sábado, 9 de maio de 2020

ALDEIA   de   MONSANTO
A aldeia de Monsanto é uma das imensas aldeias e locais de Portugal Continental que conheceu um gradual despovoamento desde o início do século XX. 
Residentes, cerca de 8 dezenas, poucas crianças, sendo que 4 são netos dos meus estimados vizinhos Amélia e Joaquim Fonseca.
Não sou qualificado para falar da aldeia e das suas gentes porque, na realidade, embora as estude, as minhas habilitações não são em história, etnografia, etc. etc.  
Mas, por outro lado, conheço muito bem a aldeia, muitos dos residentes, os penedos, os caminhos, os dois restaurantes, os dois cafés, o castelo, a Torre de Lucano ou sineira ou do relógio, as festividades pela Páscoa, a festa de Sta Cruz ou do Castelo em 3 de Maio.
Sou muito suspeito, Monsanto vive em mim desde 1969.
Desde o início deste modesto blogue que aqui publico imensas fotografias de todas as partes do meu país, e muito em particular do Continente. A fotografia foi, aliás, um dos dois motivos que me decidiu a criar o "Chapéus há muitos". Monsanto tem lugar especial.

A recente reportagem (que há dias recomendei que vissem na RTP1 ou RTP 3, andando para trás com recurso à tecnologia) realizada "a solo" por João Pedro Mendonça, jornalista da RTP, que conheço bem, que é filho de uma irmã de dois dos seus tios que aparecem na reportagem, o sr Raúl (de quem tenho 4 obras primas, e com quem diariamente me cruzo sempre que estou  na aldeia) e a Sra D Amélia Fonseca minha muito estimada vizinha, levou-me a revisitar os meus arquivos mais antigos com as fotografias de Monsanto. Leva tempo, são incontáveis, fora as tiradas com a Nikon analógica F 801 S.
Porque, entre outras variadas e importantes coisas para que JPM nos remete na sua fantástica reportagem, está a paz e o silêncio absoluto que se respira em vários locais e caminhos.
Natureza, calma, silêncio, contemplação, simplicidade, beleza, e imaginar também a dureza de vida das gentes
Hoje, aldeia do Concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, integrada na chamada BIS (Beira Interior Sul), Beira-Baixa, está muito despovoada e a vida para os residentes não é fácil.
Mesmo para os que sempre lutaram e na luta persistem, como o meu bom amigo João Soares, grande mestre de cozinha e sargento de Marinha reformado, dono de um dos dois bons restaurantes da aldeia, o Petiscos e Granitos, os tempos não estão fáceis. Mas como ele disse, há-de vir a bonança.
Também comungo do lembrado na reportagem, e que tantos milhares e milhões descuram ao longo da vida, ter calma e adorar o silêncio que retempera a vida.
António Cabral (AC)


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