PORQUE RAZÃO NÃO OS DESMENTEM?
MENTIR - afirmar como verdadeiro o que se sabe ser falso, ou negar o que se sabe ser verdade; enganar.
Umas das várias coisas para que continuo a não encontrar explicação cabal, convincente, uma explicação clara em que até a minha idosa vizinha lá na aldeia perceberia, é a persistência de se afirmarem coisas como verdadeiras sabendo (não podem deixar de saber) quem assim procede (e muitas vezes até com uma enorme desfaçatez) ser falso o que afirmam.
Por parte de políticos, dirigentes, responsáveis os mais diversos, quer na pesadíssima máquina do Estado que inclui civis e militares, quer nos organismos e empresas e organizações as mais diversas.
É a continuação da negação da verdade sem que, em regra, sejam desmentidos.
Com raríssimas excepções não são desmentidos.
No presente, naquilo a que chamam a pré-campanha eleitoral, só um surdo não detecta o que por aí vai de demagogia e, não raras vezes, mentiras descaradas.
Há poucos dias, a líder do BE invocou um suposto caso passado com uma sua avó (podia ter referido se materna ou paterna).
Pelo que se lê por aí, e creio até que já foi confrontada olhos nos olhos num canal de TV sobre esse assunto, divagou, encolheu-se, e ficou claro que a história contada por ela tem sustentáculo mais que duvidoso, sustentáculo no éter, para não ser mais rigoroso.
Não perco mais tempo com semelhante criatura.
E no mundo civil, no mundo nomeadamente político nacional, os casos são tantos que duas páginas provavelmente não chegariam para, apenas, listar os inúmeros casos, vergonhosos.
Recordo assim, um caso diferente, militar.
Li por mais de uma vez que haverá um navio "revolucionário", que um estaleiro na Roménia terá a construção a seu cargo, e cujo casco é desejado que seja lançado à água até Janeiro de 2026, e é de concepção portuguesa (????).
Isto vem sendo regularmente passado para diferentes OCS.
Lançado à água em Janeiro de 2026?
Um casco de navio que, anunciam, terá se percebi bem um deslocamento de 5000 a 7000 toneladas? Hummm…...
Refiro-me ao navio "revolucionário" capaz de lançar, operar e recuperar veículos não tripulados (vulgarmente conhecidos por drones), sendo a base para o seu controlo e guarda, sejam eles terrestres, marítimos ou aéreos.
Navio que se espera venha a ser quase todo pago pelo célebre PRR.
Veremos!
O que tem sido propalado é que o conceito é português (????).
Ora, depois de várias pesquisas e, também, a leitura de textos escritos por quem em Portugal sabe destes assuntos e em profundidade, verifica-se que, designadamente no Reino Unido e nos EUA, e há vários anos já (desde pelo menos 2007), foi apresentado um navio deste género, com este conceito.
Mas do que se sabe, nomeadamente naqueles países, as coisas não correram nada bem, durante muitos anos.
Sei que existem ensaios vários neste âmbito, em outras marinhas de guerra.
Mas há registos de, sucessivas avarias, dificuldades de reconfiguração para diferentes missões, operacionalidade baixa, deficiências de projecto não solucionadas, etc.
E dinheiro GASTOOOOO, muito DINHEIROOOOOO.
Do que vem sendo periodicamente vertido para a comunicação social, que habitualmente retransmite sem escrutínio, o dito disruptivo, multifuncional e verde navio estará destinado sobretudo para missões civis.
Pelo que se percebe, aparentemente, está-se perante algo de elevadíssima e diversa tecnologia.
Toda solidamente comprovada? Tudo inventado em Portugal?
Eu aprecio mais rigor. Nunca apreciei demagogia, aldrabice e e não aprecio egos inchados.
Claro que se vier a dar para o torto (não é esse o meu desejo) entrará em acção o famoso decálogo de projecto. Sabe-se como acaba.
Vários, nessa altura, bem ao fresco, porventura condecorados.
Porque não se fala com rigor? Porque detestam a verdade?
Porque é que os OCS se ajustam assim?
Porque se esquecem que não há milagres, e que o barato quase sempre sai caro?
Navios para andar no Atlântico Norte, em toda a brutal massa oceânica onde Portugal tem jurisdição, para o exercício da tão descurada autoridade do Estado, dificilmente por lá poderão andar se pretenderem ser navios tipo Bimby, ter tudo para tudo fazerem.
A Bimby faz sopas, puré, gelados, almôndegas, arroz, carne guisada, peixe, suflê de bacalhau, bolos, eu sei lá.
Mas se, reconhecidamente, é um bom auxiliar de cozinha (temos uma cá em casa), nada como comida mais a sério, tradicional, portuguesa.
António Cabral (AC)
Ps: já agora, vou vendo ao longo do tempo anúncios de navios vários (oxalá se concretizem) para a Marinha.
Verifico que tem sido o actual chefe da Marinha a anunciar.
Sabendo das competências que existem, no âmbito do governo e nomeadamente do ministério da defesa dita nacional e do Estado-Maior General das Forças Armadas, só posso presumir que o chefe da Marinha foi sendo devidamente autorizado e mandatado para fazer tais anúncios de aquisição de novos meios para este ramo das forças armadas.
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