hierárquica, dos problemas de que o militar tenha conhecimento e àqueles digam respeito.
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Não será por aqui que em boa parte se pode perceber muita coisa do que há décadas se passa nas Forças Armadas, como por exemplo, ao longo do tempo, a crescente submissão política de muitas chefias militares? 
Estou até a lembrar-me de uma frase célebre ali pelos anos 1991, 1992, mais ou menos assim - eu não sou chefe de sindicato!
Será que sobre a bronca recente na Madeira e o que ela pode representar, podemos pensar que o dever de tutela anda muito esquecido de muito boa e jactante gente?
António Cabral (AC)

terça-feira, 26 de novembro de 2019

AINDA o GOLFE com SALVAS MILITARES
Sobre o recente episódio passado na Madeira que levou à exoneração de um oficial do Exército a poucos dias de terminar a sua comissão de serviço naquela região autónoma, chamaram-me à atenção para um artigo que li com muita curiosidade, escrito por um senhor advogado, e que me fez pensar sobre muitas coisas, directamente relacionadas com a instituição militar mas, também, com certos poderosos neste momento sentados.
Mostraram-me o artigo do apêndice ao Jornal Económico de 8 de Novembro passado e que tem por título - O disparo do canhão no torneio de golfe e que futuro das relações entre o Exército e a sociedade civil?
O artigo termina  assim ...."pedir aos portugueses que paguem cerca de 2 mil milhões de euros por ano para os militares ficarem nos quartéis, parece-me bastante caro".
Como sempre, respeito as opiniões de outrem, mesmo delas discordando quase nada, pouco, ou completamente.

Para o autor parece que não devia ser um escândalo uma peça de artilharia do Exército num torneio de golfe. 
O autor, a propósito deste episódio ocorrido na Madeira, traz à colação e numa perspectiva comparativa a questão Tancos e, salvo melhor opinião, creio que tem muita razão sobre as considerações que faz acerca do que designa por "vergonha nacional".
O autor lembra, e bem, que quem está em determinados cargos tem inerentemente uma grande responsabilidade social, deve ter bom senso, prudência e ponderação, e exige-se-lhe uma intensa dignidade ética (palavras do autor).
O autor considera que o "único intuito de disparar uma munição de pólvora seca no referido torneio de golfe foi de dar visibilidade à instituição militar na Madeira num evento organizado em parceria com instituições militares e, acima de tudo, promover relações humanas e uma aproximação entre a sociedade civil e militar e nunca qualquer intuito de apropriação ou qualquer outro efeito para além deste".
O autor considera que depois da exoneração do comandante militar na Madeira, "os seus sucessores se manterão ainda mais nos quartéis, o que produzirá um afastamento entre instituições militares  e a sociedade civil".
O autor termina o artigo como referi no início deste meu comentário, não sem antes escrever - ....."contrapondo estes valores (despesas com as FA) com o disparo de uma munição de pólvora seca num campo de golfe, parece uma coisa pequenina para que possa levar à destituição de um homem que dedicou toda a sua vida à causa militar".

Como disse e sempre assim faço, respeito a opinião do autor mas, para lá de comparações que faz onde me parece que tem muita razão, nas suas próprias palavras encontro argumentos suficientes para dizer que a defesa que faz do oficial em causa não está coerente com as suas afirmações sobre as responsabilidades de quem está em determinados cargos.

Por outro lado, o autor não aborda uma questão que pessoalmente me parece central, uma vez que, parece, o que se passou no torneio de golfe era mais ou menos uma rotina antiga, sabida em muitos círculos. Não me admirava até que o oficial destituído tivesse antecipadamente informado os seus superiores hierárquicos do que mais uma vez ia fazer.
Nisto tudo, parecendo-me que não se promove a ligação instituição militar à sociedade sobretudo com coisas deste género, e baseando-me no que um amigo militar me contou, penso que esta destituição  deve ter tido sobretudo origem em jogos do xadrez político-militar. Gostava de saber. 

Diz-me esse amigo militar que a rapidez (poucas horas) da substituição do militar destituído cheira muito a esturro, quase cheira a coisa programada, e eu concordo. Parece estranho.
Nisto tudo poderá haver questões de jogos entre ramos das FA, jogos de número de cargos a distribuir, rotações.
O meu amigo militar sugere-me estas coisas, e como percebo pouco disto ouço-o e fico por aqui.
Mas que parece tudo um bocado estranho parece.
Se eu fosse à missa nos mesmos dias e horas do comandante supremo das forças armadas, tinha-lhe perguntado se tinha sido informado previamente pelo CEMGFA e o que pensava da coisa.
Assim, é mais um dos múltiplos episódios militares e políticos que fica com nebulosidades. E muitos ficaram mal na fotografia.
Com nebulosidade ou não, o comandante supremo das forças armadas nada comentou publicamente.
AC 



sábado, 16 de novembro de 2019

O  MILITAR
Um militar digno, com coluna vertebral verdadeira, está subordinado, sabe o que é subordinação.
Um militar digno, com coluna vertebral, detesta a submissão, não aceita a submissão.
António Cabral (AC)

Ps: diferenças entre:
Submissão - acto ou efeito de submeter; sujeição;  humilhação; 
Subordinação - acto ou efeito de subordinar ou subordinar-se; dependência; disciplina;  

Ps 1: Porque se lembrou ele disto?
Desculparão, mas se lhes ocorreu esta pergunta andam muito distraídos com o que se passa na sociedade portuguesa, particularmente então desde 2017.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

4 ABRIL
4 de Abril, 1992, Salgueiro Maia deixou-nos, muito cedo, infelizmente.
Tanto quanto julgo saber, antes da arrancada até Lisboa para o 25 de Abril, lembrou aos seus subordinados que existem várias modalidades de Estado, os Sociais, os Corporativos, mas também o estado a que chegámos.
Se Salgueiro Maia visse o estado a que chegámos em certos aspectos e sectores da vida nacional, o que diria?
AC