domingo, 19 de setembro de 2021

A  PROPÓSITO  de  ENERGIA
A energia eléctrica foi uma das maiores descobertas /invenções e teve, e assim continua, reflexos enormes na qualidade de vida dos seres humanos.

Por todo o mundo surgiram grandes empresas produtoras de energia eléctrica, a vulgar electricidade. Em Portugal temos o grande monopólio chamado EDP.

Vem isto a propósito de, electricidade, preços da energia que mensalmente pagamos e que está sempre a subir, das obras aqui na aldeia, da inqualificável postura da EDP há décadas e desde muito antes do 25 de Abril (com antecessores da EDP) a par da bovinidade e falta de dignidade cívica generalizada dos portugueses. 

Esta última questão está bem retratada num curto post num blogue que muito aprecio, e que me fez recordar dois casos nesta matéria, um passado comigo aqui na aldeia e outro, talvez há cerca de 40 anos, passado com um amigo e com a reconstrução de uma belíssima vivenda no Samouco.

Vem de antes o 25 de Abril o fixar as cablagens de transporte de energia eléctrica nas fachadas de prédios e vivendas, por todas as cidades, vilas e aldeias. Aliás, idêntica situação se passa com as cablagens dos telefones e, ainda, com a profusão de antenas parabólicas e as antigas antenas para captar canais TV. Mas voltemos à EDP.

1º caso - Décadas atrás, no Samouco, um amigo meu entre outros bens herdou do falecido sogro uma vivenda fantástica em que algumas das fachadas tinham azulejos muito antigos onde, a espaços, estavam cravados espigões de ferro aos quais estavam agarradas as cablagens eléctricas. Pois o meu amigo teve de dizer à EDP que, no âmbito da reconstrução aprovada e que iria iniciar,  tinham de tirar tudo aquilo para ele poder refazer partes das fachadas.

Passou pouco mais de um ano, as obras ficaram concluídas e, entretanto, ao longo do passeio continuavam soltas as cablagens outrora aéreas e então fixadas perto do beiral da casa. Então, passados poucos dias, apareceram funcionários da EDP que pretendiam voltar a colocar as cablagens espetadas na fachada, perto do beiral do telhado. 

O meu amigo não autorizou, e a EDP outro remédio não teve que abrir uma pequena vala no passeio, enterrar os cabos, e voltar a refazer o passeio. Apesar do exemplo deste meu amigo, lá continua a mesma indecorosa imagem, a saber: cabos pretos espetados numa casa, descem até ao chão, prosseguem por baixo do passeio, sobem depois de ultrapassar a vivenda do meu amigo pelas paredes da outra vivenda ao lado. Nenhum dos restantes cidadãos das vivendas daquela rua se dignou aproveitar o exemplo do meu amigo. Uns encolheram os ombros e outros - ah, o trabalhão que isso me vai dar, dizer à EDP para vir cá e depois ter de reparar os buracos que vão ficar quando eles tirarem os espigões.

São assim os portugueses, quase todos. QUASE TODOS, mas NÃO TODOS!

2º Caso - a minha casa aqui na aldeia é coisa para ter entre 120 e 140 anos, e desabitada talvez há pouco mais de 70 anos. Há três décadas, estava com três fachadas abauladas e o telhado semi destruído, na realidade, cerca de um quinto já sem telhas, e indícios claros de que o resto iria abater a curto prazo. Quando os trabalhos de reconstrução terminaram, aquilo que existia e agora se vê nas fotografias actuais, (dois candeeiros da iluminação pública) estava no chão pois as fachadas antigas foram praticamente desmontadas, pedra a pedra. Casa concluída, a EDP - podemos voltar a colocar os candeeiros? A minha resposta foi - PODEM. Eu próprio tinha interesse nisso. Clarinho como água, pois assim continuei com a casa completamente iluminada, contrariamente a todas as outras nesta parte do casco velho da aldeia, sem saída que não por onde se entra/ desce, um autêntico condomínio quase privado. E quase não há desfiguração da casa como se pode observar.

Portugal é assim, continua assim, poucos se quem maçar, poucos se indignam a menos que seja contra Passos Coelho. A brutal e crescente dívida externa, a propaganda, a demagogia, a mentira quase diária, o cercear (democrático) de liberdades, o respeitinho serôdio, a carestia da vida, nada incomoda a maioria dos meus concidadãos. 

Satisfazem-se com as assembleias e os casos desportivos, as tricas em alguns partidos, se os bichos devem andar na varanda ou não, etc.
Como disse o Queiroziano brigadeiro - Portugal é pequenino mas é um torrãozinho de açúcar!
António Cabral (AC)

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